Superbactérias chega ao Brasil um
problema sério de saúde pública
Há cerca de duas semanas, a Organização Mundial de Saúde
(OMS) declarou que a incidência de infecções por
superbactérias resistentes a drogas atingiu níveis sem
precedentes em todo o planeta. O sério problema já
ameaça criar um cenário de proliferação de infecções
incuráveis, e no Brasil as consequências desta realidade
já começam a ser sentidas.
Segundo o chefe da área de infectologia da Faculdade de
Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp), professor Francisco Hideo Aoki, a mobilidade
de pessoas por todo o mundo hoje põe em risco os países,
e uma vigilância preventiva seria necessária - além das
medidas de bloqueio, ações simples como lavar as mãos
podem ajudar muito no combate ao avanço desses
organismos.
"Possibilidade há (de epidemias globais), com o fenômeno
da globalização e com as pessoas cruzando o mundo em 24
horas no máximo", diz Aoki. "Por enquanto, não há
antibióticos para tratamento destas infecções. E como
por enquanto estes processos infecciosos estão
restritos, é preciso ter uma vigilância muito grande de
ordem epidemiológica para contenção do espalhamento
destas bactérias pelo planeta. E pode, sim, ser um
problema sério de saúde pública", afirma.
Em 2010, a superbactéria Klebsiella pneumoniae
carbapenemase (KPC) causou medo no Brasil após infecções
em hospitais espalhados pelo país. A Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou o controle sobre
receitas médicas de antibióticos, na tentativa de conter
o avanço da KPC.
Segundo Aoki, essa superbactéria parece estar atualmente
sob controle. "A situação está aparentemente melhor, com
as vigilâncias das Comissões de Controle de Infecção
Hospitalar locais", diz o médico.
Porém casos de infecções por superbactérias continuam
nos noticiários. Na última semana, o Ministério Público
(MP) de Alagoas instaurou inquérito civil para apurar
mortes no Hospital Universitário (HU) supostamente
ligadas a infecções provocadas pela
superbactériaAcinetobacter baumannii.
Outra superbactéria que causa de preocupação mundial é a
NDM-1. Ela chegou ao Reino Unido vinda de Nova Délhi
(Índia) em 2010.
"A NDM-1, cujo nome é Nova Délhi Metalo-lactamase-1, é
um grupo de bactérias que desenvolveram resistência a
antibióticos avançados, que tem na sua conformação
molecular o anel betalactâmico, e esta enzima a NDM-1
age contra este anel, resumidamente produzindo
resistência a este antimicrobiano", falou Aoki.
O professor afirma que infecções causadas por esta
bactéria podem atingir qualquer parte do corpo do ser
humano e são de difícil tratamento com os
antimicrobianos existentes. "Dada a intensa resistência
que têm aos antibióticos, as possibilidades de
tratamento ficam muito reduzidas se não forem
controladas ou se não se houver uma combinação de
antimicrobianos", explica.
Segundo a OMS, a cada ano mais de 25 mil pessoas morrem
na União Europeia em decorrência de infecções de
bactérias que driblam até mesmo antibióticos
recém-lançados. Para a organização, a situação chegou a
um ponto crítico em que é necessário um esforço conjunto
urgente para produzir novos medicamentos.
Para o Brasil ter que enfrentar mais esta ameaça fica
ainda mais difícil, pois a saúde no pais já esta na
(UTI).
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