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Leitura e diversão ajudam a preservar memória
JULIANA VENTURA
da Revista da Hora
Ter boa memória não é apenas sinônimo de guardar
na mente uma série de palavras ou números para
se dar bem em um teste. A memória é fundamental
para a preservação da vida. É por meio dela que
se aprende processos, que vão desde exercícios
físicos até contas matemáticas, e se guarda
momentos importantes, como um casamento ou uma
grande perda.
"O nosso cérebro deleta as informações que não
são importantes. Por exemplo, você pode se
lembrar do que almoçou hoje, mas, a menos que
tenha havido um evento interessante, não vai se
lembrar do que comeu na semana passada. Isso
porque é a emoção que sedimenta a memória de
longo prazo", explica Cícero Galli Coimbra,
professor do departamento de neurologia da
Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
O problema é que, com o passar dos anos, a
velocidade do processamento das informações
diminui. E, se o cérebro deixa de ser
estimulado, a pessoa passa a ter lapsos de
memória. Por isso, o idoso está mais sujeito a
falhas de memória. Consequentemente, aumenta o
risco de desenvolvimento de doenças
degenerativas, como o Alzheimer.
"Um bom exemplo é comparar um idoso ativo, que
procura ter atividades intelectuais, e um
analfabeto. A probabilidade de o segundo ter uma
doença desse tipo é bem maior", afirma Valéria
Santoro Bahia, neurologista do Hospital
Samaritano.
Assim, o melhor a fazer para manter os neurônios
bem acordados é não deixar de estimulá-los
sempre. "Para um adulto saudável, a melhor opção
para manter a saúde da memória é sempre aprender
coisas novas e ter atividades intelectuais, como
jogos e artesanato. A leitura é uma das
atividades mais completas, pois trabalha os
quatro estágios de memória. Quando a pessoa lê,
lida com a memória recente, a linguagem e a
atenção e ainda relaciona os fatos a
experiências passadas", observa Camila Prade,
neuropsicóloga do Hospital Albert Einstein.
Palavras cruzadas
Até tarefas mais fáceis podem dar uma mãozinha
ao cérebro. "Quem gosta pode fazer palavras
cruzadas ou brincar com quebra-cabeças. Contar o
dia-a-dia em um diário e ouvir músicas antigas,
que fazem lembrar de momentos passados, também
são bons exercícios", diz Lourdes Brunini,
psicóloga e diretora da Facis (Faculdade de
Ciências da Saúde de São Paulo).
Um dos fatores que bloqueiam a produção de novas
células pelo cérebro e, consequentemente, afeta
a memória é a depressão. "Não se sabe exatamente
por que, mas o estresse emocional tem esse
efeito no cérebro. A solução é sempre agir com
serenidade diante dos problemas e tentar fazer
uma coisa de cada vez", afirma Coimbra.
Portanto, não há motivo para pânico. Se você
sofre de lapsos de memória como se dirigir a um
armário e esquecer o que pretendia buscar, mas
se lembra se repete a ação, não há problema
nenhum. Isso ocorre porque, com muitas coisas na
cabeça, a atenção é desviada. "A pessoa deve
procurar o médico se perceber que os lapsos se
repetem de maneira consistente, como a mesma
pergunta feita em intervalos muito curtos",
pontua o neurologista.
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