Médicos britânicos querem evitar
tratamentos inúteis contra câncer
Médicos especialistas britânicos pediram aos doentes
terminais de câncer evitar se submeter a tratamentos
"inúteis" e caros que oferecem "falsas esperanças",
informou nesta terça-feira a revista médica The Lancet
Oncology.
O professor Richard Sullivan, do King's
College de Londres, e um grupo de acadêmicos afirmaram
que alguns médicos criam "expectativas irreais" nos
doentes ao submetê-los a diversos tratamentos, ao invés
de deixar que a família poupe o dinheiro para dar
conforto ao paciente terminal.
O aumento do custo dos tratamentos se deve ao fato da
maioria dos doentes ser idoso e serem oferecidos
tratamentos modernos e complexos, acrescenta o artigo
publicado nesta terça-feira. "É preciso dar atenção
especial aos custos do cuidado ao paciente com câncer no
final da vida", acrescentam. Os acadêmicos lembram que
algumas formas de câncer são atualmente incuráveis.
Os estudos sugerem que grande parte dos custos totais do
atendimento aos pacientes terminais corresponde às
últimas semanas de vida, algo que resulta inútil,
ressaltam os especialistas. "Tratamentos como a
quimioterapia nas últimas semanas de vida não só têm
consequências financeiras para a família do doente e a
sociedade, mas podem comprometer também a qualidade de
vida do paciente", afirmam.
Em seu estudo, os acadêmicos avaliaram uma série de
tratamentos e observaram que muitas vezes mesmo os
melhores podem ser inúteis. "Os médicos e a indústria da
saúde criaram expectativas irreais para impedir o
agravamento da doença e a morte", insistem.
"Estas expectativas permitem a aplicação inadequada de
tratamentos de eficácia relativa, inclusive a cirurgia",
afirmam os especialistas, destacando que nos países
desenvolvidos o tratamento contra o câncer é uma
"cultura do excesso". "Estamos em uma sociedade centrada
quase exclusivamente no lucro e esse lucro costuma ser
pequeno".
Portanto, o artigo evidencia que os médicos devem
considerar a maneira mais efetiva e menos dispendiosa
das opções disponíveis para estes pacientes, por isso
sugerem o fornecimento de determinados remédios
unicamente aos que possam tirar algum proveito.
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