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Dentistas recorrem a agulhas e hipnose
CLÁUDIA COLLUCCI
Dentistas passam a tratar pacientes com acupuntura,
homeopatia, fitoterapia, hipnose e terapias florais a partir
de 2009. A inclusão dos procedimentos nos consultórios foi
aprovada pelo CFO (Conselho Federal de Odontologia).
Profissionais terão de fazer cursos para exercerem as
práticas.

Há dois anos, o governo federal lançou uma portaria
recomendando alguns desses tratamentos no SUS. O uso da
acupuntura gerou uma série de protestos de entidades
médicas, que defendiam o procedimento como ato médico por
necessitar de diagnóstico e ser uma prática invasiva.
Ontem, o CFM (Conselho Federal de Medicina) informou que não
sabia da decisão do CFO. Por lei, os dentistas podem
prescrever medicamentos e terapias relacionadas ao
tratamento odontológico.
Alguns dentistas brasileiros já têm adotado essas práticas
alternativas durante os tratamentos, mas, até agora, não
havia nem aval do CFO nem exigência de habilitação.
"Já era tempo de a odontologia humanizar o tratamento de
forma segura e com menos custo e menos sofrimento para o
paciente", afirma o dentista Emil Adib Razuk, presidente do
Conselho Regional de Odontologia de São Paulo.
Segundo Razuk, a acupuntura, por exemplo, tem ação
analgésica e anestésica e pode, em casos específicos, até
substituir procedimentos consagrados. "Temos pacientes
alérgicos à anestesia que poderão ser muito beneficiados. Os
que sofrem de disfunção temporomandibular também têm alívio
da dor [com o uso da agulhas]."
O cirurgião dentista Marco Antonio Lopes Salinas, que já
adota a acupuntura na sua prática clínica, diz que, além de
aliviar a dor, a técnica reduz os níveis de ansiedade do
paciente. "É extremamente útil nos tratamentos periodontais
[raspagens dos dentes para a retirada do tártaro, por
exemplo]".
Ele relata que as agulhas também já foram capazes de reduzir
a pressão arterial de um paciente e aliviar a ânsia de
vômito de outro durante um procedimento de moldagem. "Foram
situações surpreendentes pela rapidez da resposta."
Salinas diz que costuma aplicar as agulhas em pontos
espalhados pelo corpo ou nas mãos e no pulso, dependendo de
cada situação. Uma minoria (cerca de 20%) de pacientes
rejeita a técnica, segundo o dentista.
Hipnose
Outra prática aprovada pela CFO é a hipnose, que alguns
dentistas já utilizam associada à inalação de óxido nitroso
e oxigênio (hipnoanalgesia). Na inalação, o paciente fica
levemente sedado e, por isso, mais suscetível à indução pela
palavra, segundo Razuk.
Hoje não se usa mais objetos como o pêndulo. O estado de
hipnose é induzido somente pela voz do profissional. Com o
polegar na testa do paciente, o dentista sugere que ele
mentalize locais bonitos, calmos e aconchegantes e, aos
poucos, ele vai entrando em transe hipnótico. "O
condicionamento hipnótico é fundamental para o paciente
aflito", diz Razuk.
Sobre os medicamentos homeopáticos e fitoterápicos, Razuk
aponta como principal vantagem um menor risco de efeitos
colaterais e de interações medicamentosas. No caso das
terapias florais, não há uma ação específica no tratamento,
mas a promessa de um "reequilíbrio energético".
Formação
A nova resolução do CFO diz ainda que os cursos que irão
habilitar os dentistas a exercer uma ou mais dessas práticas
devem ser ministrados por instituições credenciadas.
Os profissionais que já adotam as técnicas só poderão
continuar com as atividades se apresentarem certificados
atestando a habilidade.
Só serão aceitos documentos emitidos por instituições de
ensino superior ou por entidades credenciadas no MEC e no
CFO. Outra forma de comprovação será por meio da
apresentação de um memorial que comprove o exercício da
prática por, no mínimo, cinco anos --desde que esse período
tenha ocorrido na última década-- ou de uma prova na
presença de uma banca.
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