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Temporão critica ministros que querem restrições
a pesquisas com células-tronco
O ministro José Gomes Temporão (Saúde) criticou
nesta quinta-feira (29) os votos de quatro
ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que
impuseram restrições às pesquisas com
células-tronco embrionárias. Para Temporão,
seria mais honesto que os ministros dissessem
"não" à constitucionalidade da Lei de
Biossegurança. Segundo ele, as restrições
inviabilizam as pesquisas.
"As restrições que estão sendo colocadas
inviabilizam [as pesquisas com células-tronco
embrionárias]. É um voto estranho que desvia um
pouco o foco da atenção e coloca uma série de
exigências, que significaria dizer 'não", disse.
"Acho que seria mais honesto dizer: 'não",
afirmou Temporão, que se disse confiante no
julgamento, que terá continuidade hoje.
Os ministros do STF retomam o julgamento na
tarde desta quinta-feira. Ontem, depois dez
horas de sessão, o julgamento foi suspenso. Dos
11 ministros, alguns indicaram que são
favoráveis, mas com restrições. Três ministros
ainda não proferiram seus votos.
Os que votaram com restrições foram os ministros
Eros Grau, Cézar Peluso, Carlos Alberto Menezes
Direito e Ricardo Lewandowski. "O Brasil precisa
dessas pesquisas. É uma das poucas áreas que o
Brasil pode competir com os países em condição
de igualdade, se nós não autorizarmos essas
pesquisas, nós vamos ser dependentes de uma
tecnologia, que será desenvolvida lá fora, e que
nos será vendida a preço muito caro", afirmou
Temporão.
Segundo o ministro, a defesa de alguns
integrantes do STF pela execução da Lei de
Biossegurança com restrições pode incitar
dúvidas sobre a forma como as pesquisas serão
realizadas. Para Temporão, o ideal é explicar o
limite entre os Poderes Legislativo e
Judiciário.
"Eu continuo confiante. Mas estou com uma
dúvida: o que está sendo julgado é
constitucionalidade ou não da Lei de
Biossegurança. Mas eu fico sem perceber o que
vai acontecer do ponto de vista prático com os
votos que condicionariam a autorização a algum
conjunto de ressalvas, por que quem legisla é o
Congresso e não o Supremo", reagiu Temporão.
Em seguida, o ministro questionou: "Se for
necessário fazer mudanças na legislação, como é
que fica? E a independência dos Poderes
[Executivo, Legislativo e Judiciário]. Isso não
está muito claro. Espero que o presidente [do
STF, Gilmar Mendes] ao final da votação possa
esclarecer o que vai acontecer".
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