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Mau humor pode ser transtorno psiquiátrico
Se você é daqueles que resmunga porque o dia amanheceu
chovendo, mas também reclama quando está quente demais,
cuidado: você pode sofrer de distimia - um transtorno
psiquiátrico que afeta até 5% da população mundial. Segundo
o psiquiatra Antônio Egídio Nardi, da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), a distimia pode ser explicada como
aquele mau humor crônico e sem motivo aparente.
"Não é qualquer um que pode ser considerado distímico. Há
quem fique mal-humorado porque o trânsito está parado ou
porque está sem dinheiro. Já o distímico reclama até de
ganhar na loteria. Ele vai ficar triste com a possibilidade
de ser seqüestrado a qualquer momento", observa Nardi.
Segundo especialistas, a baixa auto-estima, a sensação de
fadiga e um pessimismo crônico são apenas alguns dos
sintomas de quem sofre de distamia. "O distímico acredita
que nada vai bem, mas também não faz nada para mudar o que
julga estar errado. Por mais que se esforce, faz tudo por
obrigação e não sente prazer em nada", descreve a psiquiatra
Fátima Vasconcelos, da Santa Casa da Misericórdia.
Incidência é maior entre as mulheres
Um dos mistérios que intriga especialistas é o fato de que,
segundo estimativas, a incidência de distemia é maior entre
o público feminino. A proporção é de três mulheres
distímicas para cada homem com o mesmo transtorno. Na
opinião do psiquiatra Luiz Alberto Hetem, da Associação
Brasileira de Psiquiatria (ABP), a variação hormonal do
organismo feminino pode ajudar a explicar a desvantagem.
"Há outro aspecto cultural muito interessante: as mulheres
se sentem mais à vontade para se queixar de crises de choro
e depressão do que os homens. Eles tendem a se segurar mais.
É como se pensassem que homem que é homem não pode ficar
deprimido", analisa.
Na maioria das vezes, os distímicos procuram atendimento
médico mais por pressão da família do que por iniciativa
própria. "Raramente, um distímico se reconhece como tal",
pondera o psiquiatra, acrescentando que o tratamento
consiste em conciliar medicamentos antidepressivos com
sessões de psicoterapia. No Rio, o Instituto de Psiquiatria
da UFRJ, situado na Urca, oferece tratamento gratuito.
Problema causa até queixas físicas
Isolamento social, distúrbios familiares e queda no
rendimento profissional. Esses são alguns dos riscos que os
distímicos correm se não receberem atendimento
especializado. "Cerca de 80% dos distímicos sofrem de
depressão leve. Na maioria dos casos, eles procuram
orientação para a depressão e, durante o tratamento,
descobrem que são portadores de distimia", afirma Nardi.
Outro risco inerente à distimia, ressalva Nardi, é o de
desenvolver dependência a drogas, como álcool e calmantes.
Além disso, muitos portadores de mau humor crônico
desenvolvem hipocondria. "Nestes casos, são freqüentes as
queixas físicas, como mal-estar, enxaqueca e indisposição
gastrointestinal", descreve ele.
Para o psiquiatra, certos artifícios, como praticar
atividades físicas, recorrer a sessões de massagem ou ouvir
música relaxante podem surtir efeito contra crises de mau
humor, mas são ineficazes quando o quadro é de distimia: "Em
caso de dúvida, o melhor a fazer é procurar orientação
médica".
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