|
|
|
|
|
Pílula pode evitar infecção por HIV, diz estudo
Será que uma
pílula de uso diário pode ajudar a prevenir a
infecção pelo HIV, o vírus causador da aids?
Ninguém sabe ao certo. Mas pesquisadores de
diversos países estão conduzindo testes para
determinar se isso é possível, e novos
experimentos estão sendo planejados para testar
a estratégia, nunca antes aplicada, de utilizar
uma pílula - ou combinação de pílulas de uso
diário - a fim de prevenir a contaminação pelo
HIV.
Pela metade de 2009, haverá mais gente
participando de testes como esses do que em
todos os programas de vacinas e microbicidas de
prevenção do HIV, de acordo com a Coalizão em
Defesa de uma Vacina contra a Aids, em um
relatório divulgado domingo na abertura da 17ª
Conferência Internacional contra a Aids, na
Cidade do México.
As constatações iniciais quanto à segurança e
efetividade do produto podem surgir no começo do
ano que vem, ainda que os pesquisadores não
tenham idéia de como o método possa se sair
diante dos resultados decepcionantes de outros
testes recentes de vacinas e microbicidas de
combate ao HIV - produtos químicos que uma
mulher pode usar em seu órgão sexual para
prevenir a infecção por HIV.
Diante dos resultados desanimadores das provas
recentes, alguns especialistas em aids dizem que
o teste do uso profilático de medicamentos de
combate ao retrovírus da aids - um método
conhecido como PrEP, abreviatura em inglês de
"profilaxia pré-exposição" - agora se tornou a
abordagem mais promissora entre os esforços de
prevenção do HIV, ainda que as pesquisas quanto
a vacinas e microbicidas devam continuar.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos
Estados Unidos, que divulgou relatório no último
sábado demonstrando que o número de novas
infecções por HIV nos Estados Unidos em anos
recentes na verdade foi 40% superior aos
resultados que vinham sendo reportados há
bastante tempo, afirmou também que o uso da PrEP
estava entre as estratégias que precisariam ser
desenvolvidas a fim de reduzir substancialmente
a incidência do HIV.
Um total estimado em 2,7 milhões de pessoas
contrai o HIV a cada ano em todo o mundo.
"Não podemos esperar pelos resultados do estudo
para começar a preparar o uso e os meios de
distribuição mais adequados do PrEP", disse
Pedro Goicochea, investigador em um estudo de
PrEP que está em curso no Peru e Equador.
"Em lugar disso, deveríamos antecipar as futuras
tendências e resultados prováveis desses testes,
e começar a preparar planos realistas para que a
PrEP possa ser aplicado àqueles que possam se
beneficiar do método, de maneira tão rápida e
segura quando possível, caso sua efetividade
venha a ser confirmada".
A Agência de Desenvolvimento Internacional dos
Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção
de Doenças e a Fundação Bill & Melinda Gates
estão pagando por parte dos dois testes.
As organizações decidiram empreender os testes
devido ao sucesso no uso de medicamentos de
combate a retrovírus por gestantes, a fim de
impedir que seus fetos em gestação contraíssem o
HIV e malária.
Em 2007, a Family Health International concluiu
um estudo semelhante quanto ao uso do tenofovir,
um medicamento de combate a retrovírus, como
forma de prevenir o HIV entre mulheres jovens de
Gana, e ofereceu os primeiros dados que
demonstram que seu uso era tão seguro quando
aceitável entre usuários não infectados.
Mas o estudo não indicou seu uso de PrEP era
efetivo na prevenção de novas infecções.
Estudos com um pequeno número de primatas não
humanos deram a entender que o uso da PrEP pode
ajudar a reduzir a infecção por uma forma
simiesca de HIV em primatas não humanos.
Os estudos iniciais da PrEP envolvem o uso de
tenofovir, sozinho ou em combinação com outro
medicamento, a emtricitabine.
As pessoas infectadas que utilizam esses
medicamentos licenciados demonstraram efeitos
colaterais limitados, tais como náusea, vômito,
diarréia e gases intestinais.
Mas o uso seguro dos remédios precisa ser
estabelecido entre pessoas não infectadas, bem
como entre os participantes que se infectaram ao
longo do período de estudo.
Os participantes dos testes incluem homens
homossexuais e bissexuais, homens e mulheres
heterossexuais, casais nos quais um dos
parceiros porta o HIV e trabalhadores do Patologia.
A expectativa é que haja até 15 mil pessoas
participando dos testes até a metade de 2009. Os
locais de teste incluem África do Sul, Botswana,
Brasil, Equador, Estados Unidos, Malaui, Peru,
Quênia, Tanzânia, Tailândia e Uganda.
A circuncisão masculina se provou efetiva em
número significativo de pessoas com HIV negativo
testadas na África.
Pelo fato de que o PrEP também pode funcionar em
porcentagem significativa de usuários não
atingidos, a coalizão pelo desenvolvimento de
vacinas contra a aids e outras organizações de
pesquisa vêm alegando que chegou a hora de que
os governos, as autoridades de saúde, os
doadores, os pesquisadores e os proponentes da
pesquisa sobre a aids se preparem para difundir
ao máximo os benefícios de saúde pública caso a
estratégia de prevenção por meio de medicamentos
se prove eficaz.
Um motivo para que isso seja urgente, dizem os
envolvidos, é que mesmo que uma estratégia de
PrEP se prove frutífera, ela não poderia
resolver todos os problemas de imediato.
A PrEP teria de ser combinada a medidas mais
convencionais de prevenção, como práticas de uso
seguro, uso de camisinhas e de seringas limpas e
programas de aconselhamento.
Os governos precisariam se preparar para a
aquisição mundial dos medicamentos usados na
PrEP, preparar as equipes de funcionários
necessárias a distribuir os remédios e
aconselhar os usuários e determinar quem pagará
pelos custos, afirmou a coalizão, que se define
como uma organização internacional sem fins
lucrativos para a defesa da comunidade e do
consumidor.
Também seria necessário levar em conta o que
fazer caso participantes venham a ser
infectados, e os resultados de diversos testes
teriam de estar disponíveis antes que uma
política de PrEP ampla fosse recomendada.
Os resultados podem ser difíceis de interpretar,
porque os testes estão sendo conduzidos de
maneiras diferentes e podem produzir
constatações divergentes, de acordo com o
relatório da coalizão.
Os especialistas em estatísticas teriam de
enfrentar o desafio envolvido em agregar os
resultados de todos esses estudos.
O relatório também aponta que as constatações
iniciais provavelmente suscitariam questões
merecedoras de maior estudo, como determinar se
o uso intermitente das pílulas preventivas ¿
especialmente logo antes do ato sexual- poderia
ser efetivo.
Os pesquisadores que conduzem os estudos
disseram que o trabalho está levando mais tempo
do que esperavam inicialmente. Entre os
problemas está o fato de que recrutar
voluntários vem sendo mais demorados do que eles
esperavam, e a estigmatização real ou em termos
perceptuais dos participantes.
O relatório está disponível online em
www.avac.org/prep08.pdf.
|
|
|
|
|