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Laboratório é acusado de pagar cientistas para
assinar estudos sobre o Vioxx
da France Presse, em Washington
O laboratório norte-americano Merck foi acusado
de pagar certos pesquisadores para assinar seus
estudos clínicos e artigos sobre o Vioxx, o
antiinflamatório retirado do mercado em 2004. A
acusação foi feita em estudos divulgados na
terça-feira (15).
Vários médicos, entre eles o doutor Joseph Ross,
da Faculdade de Medicina Mount Sinai de Nova
York, examinaram uma série de artigos publicados
sobre o Vioxx (rofecoxib), um antiinflamatório
não esteróide relacionado a acidentes
cardiovasculares, e concluíram que estudos e
testes clínicos eram atribuídos a um conhecido
pesquisador que pouco tinha a ver com esses
trabalhos.
No artigo publicado no "Journal of the American
Medical Association" (Jama) de 16 de abril, os
médicos destacam ainda que, nos documentos
apresentados pela Merck no julgamento envolvendo
o Vioxx, há nomes "contratados" para assinar
artigos sobre biomedicina.
"Essa análise da documentação da indústria
relacionada ao rofecoxib revela que a Merck
recorria sistematicamente à estratégia de
utilizar nomes de aluguel para firmar sua
literatura médica", destacam os médicos.
O artigo afirma ainda que a Merck pagava certos
pesquisadores para assinar estudos e testes
clínicos realizados por outras pessoas.
"Esperamos que nosso trabalho promova a
discussão sobre como melhorar a integridade da
pesquisa médica", destacou Ross.
"A profissão médica e a indústria farmacêutica
deveriam aceitar a idéia de que toda colaboração
precisa ocorrer dentro dos mais altos padrões",
concluiu.
Outro lado
A Merck disse em um comunicado que não teve
direito de se defender das acusações antes da
publicação do estudo. "Nós estamos desapontados
por essas declarações falsas e enganosas sobre a
Merck feitas por advogados de acusação terem
sido publicadas em um periódico médico", afirmou
Peter Kim, presidente da Merck Research
Laboratories.
De acordo com a empresa, "uma avaliação
imparcial dos documentos da Merck demonstra
erros significativos nas conclusões a que
chegaram os autores dos estudos do Jama."
Em 2004, o antiinflamatório Vioxx foi retirado
do mercado no mundo inteiro após um estudo ter
mostrado o aumento do risco de ataques cardíacos
e acidentes vasculares cerebrais.
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