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Aumentam casos de depressão decorrente do trabalho, diz
governo
MARTA SALOMON
, em Brasília
Levantamento feito pela Previdência Social entre 2006 e 2008
aponta um aumento nos casos de depressão decorrentes das
condições de trabalho. O crescimento foi superior ao
registrado de doenças na coluna e articulações. No mesmo
período, caiu o número de acidentes de trabalho envolvendo
lesões e traumatismos em geral.
Os casos de depressão e demais transtornos mentais e de
comportamento aumentaram de 0,4% para 3% sua participação no
volume total de auxílios-doença pagos na categoria de
"acidentes de trabalho". Esse aumento só não superou o
registrado no grupo dos tumores.
A classificação de uma doença como acidente de trabalho cabe
ao médico perito e impõe ônus aos empregadores, como a
garantia de estabilidade por 12 meses, depois de o
trabalhador se recuperar. A Previdência paga aos afastados
por mais de 15 dias benefício mensal entre um salário mínimo
(R$ 415) e o teto de R$ 3.038,49.
Remigio Todeschini, diretor do departamento de saúde e
segurança ocupacional da Previdência, avalia que havia
subnotificação dos casos de depressão classificados como
acidentes de trabalho. Projeção feita em 2000 pela
Organização Mundial da Saúde indica que casos de transtornos
depressivos vão mais do que dobrar no período de 20 anos.
Regras
No início de 2007, um decreto do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva mudou a metodologia adotada pelo INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social) para classificar doenças do
trabalho e instituiu o NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico
Previdenciário), que cruza a classificação internacional de
doenças com a incidência delas.
Os peritos usam a listagem para apontar relações entre a
doença e a atividade. Desde a mudança, mais do que dobrou o
número de casos classificados como acidentes de trabalho.
Entre os fatores de risco de transtornos mentais, o decreto
lista a exposição a substâncias tóxicas e situações como
ameaça de perda de emprego e ritmo de trabalho penoso.
O decreto permite às empresas contestar o vínculo entre a
doença e o trabalho --por ora, não há recursos.
O decreto também lista 78 atividades que imporiam mais
risco. Segundo o professor da UnB e consultor do Ministério
da Previdência, Wanderley Codo, os mais suscetíveis são
bancários, professores e policiais.
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