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Bahia: alunos
concluem ensino m�dio, mas n�o recebem diploma
Desde 2001, 580 estudantes que conclu�ram o ensino
m�dio no Centro Educacional �ngelo Pinheiro de
Azevedo, escola municipal da pequena Feira das
Matas, na Bahia, passam por um drama. Eles n�o
receberam do col�gio o certificado que comprova o
grau de escolaridade atingido, e assim perdem
oportunidades em concursos, universidades e at�
bolsas de estudos fora do Pa�s. Dez anos depois,
ainda n�o h� um prazo para que a situa��o seja
resolvida.
O problema come�ou quando, entre 2001 e 2006, a
escola funcionou sem autoriza��o da secretaria
estadual de Educa��o (SEC) para ministrar aulas de
ensino m�dio e educa��o de jovens e adultos (EJA). A
institui��o tamb�m estava com a permiss�o vencida
para dar aulas do ensino fundamental e de forma��o
docente em n�vel m�dio (magist�rio).
Quando concluiu o ensino m�dio na escola, em 2006,
Ilma Ramos, ent�o com 17 anos, sonhava cursar
Medicina em Cuba. No ano seguinte, ela conseguiu uma
bolsa de estudos, mas n�o pode embarcar porque n�o
recebeu o certificado de conclus�o. "Frustrada,
humilhada e triste, tendo consci�ncia de que havia
perdido a oportunidade �nica de realizar o sonho de
uma vida inteira, me mudei para Bras�lia, na
tentativa come�ar uma vida nova. Mas n�o adiantou.
N�o consegui entrar em nenhuma universidade porque
n�o tinha o certificado, e fiquei ganhando a vida
com um sal�rio m�nimo de secretaria administrativa
at� o ano passado, quando voltei para a minha cidade
com saudades da fam�lia", conta.
Se tivesse embarcado para Havana, Ilma estaria
concluindo o curso de Medicina, diploma que poderia
render a ela, uma jovem de origem humilde, melhores
condi��es de vida. Hoje, aos 22 anos, sem diploma de
n�vel superior e sem perspectiva de sequer entrar na
universidade, a jovem est� com os estudos parados,
impedida de prestar vestibular e concursos p�blicos
ou de se matricular em cursos t�cnicos.
Diretor da escola entre 2005 e 2008, Evandro Idalino
dos Santos alega que, n�o fosse um erro burocr�tico
do Conselho Estadual de Educa��o (CEE), �rg�o
vinculado � SEC, os certificados seriam emitidos
desde 2006. "Em agosto de 2006, demos entrada em um
processo no CEE, pedindo a regulariza��o dos atos da
escola e, por conseguinte, da vida escolar dos
alunos. No entanto, o CEE, equivocadamente, nos
devolveu o processo alegando que o Conselho
Municipal de Educa��o teria compet�ncia para
aprov�-lo, o que n�o procedeu", afirma.
O Conselho Municipal (CME), contudo, ficou inativo
at� 2009 por conta do vencimento do per�odo de
atua��o. Mas a elei��o dos novos membros tamb�m n�o
acabou com o problema. "Essa nova diretoria do CME
acionou a Diretoria Regional de Educa��o que, por
sua vez, acionou o pr�prio CEE a respeito da
situa��o de emiss�o de diplomas. Ent�o fomos
informados de que realmente o Conselho Municipal n�o
tinha autonomia para gerir tal processo", explica
Santos.
Em nota, o Conselho Estadual confirma que foi
protocolado, em agosto de 2006, processo referente
ao pedido de renova��o de autoriza��o de
funcionamento de cursos, mas insiste que o Conselho
Municipal teria autonomia para avaliar esse tipo de
processo. O CEE, no entanto, frisa que "somente em
janeiro de 2011 foi protocolado o processo referente
� regulariza��o da vida escolar dos alunos da
institui��o", e credita a culpa pelo imbr�glio ao
munic�pio. "Verifica-se que a responsabilidade
durante os �ltimos anos foi do munic�pio, e que
somente agora este conselho tomou conhecimento da
situa��o", diz a nota assinada pela presidente,
Aylana Barbalho.
A atual diretora da escola, Ana El�sia Alves,
reconhece a gravidade da situa��o, que classifica
como "uma irresponsabilidade das gest�es
anteriores", e confirma que aguarda um parecer do
CEE para, enfim, emitir os certificados.
Sonhos interrompidos
Enquanto a situa��o n�o se resolve, a ex-aluna da
escola Joelma Rodrigues das Neves, 27 anos, que
sonhava ser pedagoga, vai "se virando" como pode
para sustentar a filha de apenas seis meses:
trabalha como secret�ria e faz algumas faxinas. O
rendimento � pouco mais de um sal�rio m�nimo por
m�s. "Por sorte", conta com a ajuda do marido, que
faz bicos como servente. Mas ela parece j� ter se
acostumado com a situa��o, porque espera pelo
certificado desde 2003. "No come�o eu at� corri
atr�s, mas n�o deu em nada, ent�o desisti".
A jovem que sonhava cursar Medicina tamb�m desistiu
de lutar pelo sonho da adolesc�ncia. Mesmo que
receba o certificado, a fam�lia de Ilma n�o pode
pagar o alto valor das mensalidades de uma faculdade
na Bahia, que chegam a custar cerca de R$ 3 mil.
"Medicina foi um sonho que ficou para tr�s", diz.
No entanto, o desejo de cursar uma faculdade ela n�o
perdeu. "Decidi que vou ser advogada, para defender
os direitos de gente que, assim como eu, foi
machucada por uma injusti�a", completa.
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