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Europa analisa concessão de patentes a
células-tronco humanas
da Efe, em Berlim
A grande Câmara de Apelação do Escritório
Europeu de Patentes (EPO), com sede em Munique,
na Alemanha, abriu na segunda-feira (24) o
procedimento para decidir basicamente se é
possível patentear células-tronco embrionárias
de seres humanos.
O pesquisador americano James Thomson, pioneiro
nos estudos com células-tronco, apresentou
perante essa Câmara um processo sobre a questão,
já que deseja patentear o procedimento e, com
isso, as células por ele criadas. Thomson foi,
em 1998, o primeiro cientista que conseguiu
cultivar células-tronco humanas embrionárias.
"Não existem motivos para excluir as
células-tronco embrionárias de uma possível
patente", disse na capital bávara um porta-voz
da Wisconsin Alumni Research Foundation, que
representa os interesses de Thomson perante a
grande Câmara de Apelação do EPO.
O porta-voz da parte litigante reconheceu que a
regra 23d do Acordo Europeu sobre Patentes
exclui conceder patentes a embriões humanos, mas
afirmou que essa diretriz não tem por que afetar
as células que são obtidas desses embriões.
Com base nessa norma, que exclui da concessão de
patentes "o uso de embriões humanos para fins
industriais ou comerciais", todas as outras
instâncias da EPO tinham rejeitado a solicitação
de Thomson.
"A direção 23d deve ser vista à luz da Carta
Européia dos direitos fundamentais. Esta proíbe
obter lucro do corpo humano ou parte do mesmo.
Certamente que não se pode comerciar partes do
corpo humano. Mas isto não é válido para células
que são extraídas do corpo", disse o porta-voz
da fundação norte-americana.
Ele acrescentou que esta carta não concede aos
embriões um direito fundamental à vida, e
ressaltou que o aborto é uma prática legal na
maioria dos estados da União Européia. Além
disso, lembrou que na Europa são destruídos
diariamente embriões com o uso da pílula do dia
seguinte.
Por sua vez, um porta-voz do EPO deu a entender
que a máxima instância do escritório europeu
voltará a decidir contra Thomson ao ressaltar
que a direção 23d também protege os embriões da
venda.
"No caso do litigante, não há dúvida de que usa
embriões", disse o porta-voz do EPO, que aludiu
a uma sentença do Tribunal Europeu de Direitos
Humanos que estabelece que a dignidade humana
dos embriões deve ser protegida.
Christoph Then, especialista em patentes da
organização ambientalista Greenpeace, contrária
aos desejos de Thomson, afirmou que a "audiência
no EPO fechará com uma sentença básica uma
discussão de anos sobre a possibilidade de
patentear células-tronco embrionárias".
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