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Dieta e exercícios podem adiar diabetes por 14 anos

MÁRCIO PINHO


Os benefícios dos cuidados com a alimentação e da prática de exercícios físicos no sentido de evitar o diabetes do tipo 2 são mais a longo prazo do que se imaginava e podem durar por pelo menos 14 anos.

Foi o que mostrou um estudo feito por pesquisadores chineses e divulgado em maio pela revista inglesa "The Lancet".

O estudo levou em conta 577 adultos com altas taxas de glicose no sangue, mas sem diabetes. Alguns médicos chamam essa fase de pré-diabetes (quantidade medida de glicose entre 100 e 125).

Os participantes que melhoraram a alimentação e passaram a fazer atividade física regularmente tiveram um risco 51% menor de diabetes ao final de seis anos. Quatorze anos depois --período em que os participantes não mais tiveram que seguir os hábitos saudáveis-- o risco ainda era 43% menor em relação aos que não fizeram alterações em sua rotina.

"Pessoas com intolerância à glicose [pré-diabetes] têm uma forte tendência a se tornar diabéticas", afirma o endocrinologista da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) Antonio Carlos Lerario.

Segundo ele, um dos estudos de maior referência no tema já havia mostrado os benefícios de hábitos saudáveis após quatro anos.

Para o médico, o mérito do novo estudo foi provar que os efeitos das mudanças são a longo prazo, o que serve de estímulo para a adoção desses hábitos.

O diabetes tipo 2 tem relação direta com a obesidade e o sedentarismo, diferentemente do tipo 1, que aparece freqüentemente em pessoas magras em razão de uma falha no organismo. Segundo a SBD, estima-se que de 60% a 90% dos portadores do tipo 2 sejam obesos.

A principal hipótese para explicar essa relação é a destruição de células beta do pâncreas por processos inflamatórios causados pelas células gordurosas. Essas células produzem insulina, a encarregada de tirar o excesso de glicose do sangue e levá-lo para dentro das células.

Hábitos

Como o monitoramento dos hábitos dos participantes do estudo não prosseguiu após os seis primeiros, o estudo não elucida se o menor risco de diabetes é uma conseqüência de hábitos saudáveis do passado ou se esses participantes os mantiveram ao longo dos anos.

"É possível que tenha ocorrido as duas coisas", afirma Lerario. Segundo ele, o indivíduo pode ter incorporado o hábito, mas também pode haver um componente de memória no organismo, o que já foi mostrado em um estudo americano que acompanhou o tratamento de diabéticos por dez anos. O risco de complicações continuou bastante menor seis anos após esse acompanhamento.

Segundo Lerario, uma das principais armas na prevenção da diabetes é a atividade física constante. "A glicose é o combustível do músculo e consumida em maior quantidade durante exercícios. A quantidade de glicose na circulação diminui, e gordura é quebrada para liberar glicose, facilitando a perda de peso."

Os médicos costumam recomendar um mínimo de 30 minutos diários de atividade física e pedem que as pessoas consultem um médico para saber que tipo de exercício podem fazer.

 

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