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Usar preservativo previne o câncer de útero
TAHIANE STOCHERO
do Agora
Mulheres que iniciaram a atividade sexual ou
engravidaram antes dos 18 anos, possuem muitos
parceiros sexuais, fumam e bebem com grande
freqüência e ainda têm má alimentação correm
sérios riscos de desenvolver câncer de colo de
útero.
A doença é causada pelo HPV (vírus papiloma
humano), que está presente em mais de 90% dos
casos. A maioria das pessoas pode ter o HPV e
não desenvolver a doença, que decorre de uma
infecção das células cancerígenas.
"O importante é controlar a infecção. A maior
parte das pessoas pode ter o vírus e não
desenvolver. Contudo, se a infecção persiste, é
porque o sistema imunológico está baixo e a
pessoa corre o risco de ter a doença", diz a
ginecologista Maricy Tacla, professora do
Hospital das Clínicas de São Paulo e
especialista em câncer de colo de útero.
"A maioria da população sexualmente ativa (cerca
de 75%) entra em contato com o HPV durante a
vida e elimina espontaneamente o vírus do
organismo sem mesmo desenvolver qualquer doença.
Outros terão uma infecção transitória com
duração média de 12 a 18 meses e menos de 1%
corre o risco de ter câncer de colo de útero",
afirma Cíntia Parellada, doutorada em
ginecologia pela USP (Universidade de São Paulo)
e médica do Centro de Prevenção ao Câncer da
capital.
Embora o câncer uterino seja considerado o
segundo tipo de câncer mais comum entre mulheres
no mundo, nos países onde há programas de
prevenção ele cai para o sétimo lugar. Os dados
demonstram a importância da prevenção e da
detecção precoce da doença.
Segundo Maricy Tacla, a prevenção ocorre no
Brasil principalmente com a aplicação de vacina
e o uso de preservativos. Há duas vacinas
liberadas pela Anvisa (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária), mas somente uma delas é
usada no Brasil, a Gadasil, que é quadrivalente
(contra quatro tipos de vírus HPV) e que pode
ser aplicada em mulheres dos 9 aos 26 anos.
Existem mais de cem tipos de HPV, e a vacina
protege apenas contra quatro --dois deles são os
principais responsáveis pelo câncer de útero. No
país, a dose custa até R$ 495. Para realizar a
imunização completa, são necessárias três doses
(R$ 1.485).
"Não existe um remédio contra a infecção. O
melhor é prevenir e detectar precocemente a
doença. Quando a mulher desenvolve a infecção,
aí o tratamento passa a ser não especificamente
contra o vírus, mas contra a lesão que ele
promove, pois pode avançar e até mesmo provocar
a perda do útero ", diz a especialista Maricy
Tacla.
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