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Célula que recria doença em laboratório é avanço do ano
 

A transformação de células adultas (como as da pele, por exemplo) em células-tronco versáteis usando reprogramação genética é o destaque do ano na ciência, aponta o tradicional balanço feito pela revista americana "Science".

Em 2008, dois grupos aprimoraram o uso das chamadas células iPS, transformando-as numa ferramenta poderosa para estudar mecanismos biológicos de doenças como diabetes e Parkinson. E tudo isso foi feito sem o controverso uso de embriões humanos em pesquisas.

A revista cita a obtenção de tecido nervoso criado a partir da pele de uma mulher de 82 anos que tinha esclerose lateral amiotrófica (doença degenerativa que ataca neurônios motores) e a fabricação de dez linhagens celulares para o estudo de distrofia muscular, síndrome de Down e outras doenças.

"O potencial das iPS para revolucionar a pesquisa biomédica e, futuramente, a área clínica é impressionante. A técnica é relativamente simples e ninguém sabe como exatamente ocorre o processo da reprogramação. É um mistério!", afirma à Folha o neurocientista brasileiro Stevens Rehen, pesquisador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Essa ferramenta, diz o pesquisador, que trabalha com ela, abre a possibilidade de que doenças complexas possam ser estudadas em células num pires de laboratório.

"Entender os mecanismos relacionados ao início do mal de Parkinson em neurônios humanos era algo impensável até pouco tempo atrás", diz Rehen. A técnica também será importante no desenvolvimento de novos fármacos.

Da célula ao espaço

A reprogramação celular foi escolhida como o primeiro lugar entre os destaques do ano da "Science", mas os outros nove temas não foram listados em ordem de importância.

Entre os avanços relacionados estavam a produção de materiais para gerar energia renovável, a genética do câncer (linha de pesquisa onde o Brasil tem tido bons resultados) e o aumento da velocidade na tecnologia para seqüenciar DNA.

Máquinas como a da empresa 454, por exemplo, faria em dez dias a leitura que o Projeto Genoma do Câncer do Brasil levou dois anos para atingir.

Contudo, avanços na astronomia podem ser tão importantes quanto os do universo celular. Para o astrônomo Augusto Damineli, da USP (Universidade de São Paulo), o estudo de planetas fora do Sistema Solar prospera com seus novos métodos de detecção. Mais de 300 dos chamados exoplanetas foram achados até agora.

Tudo indica, segundo ele, que as novas formas de vida que poderão ser identificadas nas próximas décadas ao redor do Universo até ajudarão a corroborar a Teoria da Evolução, do naturalista Charles Darwin.

"Hoje, temos só um único tipo de vida [na Terra]. Por isso ainda é difícil comprovar totalmente a teoria do Darwin."




 

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