|
|
|
|
Pioneiro da tecnologia inova com supercomputador
Steven Wallach está completando a alma de sua
nova máquina.
Há 30 anos, ele foi um dos projetistas de computadores retratado por Tracy
Kidder em A Alma de Uma Máquina Nova, uma reportagem premiada com o Pulitzer de
jornalismo.

Wallach, então aos 33 anos, era o arquiteto da
estrutura do chip e uma espécie de babá dos "microkids", o apelido que ele deu
ao grupo de jovens engenheiros que projetou o Data General MV 8000, um
minicomputador produzido a baixo custo que conseguiu manter a Data General na
batalha ferrenha que a empresa disputava contra a Digital Equipment Corp.
E Wallach continua na ativa, aos 63 anos. Planeja lançar sua nova empresa, a
Convey Computer, e descrever os detalhes técnicos de um novo supercomputador
destinado a aplicações científicas e de engenharia em uma conferência sobre
supercomputadores que acontece esta semana em Dallas.
Wallach acredita que ele tenha desenvolvido uma nova idéia quanto ao projeto de
computadores em uma era na qual se tornou moda dizer que não existem idéias
novas. Até agora, ele conseguiu persuadir alguns dos principais pensadores no
mundo dos computadores de alto desempenho de que talvez esteja certo. Tanto a
Intel quanto a Xilinx, outra fabricante de chips, estão entre os investidores
iniciais em seu novo projeto.
"Steve tem um longo retrospecto na construção de máquinas de sucesso", disse
Jack Dongarra, cientista da computação da Universidade do Tennessee e um dos
mantenedores da lista dos 500 mais rápidos computadores do mundo. "Ele
compreende quais são os gargalos".
Depois de deixar a Data General, Wallach ajudou a criar a Convex, em 1982, para
desenvolver um supercomputador de baixo custo.
Ele talvez seja uma das últimas pessoas ainda capazes de recordar uma geração
audaciosa de projetistas de computadores que no passado era personificada por
Seymour Cray, o engenheiro que criou os primeiros supercomputadores comerciais
do planeta, nos anos 60.
Seu mais recente esforço no projeto de computadores tem por objetivo resolver
uma das limitações essenciais no mundo da supercomputação. Os supercomputadores
são tipicamente criados para apresentar desempenho excelente na solução de uma
classe única de programas. Eles conseguem simular a explosão de uma arma nuclear
ou modelar as alterações climáticas no planeta com velocidade ofuscante, mas se
provam lerdos e ineficientes quando surgem outros problemas.
Os supercomputadores atuais são montados com milhares ou até dezenas de milhares
de processadores, e freqüentemente consomem energia suficiente para abastecer
uma pequena cidade. Além disso, programá-los pode ser uma tarefa assustadora.
Muitos dos novos supercomputadores tentam enfrentar o desafio de resolver
classes diferentes de problemas ao conectar diferentes espécies de processador,
ao modo Lego. E isso pode causar trauma aos programadores.
Os projetistas de computadores vêm tentando, há décadas, diferentes maneiras de
contornar a complexidade da programação de múltiplos chips, a fim de dividir os
problemas em porções que possam ser computadas simultaneamente, o que aceleraria
a solução.
Wallach desenvolveu sua nova idéia de projeto em 2006, depois de se apanhar
rejeitando as idéias de muitas empresas iniciantes que estavam tentando atrair
investimentos das empresas de capital para empreendimentos que ele assessorava.
"Eu dizia que a moçada não fazia idéia do que estava fazendo", conta. "Para mim
é difícil me ver como o ancião do setor, mas a situação era a mesma no começo
dos anos 80".
Um dos executivos que ele assessorava se irritou com as constantes críticas de
Wallach aos projetos propostos, e propôs: "Está bem, figurão, o que você faria,
então?"
Duas semanas depois ele surgiu com uma nova idéia. O projetista se deixou
fascinar há muito tempo por uma tecnologia para chips conhecida como Field
Programmable Gate Arrays. São chips usados para produzir protótipos de sistemas
de computação, porque podem ser reprogramados rapidamente e ao mesmo tempo
oferecem a velocidade elevada do hardware de computação.
Algumas empresas iniciantes de computação e algumas grandes empresas do setor
tentaram projetar sistemas usando esses chips como base, mas Wallach acreditava
que fosse capaz de fazer melhor.
A maneira certa de usar os chips, ele decidiu, seria acoplá-los de forma tão
estreita ao chip microprocessador que isso geraria a impressão de que
representam apenas um pequeno conjunto de instruções adicionais, destinadas a
permitir que um programador acelere um programa. Tudo precisaria ser exatamente
como o ambiente padronizado de programação, ao contrário de muitos
supercomputadores que requerem "heroísmo" dos programadores.
"Nos últimos 40 anos", ele diz, "aprendemos que o sistema mais fácil de
programar sempre vence".
O computador da Convey utilizará microprocessadores da Intel, e funcionará como
uma entidade capaz de mudar de forma, reconfigurado com diferentes
"personalidades" de hardware a fim de computar problemas de setores diferentes,
inicialmente de bioinformática, design assistido por computador, serviços
financeiros e prospecção de petróleo. Wallach admite que criar uma empresa
quando a economia está entrando em recessão e diante da forte concorrência da
Cray, IBM, Hewlett-Packard, Sun Microsystems e mais de uma dúzia de empresas
menores, é uma parada assustadora. Mas a Convey foi organizada em apenas dois
anos, e com orçamento mínimo. A companhia levantou investimentos apenas US$ 15,1
milhões.
"De muitas maneiras", afirmou Wallach, "as coisas são mais fáceis do que em
1982. É preciso muito menos dinheiro, e acho que não muita gente percebeu o
fato".
|
|
|
|