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Mutação de gene reduz risco de doenças cardiovasculares, diz
estudo
da France Presse, em Washington
A mutação de um gene observada na comunidade amish leva a
uma queda substancial do nível de gordura no sangue, o que
diminui os riscos de doenças cardiovasculares, afirma um
estudo publicado nesta quinta-feira (11) pela revista "Science".

"Descobrimos que 5% da população amish apresenta uma mutação
de um gene que acelera a eliminação de triglicerídeos,
partículas de gordura presentes no sangue, que são fatores
de doenças cardiovasculares, como o infarto, afirma o
pesquisador Toni I. Pollin, professor na Escola de Medicina
de Maryland.
Mais de 800 pessoas da comunidade amish do condado de
Lancaster (Pensilvânia) participaram do estudo, financiado
pelo Instituto Nacional do Coração, Pulmões e Sangue.
Os amish são um movimento protestante pacifista que se
mantém, voluntariamente, afastado de qualquer progresso.
Hoje, a comunidade conta com algo em torno de 200 mil
membros nos EUA, distribuídos por cerca de 20 Estados.
Os indivíduos estudados tomaram milk-shakes ricos em gordura
antes de se submeterem a uma série de exames. O objetivo era
observar as reações de suas artérias frente a esse tipo de
alimentação.
Segundo os resultados, os indivíduos portadores da mutação
do gene APOC3 têm maiores níveis de lipoproteínas de alta
densidade (HDL), o "bom colesterol", e níveis mais baixos de
lipoproteínas de baixa densidade (LDL), o "colesterol ruim".
Também se observou uma diminuição da arteriosclerose
(endurecimento das artérias) e dos depósitos de cálcio nas
artérias, igualmente responsáveis por doenças
cardiovasculares.
Os cientistas dizem que a mutação do gene provavelmente foi
introduzida na comunidade amish em meados do século 18. No
restante da população, é muito rara, praticamente
inexistente. "A comunidade amish é ideal para a pesquisa
genética porque é geneticamente homogênea", diz Alan R.
Shuldiner, professor de medicina e um dos principais autores
do estudo.
Desde 1993, os cientistas de Maryland já fizeram mais de uma
dúzia de estudos com os amish, relacionados a doenças como
diabetes, obesidade, ou osteoporose.
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