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Xixi na cama ocorre com 15% das crianças
de 5 anos; castigo atrapalha
ADRIANA ALVES
do Agora
Se o seu filho tem mais de cinco anos
e ainda faz xixi na cama, castigá-lo está longe de ser a
solução. Agredir ou punir a criança pode agravar o ato, que
é uma doença, de acordo com especialistas.
A chamada enurese atinge principalmente os meninos e
atrapalha a auto-estima da criança ou do adolescente. O
problema afeta 15% das crianças na faixa dos cinco anos e
5%, na dos 10 anos. A incidência diminui na adolescência: de
1% a 2% dos adolescentes na faixa dos 15 anos têm a doença.
Segundo o urologista Samuel Saiovici, do Hospital Professor
Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, o normal é que a criança
tenha o controle urinário, diurno e noturno, até os três ou
quatro anos de idade. A partir de então, os pais devem ficar
alertas se o filho continuar fazendo xixi na cama
regularmente --pelo menos duas vezes por semana durante três
meses seguidos-- e procurar um médico ao suspeitar do
problema.
De acordo com Saiovici, na maioria das vezes (70%) a enurese
não está associada a outras doenças. Nesses casos, as causas
mais freqüentes são fatores hereditários, imaturidade
neurológica da função de urinar, sono pesado ou problemas
hormonais.
Há casos, porém, em que o fato de a criança fazer xixi na
cama à noite pode estar relacionado a sintomas diurnos, como
urina freqüente, jato fraco e infecção urinária, geralmente
causados por doenças urológicas, como alterações na bexiga
ou na uretra.
O urologista afirma que o primeiro passo para a cura é a
própria criança estar interessada em resolver o problema.
Outro fator essencial é a compreensão dos pais de que a
criança não tem culpa de não controlar a urina, destaca
Olberes Vitor Braga de Andrade, presidente do Departamento
Científico de Nefrologia da Sociedade de Pediatria de São
Paulo. "É importante ganhar a confiança da criança e do
adolescente e motivá-lo quanto ao resultado do tratamento,
sendo fundamental a participação da criança", diz.
A doença pode ser tratada com terapias comportamental e de
condicionamento, além de medicamentos. Há casos em que é
necessário utilizar mais de um tratamento.
Segundo Andrade, os medicamentos podem ser dispensados para
crianças menores de sete anos e sem alterações
psicoemocionais devido à possibilidade da cura espontânea
(sem tratamento).
Fundadora do Projeto Enurese, da USP, a psicóloga Edwiges
Ferreira de Mattos Silvares afirma que a doença pode causar
problemas emocionais significativos, especialmente aos
adolescentes, como baixa auto-estima, ansiedade, tristeza e
isolamento social.
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