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Quem usa protetor solar está mesmo seguro?
Os dermatologistas vêm nos aconselhando há anos
que usemos filtro solar para proteger a pele.
Agora, há muita gente questionando esse
conselho, depois que um grupo ambientalista
desafiou as alegações de segurança de muitas das
marcas mais conhecidas.
"Os pacientes estão confusos", disse o Dr.
Darrell Rigel, professor de dermatologia clínica
na Universidade de Nova York e pesquisador sobre
o câncer de pele. "Pacientes vieram me consultar
e perguntaram se estavam se prejudicando ao usar
o filtro solar. Passo muito tempo conversando
com as pessoas a respeito disso".
O mais recente relatório é obra do Grupo de
Trabalho Ambiental, segundo o qual uma
investigação de quase mil produtos bloqueadores
solares apontou que 80% das marcas estudadas
oferecem proteção inadequada diante do sol ou
contêm ingredientes que podem causar riscos de
saúde.
Mas dermatologistas que revisaram as pesquisas
do grupo afirmam que o maior problema é que elas
não foram conduzidas com rigor científico. Eles
são especialmente críticos com relação a um
sistema de classificação de filtros solares que,
em sua opinião, é arbitrário e não tem base em
qualquer padrão científico aceito.
"O que eles estão fazendo é desenvolver um
sistema próprio para avaliar as coisas", disse o
Dr. Warwick Morison, professor de dermatologia
na Universidade Johns Hopkins e presidente do
comitê de fotobiologia da Fundação do Câncer de
Pele, que testa filtros solares para determinar
sua eficiência e segurança. "Usar essa escala
para afirmar que um filtro solar oferece boa ou
má proteção é simplesmente ciência de araque".
Morison não tem vínculos financeiros com os
fabricantes de filtros solares, e sua posição na
Fundação do Câncer de Pele não é remunerada.
Sonya Lunder, analista sênior do Grupo de
Trabalho Ambiental, diz que o banco de dados e o
sistema de classificação do grupo se baseiam em
amplo estudo da literatura médica existente
sobre filtros solares.
Das cerca de mil marcas de filtro solar
revisadas, o grupo recomenda apenas 143. A
maioria são marcas menos conhecidas, contendo
titânio e zinco, que são bloqueadores efetivos
contra a radiação ultravioleta. Mas eles são
menos populares junto aos usuários porque deixam
marcas brancas na pele.
O grupo está especialmente preocupado com a
segurança de um composto chamado oxibenzone, que
é usado na maioria dos filtros solares mais
populares. Mas as pesquisas sobre oxibenzone são
limitadas.
Mais recente, o Centro de Controle e Prevenção
de Doenças dos Estados Unidos analisou 2.517
amostras de urinas recolhidas em 2003 e 2004 de
uma amostra representativa da população
norte-americana com mais de seis anos de idade,
como parte de uma pesquisa nacional sobre saúde
e nutrição. A análise, publicada este mês pela
revista "Environmental Health Perspectives",
encontrou oxibenzone em 97% da amostras.
O estudo prossegue apontando que a exposição a
oxibenzone "não foi associada a efeitos de saúde
adversos" e que os filtros solares são uma
ferramenta importante de proteção contra as
queimaduras solares e o câncer de pele. Mas os
pesquisadores afirmaram que novos estudos são
necessários para determinar se o produto químico
tem algum efeito significativo sobre o corpo.
"Qual é o significado disso?", disse Rigel, que
já trabalhou como consultor para fabricantes de
filtros solares. "Ninguém viu problemas causados
pelo uso desses agentes. Dizer que são perigosos
é enganoso".
Alguns poucos estudos com animais causaram
preocupação quanto à possibilidade de que o
oxibenzone perturbe diversas funções endócrinas.
Diversos pesquisadores afirmam que essa é uma
preocupação teórica e que nenhum efeito dessa
ordem foi demonstrado em seres humanos.
Outro estudo, publicado dois anos atrás em "Free
Radical Biology and Medicine", gerou
preocupações perturbadoras quanto ao que
acontece quando o filtro solar é absorvido pela
pele e interage com o sol. O relatório sugeria
que, sob certas condições, os filtros solares
contendo oxibenzone poderiam levar a danos de
radicais livres na pele, processo que em teoria
poderia conduzir a câncer de pele.
O estudo empregou modelos de pele desenvolvidos
em laboratório, de modo que alguns pesquisadores
afirmam que ele não oferece indicador confiável
quanto ao que acontece com pessoas.
Mas os autores do estudo apontaram que os danos
aconteciam apenas quando luz ultravioleta
atingia filtro solar que tivesse penetrado na
pele. A solução, eles afirmam, é simplesmente
aplicar mais filtro solar e impedir a penetração
dos raios ultravioleta.
"Pode parecer uma solução absurda, mas aplicar
mais filtro solar permite que nos protejamos
contra a possibilidade de que a luz ultravioleta
atinja os filtros contra ultravioleta que possam
ter penetrado na pele", diz Kerry Hanson, o
diretor do estudo e pesquisador científico
sênior da Universidade da Califórnia em
Riverside. "A essa altura, não acredito que
existam provas suficientes para alegar
firmemente que filtros solares contendo
oxibenzone sejam inseguros".
Ainda assim, Hanson acrescentou que os filtros
ultravioleta usados em filtros solares
precisavam de teste "para nos oferecer uma
melhor compreensão sobre como essas moléculas se
comportam na pele".
Uma solução, segundo ela, seria acrescentar
antioxidantes ao filtro solar para combater o
efeito. Ela diz que prestou consultoria a
produtores de filtros solares quanto ao assunto.
A Food and Drug Administration (FDA, agência
federal norte-americana que regulamenta
alimentos e remédios) está preparando regras sob
as quais os filtros solares terão de prestar
mais informações sobre seus componentes e
características.
The New York Times
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