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Terapia de DNA trata cegueira genética
da Folha
Um grupo de pesquisadores americanos e italianos
anunciou no domingo (27) o sucesso no uso de
terapia gênica para tratar uma variedade
hereditária de cegueira. Três pacientes
portadores da doença foram tratados com vírus
inofensivos que carregavam DNA capaz de corrigir
seus genes defeituosos. Em estudo publicado na
revista "New England Journal of Medicine",
cientistas mostram um resultado bastante
animador contra a doença em questão, chamada
amaurose congênita de Leber.
"A visão dos pacientes se aprimorou desde eles
detectarem movimentos manuais até lerem as
linhas de um cartaz de exame oftalmológico",
afirmou um dos líderes do estudo, Albert Maguire,
da Universidade de Pensilvânia (EUA), em
comunicado à imprensa.
A amaurose congênita de Leber é um mal genético
que começa a se manifestar na infância. Em
geral, o problema avança até a perda total da
visão, quando os portadores da doença chegam em
torno de 20 ou 30 anos. O funcionamento
incorreto de um gene mata neurônios
fotorreceptores.
Apesar de ser uma doença relativamente rara (nos
EUA são cerca de 3.000 portadores), se a nova
técnica puder ser levada a mais pessoas o
benefício será grande, já que hoje a doença não
tem nenhum tipo de tratamento. Esse foi um dos
motivos que pesou na hora de os cientistas
conseguirem aprovação das autoridades de saúde
americanas para realizar o teste clínico da
terapia gênica --uma técnica ainda bastante
experimental-- contra a amaurose congênita de
Leber.
De Nápoles à Filadélfia
"Esse foi o primeiro teste clínico de terapia
gênica contra uma doença pediátrica não-letal",
afirma Maguire.
O médico diz que os voluntários do teste -um de
19 anos e dois de 26 anos- receberam as injeções
com o vírus terapêuticos entre outubro de 2007 e
janeiro de 2008 no Hospital Infantil da
Filadélfia.
Segundo os pesquisadores, após duas semanas os
pacientes -diagnosticados na Itália pelo
programa de retinopatia da Segunda Universidade
de Estudos de Nápoles- já começaram a relatar
melhoras.
Testes de terapia gênica estão sendo feitos
desde 1994. Mas, a partir de 2000, o cuidado
passou a ser redobrado. Naquele ano o ensaio
clínico para tratar uma doença imune acabou
causando leucemia em voluntários na França. Além
desse problema, alguns cientistas temem reações
adversas por causa do uso de vírus para
transportar genes terapêuticos.
O primeiro teste clínico de terapia gênica do
Brasil, por exemplo, iniciado no ano passado,
não usa vírus. Cientistas do Instituto de
Cardiologia do Rio Grande do Sul tentam tratar
doença coronária injetando argolas de DNA nos
pacientes.
Importância ampliada
O teste dos pesquisadores americanos e
italianos, porém, parece ter contornado todos
esses problemas, pelo menos em princípio. "Esse
resultado é importante para todo o campo da
terapia gênica", declarou em comunicado
Katherine High, do Instituto Médico Howard
Hughes, de Boston, uma das pioneiras em estudos
na área. Para ela, entretanto, os entraves mais
recentes da terapia gênica estão mais
relacionados à falta de eficácia do que com
problemas de segurança.
Segundo a oftalmologista Jean Bennet,
colaboradora do estudo na Filadélfia, apesar do
sucesso ainda é preciso ter cautela. "O teste
clínico atual vai continuar, com mais pacientes
e um acompanhamento paralelo para monitorar
resultados", diz. "Achamos que as melhoras serão
mais pronunciadas em tratamentos que ocorram na
infância, antes do avanço da doença", afirma.
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