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Pesquisadores
encontram molécula-chave para tratar de dores
crônicas
Um estudo da Universidade Rovira i Virgili de
Tarragona (URV) e publicado pela revista "Nature
Chemical Biology" encontrou uma molécula-chave para
detectar e tratar a dor crônica, informou nesta
terça-feira o Centro Acadêmico do Nordeste da
Espanha. Por meio de pesquisas metabólicas, os
cientistas descobriram que a dimetil-esfingosina (DMS)
- um metabólito das membranas celulares do sistema
nervoso - se acumula na medula espinhal em ratos que
sofrem dor neuropática.
Além disso, chegaram à conclusão de que a DMS também
provoca dor quando injetada em ratos que não sofriam
dor previamente, o que abre portas para a inibição
desta molécula e para um futuro desenvolvimento de
medicamentos.
O pesquisador Òscar Yanes, que iniciou os trabalhos
no Instituto de Pesquisa Scripps, em San Diego, nos
Estados Unidos, e os terminou na URV de Tarragona,
explicou que era muito difícil encontrar animais que
tivessem dor crônica, até que enfim foram utilizados
ratos com este problema nos quatro anos de pesquisa.
"Demonstramos que há uma via metabólica sobre a qual
é possível fazer intervenções, já que mostramos
reações que no futuro podem ser úteis para encontrar
inibidores", afirmou Yanes. Segundo o cientista, o
bloqueio das enzimas que geram a DMS "poderia
diminuir a dor".
Por enquanto, não há comprovações de que o modelo
seja capaz de controlar todos os tipos de dor
crônica, mas até agora não se sabia praticamente
nada em nível molecular sobre o assunto. "Este é um
primeiro passo", acrescentou. De acordo com o doutor
Yanes, o trabalho pode abrir portas para investigar
a dor associada ao diabetes, por exemplo.
"Temos que ver primeiro se os resultados se aplicam
em humanos", já que ainda é preciso descobrir se a
DMS se acumula em humanos que sofrem de dor crônica,
"ou encontrar um rato diabético para fazer uma
pesquisa parecida com a realizada até agora". Sua
ideia é buscar alguns destes compostos no sangue de
pacientes com dor crônica.
"Temos capacidade de encontrar indicadores, tentar
quantificar a dor e dar ferramentas aos médicos para
que os pacientes não tenham que graduar a dor com um
teste", explicou. Outro objetivo do estudo é
descobrir de onde provém a dor: "Agora que
conhecemos a via metabólica e os compostos que se
acumulam, a curto prazo devemos estudar o sangue e o
líquido cefalorraquídeo, que é uma estratégia mais
simples que desenvolver remédios",
embora
também seja uma meta a longo prazo.
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