Um tratamento sem remédios contra pressão
alta é testado em SP
Pacientes com hipertensão resistente - aqueles que não
respondem à utilização de três ou mais medicamentos ao
mesmo tempo - têm, agora, uma nova esperança. O
Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (Incor) começa a testar esse
mês um novo tratamento, sem o uso de remédios, para
controlar a pressão arterial.
O cardiologista Luiz Bartolotto, diretor da Unidade de
Hipertensão do InCor, conta que a atividade de alguns
nervos faz com que os vasos dos rins se contraiam, de
forma a reterem mais água e sal. Isso leva ao aumento da
pressão arterial. A intenção, justamente, é acabar com a
atividade deles. "Um catéter é inserido pela virilha e
vai até o rim. Um aparelho externo emite ondas, que
cortam a ligação desse nervo. Depois, é retirado e o
paciente passa a fazer um acompanhamento clínico,
apenas", explica o especialista. Ele diz que o
procedimento será feito em conjunto com o Departamento
de Eletrofisiologia, coordenado pelo também
cardiologista Maurício Scanavacca.
Bartolotto conta que não há efeitos colaterais graves. A
técnica já vem sendo usada em outros países, com
sucesso. Por isso, há um respaldo para o início da
pesquisa no Brasil. Depois do primeiro voluntário,
outras 20 pessoas farão parte da primeira fase. "Cerca
de 10% dos hipertensos se enquadram nesse tipo",
ressalta. Uma outra pesquisa dele quer observar o uso de
outras drogas para tratar a hipertensão resistente.
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