Planta ajuda a recuperar movimentos de
vítimas de AVC
O óleo essencial da Alpinia speciosa Schum, planta
regional do Nordeste conhecida como 'Bastão do
Imperador' e muito utilizada na fabricação de colônias
para o candomblé, tem ação relaxante que ajuda na
recuperação pacientes com o sistema nervoso lesionado
por doença vascular encefálica, lesões de medula,
paralisia cerebral, traumatismo crânio-encefálico,
esclerose múltipla, entre outras enfermidades que
atingem a via nervosa.

A descoberta, feita em Sergipe pela fisioterapeuta Edna
Aragão Farias Cândido durante a conclusão do doutorado
pela Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), já gerou
patentes nacional e internacional.
Edna Aragão, que desenvolveu pesquisas no Centro de
Fisioterapia da Universidade Tiradentes, em Aracaju
(SE), avaliou quase mil grupos musculares e acompanhou
75 pacientes. Todos recobraram os movimentos. O caso
mais significativo é o do lutador de jiu-jitsu sergipano
João Alberto Alves, 31 anos.
Em 2007, Alves sofreu um acidente vascular encefálico
após cirurgia para retirada da glândula tireoide. "Eu
era independente e, de uma hora para outra, me vi
precisando de ajuda para fazer tudo. Foi muito difícil",
afirma o lutador que sequer levantava da cama, mas hoje
usa o andador com facilidade e faz exercícios físicos.
Em uma situação patológica, por falta de controle do
sistema nervoso central, os impulsos nervosos vindos da
medula para o músculo ficam acentuados, causando
espasticidade (espasmos) e, ao mesmo tempo, paralisia
muscular. Em sua tese, a pesquisadora mostrou que o óleo
atua nos canais de cálcio, responsáveis pela contração
muscular. O excesso de cálcio promove a tensão do
músculo. Sua normalização permite que o músculo contraia
e relaxe normalmente, o que gera energia para novos
movimentos.
Patentes
A pesquisa desenvolvida em Sergipe despertou o interesse
da Hebron, fabricante de fitoterápicos com sede em
Recife (PE) e relações comerciais em países como Estados
Unidos, Cuba, África do Sul, Portugal e Áustria. A
empresa cultivou a planta, forneceu matéria-prima para o
tratamento dos pacientes sergipanos e financiou
equipamentos para a avaliação dos resultados.
Foram investidos cerca de R$ 30 mil que renderam
patentes nacional e internacional à empresa pernambucana
e ao Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), centro de
laboratórios instalado em Aracaju, onde Edna Aragão
realizou os estudos sobre a ação da Alpinia.
O próximo passo da Hebron e do ITP é conseguir
autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
para industrializar e comercializar o óleo essencial. A
expectativa é que isso aconteça em 2012.
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