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Vender Viagra sem receita é seguro, diz
descobridor do remédio
FELIPE MAIA
da Folha Online
Apesar das contra-indicações, o Viagra é um
remédio seguro para ser vendido nas farmácias
sem receita médica, como acontece com alguns
antiinflamatórios. A opinião, da qual muitos
médicos discordam, é de Peter Ellis,
diretor-executivo da área de pesquisa e
desenvolvimento da Pfizer no Reino Unido e um
dos descobridores do medicamento, que chegou ao
mercado há dez anos.

"Na minha opinião, que não reflete
necessariamente a visão da Pfizer, isso seria
seguro. O rótulo [do Viagra] aponta
contra-indicações e alertas de uso. Não deve ser
tomada por exemplo com nitratos, usados para
tratamento de angina. Se os alertas puderem ser
seguidos, não há problema", afirmou Ellis, à
Folha Online.
Divulgação
Ellis, que trabalhou no desenvolvimento do
Viagra, diz que uso sem receita é seguro, desde
que alertas sejam observados
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Em 2007, a Pfizer chegou a anunciar que
pretendia lançar uma versão do remédio a ser
vendida sem receita médica. A idéia era tornar o
Viagra mais competitivo, diminuindo seu preço.
A medida foi vista com ressalvas nos Estados
Unidos e não avançou. Atualmente, a companhia
nega que tenha intenção de tornar o medicamento
um OTC ("over-the-counter"), como é conhecida a
classe de remédios vendida sem prescrição
médica.
"O que está por trás do sucesso do Viagra é o
fato de ele fazer exatamente o que se propõe:
age apenas no pênis, sem afetar qualquer outro
sistema", afirma Ellis.
Riscos
Especialistas ressaltam que a consulta a um
médico continua sendo fundamental. "É uma
medicação que tem uma ação relativamente segura,
mas a avaliação médica é muito importante nesse
caso, mais que a prescrição. A indicação é que o
homem interessado vá até o urologista ou outro
especialista e veja se o Viagra é a primeira
opção", afirma André Cavalcanti, chefe do
serviço de urologia do Hospital Souza Aguiar, no
Rio.
Entre os efeitos colaterais que causa estão
dores de cabeça, calor no rosto, "queimação" no
estômago, dores musculares e rubor facial.
De acordo com as regras da Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária), para ser
considerado de venda livre, o remédio tem de se
enquadrar em uma lista de grupos e finalidades
terapêuticas específica.
A listagem inclui alguns antiácidos,
antiespasmódicos (usados para tratamento de
cólica, por exemplo), anti-sépticos,
antiinflamatórios e vitaminas. Tratamentos para
disfunção erétil não estão na lista.
Em março deste ano, o presidente da SBU
(Sociedade Brasileira de Urologia), José Carlos
de Almeida, se reuniu com o diretor-presidente
da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, em Brasília,
para que sejam tomadas medidas contra a venda
indiscriminada de medicamentos para disfunção
erétil sem apresentação de receita médica.
Campanha
"Hoje em dia as pessoas compram medicamento para
disfunção erétil à vontade sem receita médica.
Precisamos da ajuda da Anvisa para inibir essa
avalanche de compras sem receituário. É preciso
orientar a população e conscientizá-la sobre o
uso do medicamento", afirma Almeida, em nota.
A SBU quer que faixas sejam colocadas nas
farmácias com os dizeres: "A auto-medicação para
disfunção erétil é prejudicial à saúde. Procure
um urologista".
Para Carlos Da Ros, chefe do departamento de
andrologia da entidade, liberar a venda de
remédios para disfunção erétil sem
acompanhamento médico seria "uma lástima", já
que isso pode incentivar o chamado "uso
recreativo".
"É algo que precisa de orientação. A gurizada
compra para fazer festa, sem saber que o efeito
é só placebo, o que já foi demonstrado por
estudo. Em pessoas sadias, o efeito é
psicológico, só na cuca", diz.
A Pfizer diz estar ciente dos problemas da
auto-medicação e da falsificação. Porém informa
que "não tem papel de polícia". "O que fazemos é
colaborar. Sempre que temos informações sobre
problemas desse tipo [remédios falsos], nós
notificamos. Adoraríamos que houvesse controle
no ponto de venda, que as pessoas tivessem
receita", afirma João Fittipaldi, diretor médico
do laboratório no Brasil.
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