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Hospital de SP começa a usar novo robô para cirurgias


FELIPE MAIA
da Folha Online

O Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, começou a utilizar no último domingo (30) um dos mais modernos sistemas robóticos para cirurgia. Trata-se de um equipamento que faz o papel dos braços --e não do cérebro-- do médico durante uma operação, com objetivo de tornar os procedimentos cirúrgicos mais precisos.

O aparelho, chamado Da Vinci, foi utilizado em duas cirurgias de próstata desde que entrou em operação. O robô tem formato de uma espécie de polvo, com quatro braços. Um deles é ocupado por uma câmera que gera imagens 3D, enquanto os outros ficam com instrumentos cirúrgicos como pinças, tesouras e bisturi.



Reprodução


Simulação no uso do robô Da Vinci; Por meio de dedais, médico controla braços do equipamento, que responde aos movimentos
"É o próprio cirurgião quem opera. O robô não faz nada, a não ser que o médico mande. Se ficou bom [o resultado da operação], se ficou ruim, tudo foi o cirurgião que fez", afirma Riad Younes, diretor clínico do hospital.

Durante a operação, o médico controla os braços robóticos por meio de um console --ele faz movimentos nos dedais e é imitado pelo equipamento dentro do paciente. Para se guiar pelo corpo, o cirurgião usa uma câmera com capacidade de ampliar em até dez vezes a imagem do organismo. O profissional tem acesso a essas imagens por meio de um visor.

Para evitar panes durante os procedimentos, o robô tem sistemas de segurança. Ele não realiza nenhuma ação se o médico não estiver com a cabeça fixa do visor. E sua base não se mexe enquanto os braços estiverem inseridas no paciente. O equipamento também não toma qualquer atitude sozinho --apenas reage aos comandos do cirurgião.

De acordo com o Sírio Libanês, que investiu quase R$ 5 milhões no projeto, com o Da Vinci é possível fazer cortes menores que 1 cm na pele do paciente, o que diminui os sangramentos e o tempo de recuperação, em relação às operações convencionais.

Precisão cirúrgica

Como o robô é mais preciso nos movimentos, filtrando inclusive o tremor das mãos do médico, há a expectativa de que o aparelho também diminua efeitos colaterais de certas operações.

No caso da cirurgia de próstata, os médicos querem reduzir os índices de impotência sexual e incontinência urinária que podem ser causados pela operação.



Reprodução


Braços do robô durante cirurgia; com movimentos mais precisos, equipamento pode diminuir efeitos colaterais da operação
O Da Vinci é uma evolução de um outro tipo procedimento pouco invasivo, a videolaparoscopia: método que consiste na inserção, por meio de pequenos orifícios no abdômen, de uma pequena câmera e tubos equipados com instrumentos utilizados para retirar o tecido com problemas.

Segundo os médicos do hospital, a principal diferença está na qualidade da imagem a que o profissional tem acesso e ao tipo de movimento que as astes do novo equipamento podem fazer.

Durante uma laparoscopia, o cirurgião olha uma tela com imagens de duas dimensões, geradas por uma câmera manejada por um assistente (não automatizada).



Reprodução


Para evitar panes, equipamento tem sistemas de segurança; se médico tirar cabeça do visor, aparelho não funciona
O Sírio Libanês reconhece que, para o paciente, a diferença é pouca entre os dois procedimentos com o uso de vídeo, com resultados de cirurgia bastante similares.

A maior diferença seria para os médicos. Isso porque é mais fácil manejar o Da Vinci, o que pode fazer com que mais pessoas possam dominar essa técnica.

Com isso, o hospital espera popularizar as cirurgias com essa tecnologia. Em até um mês, uma segunda unidade do Da Vinci deve chegar ao hospital, para ser utilizado em programas de treinamento.

O hospital informa que ainda não foram feitos os cálculos a respeito dos valores das cirurgias com o equipamento. Há a expectativa de que o valor não seja muito mais alto que as laparoscopia, que custam em média de 15% a 20% mais que os procedimentos convencionais.


 

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