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Exame pode detectar
câncer em estágio inicial
FÁBIO GRELLET
do Agora
A tomografia computadorizada expõe o relevo do corpo e
permite aos médicos concluir pela existência ou não de
doenças com base na análise da anatomia: uma massa irregular
pode indicar um tumor cancerígeno, por exemplo. Já a
tomografia por emissão de pósitrons detecta doenças com base
no metabolismo do corpo e por isso consegue identificá-las
em um estágio mais prematuro.
Um tumor cancerígeno ativo, por exemplo, absorve muita
glicose. Antes de submeter-se a essa tomografia, o paciente
recebe uma injeção de fluordesoxiglicose, uma glicose
radioativa. O exame, feito uma hora depois, mede a absorção
dessa substância pelo organismo. Se alguma área --que, em
situação saudável não costuma consumir muita glicose-- passa
a absorvê-la exageradamente, é sinal de doença.
"Hoje em dia esse exame é considerado básico para detectar e
tratar câncer", diz o médico José Soares Júnior, chefe do
serviço de medicina nuclear do InCor (Instituto do Coração),
do Hospital das Clínicas, e presidente da Sociedade
Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular.
A tomografia por emissão de pósitrons é usada principalmente
para detectar e avaliar a evolução do câncer --ela consegue
detectar tumores a partir de 4 milímetros, tamanho em que
outros exames não identificam.
Mas também é capaz de detectar outras doenças, sempre com
base no consumo de glicose. O cérebro é um exemplo.
Saudável, ele consome muita glicose. Se o exame indica
pequena absorção, é sinal de doença --Alzheimer,
provavelmente, o que poderá ser confirmado por outros
testes.
O miocárdio, músculo situado no coração, também consome
muita glicose em situação normal. A tomografia por emissão
de pósitrons costuma ser feita, nesses casos, após um
infarto. Se indicar pouca absorção de glicose, é sinal de
que o miocárdio não está mais funcionando e qualquer
intervenção para reativá-lo será inútil. Mas, se houver
consumo de glicose, valerá submeter o paciente a uma
cirurgia para tentar fazer com que o músculo funcione.
Preço
O exame é caro --custa cerca de R$ 3.500-- e mesmo os
convênios de saúde muitas vezes não cobrem seu custo. Devido
ao preço e a uma questão burocrática, mesmo com tantos
benefícios, até há pouco tempo o exame não era realizado no
Brasil.
Quem precisava dele viajava para os Estados Unidos ou a
Europa --desde que tivesse dinheiro para isso. A primeira
máquina capaz de realizá-lo chegou ao InCor em 2003, mas até
hoje o SUS (Sistema Único de Saúde) não paga pelo exame na
rede pública.
A questão burocrática se refere à produção da glicose usada
no exame. Como é um material radioativo, até 2006 sua
manipulação era exclusividade estatal. Naquele ano foi
permitido que empresas particulares também o produzissem,
mas até hoje só há uma fábrica, em São Paulo. Como a
substância tem vida útil de menos de duas horas, é
praticamente impossível transportá-la a tempo para outros
Estados.
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