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Cientistas identificam gene "mafioso" que
controla o câncer de mama
Não é sempre que um chefão da máfia ou do
narcotráfico é preso ou leva uma bomba na
cabeça. O mesmo acontece com genes ligados a
doenças: nem sempre se consegue provar a sua
culpa. Uma equipe de pesquisadores nos EUA
identificou agora um gene capaz de controlar
outros mil genes como se fosse um líder de
gangue, e com isso promover o crescimento dos
tumores de mama.
Mais grave ainda, o gene "mafioso", o SATB1, tem
papel ativo na formação de outros focos de
câncer no organismo --o processo chamado
metástase, que é a causa de morte mais comum em
pacientes da doença.
NIST

Células de tumor de mama que apresentam gene
defeituoso; desligamento de gene pode resultar
em tratamento
O estudo foi liderado pelos casal de
pesquisadores Terumi Kohwi-Shigematsu e
Yoshinori Kohwi, do Laboratório Lawrence
Berkeley, da Universidade da Califórnia em
Berkeley.
A descoberta pode servir tanto para criar
diagnósticos mais precoces e precisos quanto
para uma eventual terapia. "O SATB1 pode ser
útil como alvo terapêutico na doença de mama com
metástase", escrevem os autores em artigo na
edição de hoje da revista "Nature".
Os cientistas também demonstraram em
experimentos com camundongos que, depois de
inativado o gene, também termina a proliferação
alucinada das células tumorais.
O SATB1 e a proteína que ele codifica têm um
papel normal num organismo sadio. Ele é uma
espécie de "organizador" de outros genes, mas
pode voltar esse talento para o "crime" e causar
tumores agressivos que crescem e se espalham.
"Depois que o chefe do crime é retirado do
contato com sua gangue --as células de mama
tumorais--, essa comunidade retorna a ser uma
comunidade sadia, não tendo mais a habilidade de
se engajar em crime. Por isso é extremamente
importante alvejar o SATB1", disse
Kohwi-Shigematsu à Folha.
Segundo a pesquisadora, uma vez reprimido o
gene, o câncer perde seu potencial de
agressividade. "Mas é importante que o SATB1
seja mantido assim a longo prazo, para evitar
que as células cancerosas voltem a se espalhar",
afirmou.
O SATB1 é necessário quando células T do sistema
imunológico (de defesa do organismo) são
ativadas para produzir citocinas, substâncias
que promovem a produção de anticorpos por outras
células de defesa, as células B. Se o SATB1 for
retirado de células T sadias, os pacientes
sofrem problemas na sua reação imunológica.
"Só que nós descobrimos, inesperadamente, que
ele se expressa em um subconjunto de células
cancerosas e essas células ganham atividade de
metástase. O SATB1 é, de fato, determinante para
a metástase do câncer de mama", diz a cientista
nascida no Japão.
Essa descoberta também modifica a maneira pela
qual os cientistas compreendem a metástase, um
processo de várias fases, desde a invasão das
células tumorais em tecidos adjacentes até sua
ida para a circulação e criação de um novo foco
em outra parte do corpo.
Em geral, acreditava-se que as células
metastáticas seriam raras e surgiriam em
estágios finais da progressão do tumor a partir
de mudanças genéticas. A novidade agora foi
mostrar que há células em alguns tumores
primários que já são predispostas à metástase e
que a proteína SATB1 tem papel nisso.
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