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Estresse e sedentarismo contribuem para lesão
por esforço repetitivo
FÁBIO GRELLET
do Agora
Profissionais que passam o dia repetindo movimentos estão
expostos a considerável risco de sofrer LER (lesão por
esforço repetitivo).
A repetição, porém, não é a única causa. O surgimento das
lesões depende também da postura que a pessoa mantém no
trabalho, dos intervalos periódicos que ela faz, da rotina
de atividades físicas que ela pratica e até da disposição
com que ela encara o desempenho da função.
"Quando a pessoa não gosta do trabalho que faz, pode ser que
o corpo manifeste esse descontentamento, que a princípio é
uma questão psíquica", conta o médico Ricardo Nahas,
ortopedista do Hospital Estadual Ipiranga. Quem gosta da
função que desempenha tem prazer em trabalhar e está menos
sujeito a esse tipo de problema.
Mas, embora o estresse profissional possa acelerar as
lesões, a repetição sem intervalos e a postura inadequada
são os principais problemas.
"Quem passa o dia repetindo o mesmo exercício precisa fazer
intervalos", recomenda Luis Fernando Machado, ortopedista do
Hospital Edmundo Vasconcelos. "O ideal é que, a cada 50
minutos de trabalho, a pessoa descanse por outros dez." Já
quem tem o hábito de fazer atividades físicas regularmente
corre menos risco de sofrer lesões.
O tratamento da LER inclui fisioterapia e medicamentos, mas
o essencial é combater as causas do problema, alertam os
médicos.
Saiba mais sobre a doença
O que é
LER é a sigla para lesões por esforços repetitivos, também
conhecida como LTC (lesão por trauma cumulativo) ou Dort
(distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho). Trata-se
de um problema de saúde que atinge principalmente os membros
superiores e é causado pela prática de tarefas com
movimentos repetitivos ou posturas inadequadas. Ataca
músculos, nervos e tendões, provocando irritações e
inflamação
O que mais dói
Cabeça - 27%
Pescoço - 20%
Costas - 41%
Ombros - 22%
Braços - 19%
Punhos 15%
Dedos - 13%
Pernas - 33%
Pés - 18%
Classificação
As LER podem ser divididas por fases, conforme os sintomas
específicos. Em 1984 surgiu uma classificação por estágios,
de acordo com a execução do trabalho:
Estágio 1: Dor e cansaço nos membros superiores durante o
turno de trabalho, com melhora nos fins de semana
Estágio 2: Dores constantes, sensação de cansaço persistente
e distúrbio do sono. Incapacidade para certas funções
simples
Estágio 3 : Dor, fadiga e fraqueza persistentes. Distúrbios
do sono e presença de sinais no exame físico
Principais causas
Geralmente a LER é causada por movimentos repetitivos e
contínuos. Esforço excessivo, má postura, estresse e más
condições de trabalho contribuem para aparecimento das LER.
Em casos extremos pode causar sérios danos aos tendões, dor
e perda de movimentos. Entre as principais causas estão:
- Ambiente de trabalho desconfortável
- Atividades que exigem força excessiva com as mãos
- Posturas incorretas
- Repetição de movimentos
- Atividades esportivas que exigem grande esforço dos
membros superiores
- Compressão mecânica das estruturas dos membros superiores
- Ritmo intenso de trabalho
- Jornada de trabalho prolongada ou dupla jornada
Sintomas
Em geral, dores nas partes afetadas, semelhante à dor de
reumatismo. Há formigamentos e dores que dão a sensação de
queimadura ou, às vezes, frio localizado
Medidas de prevenção
- Em casa, ao acordar, não abra mão de se espreguiçar.
Repita esse movimento de alongamento do corpo durante o dia.
Além disso, procure fazer exercícios
- Mantenha os punhos retos ao digitar
- Certifique-se de que seus dedos estejam abaixo do nível
dos punhos
- Não apóie a palma da mão no teclado
- Tenha um apoio para os pulsos
- Abaixe o seu teclado ou compre um mais ergonômico
- Não segure um objeto na mesma posição por muito tempo
- Descanse as mãos por alguns minutos a cada hora
- Levante objetos usando toda a mão ou com as duas mãos
Principais dúvidas
LER pode causar outras doenças?
Sim. As LER incluem diversas doenças, entre elas
tenossinovite, tendinite, epicondilite, síndrome do túnel do
carpo, bursite, dedo em gatilho, síndrome do desfiladeiro
torácico e síndrome do pronador redondo, além de outras
lesões osteoarticulares e até mesmo fraturas
Quem pode ter LER?
Principalmente, pessoas que executam movimentos repetidos
por muito tempo. Entre os profissionais mais atingidos estão
digitadores, publicitários, jornalistas, bancários e os que
têm o computador como instrumento de trabalho
É contagioso?
Não, já que não é causada por vírus, fungos nem bactérias
É causada só pelo trabalho?
Não, também podem ser causada por exercícios físicos que
exigem muito esforço e por postura incorreta
Se eu notar algum sintoma, o que devo fazer?
Procure um médico (ortopedista, reumatologista ou
neurologista) para uma avaliação, pois só ele pode
determinar se há LER e, em caso positivo, qual das doenças
relacionadas se desenvolveu. Também é recomendável
interromper a atividade que pode ter causado o problema
Se uma pessoa trabalha com computadores, pode fazer algo
para evitar a LER?
Sim. A melhor posição, nesse caso, é a que simula a postura
de descanso, ou seja, com as mãos apoiadas sobre as pernas e
o corpo levemente para trás
O que fazer para diminuir os sintomas?
- Reveze tarefas para interromper a repetição dos movimentos
- Faça pausas de dez minutos a cada 50 minutos trabalhados
- Evite ultrapassar seis horas de trabalho de digitação por
dia
- Procure manter as posturas corretas e evitar as erradas
- Levante e ande de vez em quando
Como se sentar na hora do trabalho
- Sente-se com o quadril no fundo da cadeira, o tronco
apoiado no encosto e pés apoiados no chão. Coloque o suporte
para documento na frente do corpo. Evite trabalhar com o
pescoço dobrado. Aproxime a cadeira da mesa e mantenha o
tronco e o pescoço retos
- Não trabalhe com o punho dobrado nem com braços elevados
- Não deixe os punhos em desvio lateral
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