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Companhias de tecnologia faturam mais com a crise
A crise passa longe do horizonte das companhias
de tecnologia que vendem serviços de armazenamento de dados. Conhecidas
genericamente como data center, elas também oferecem serviços mais sofisticados,
que podem praticamente substituir todo o departamento de TI (tecnologia da
informação) das empresas.
Em tempos de escassez de financiamento, essas companhias estão atraindo mais
clientes, fechando novos contratos, investindo na construção de novos prédios e
na contratação de funcionários e prevendo crescimento que varia de 15% a 25%
neste ano.
A Locaweb é uma delas. Com menos dinheiro na praça, muitas empresas decidiram
terceirizar sua área de TI como forma de cortar custos. Em vez de retirarem
dinheiro do caixa e imobilizá-lo em máquinas e equipamentos, além de
funcionários, elas preferiram pagar um aluguel à Locaweb.
Na prática, ela arca com esses investimentos e cobra pela prestação dos serviços
de tecnologia que vão desde o simples armazenamento de dados até a manutenção de
um site de venda.
O coração da Locaweb e de suas concorrentes é o data center, um local com
milhares de servidores interconectados. Esses equipamentos são computadores
ultrapotentes, cuja memória é fracionada para alojar os clientes que passam a
acessá-los a partir de um link exclusivo de internet protegido por códigos de
segurança.
Segundo Fernando Zangrande, gerente de desenvolvimento da divisão de data center
da Locaweb, há dois anos, eles operavam com apenas 600 servidores. "Hoje já
temos 3.000 máquinas e estamos investindo na construção de outro data center
oito vezes maior," diz.
A maior parte dessa expansão é resultado do interesse de pequenas e médias
empresas que, em geral, não têm recursos para manter uma estrutura própria de
TI. Com a crise, grandes empresas também se tornaram clientes.
Na Telefônica, que atende grandes corporações, a demanda cresce tanto que haverá
expansão de 30% do data center nos próximos meses. Os números de servidores não
foram revelados porque a empresa considera a informação sigilosa.
"Nenhum contrato foi cancelado", diz Vladimir Barbieri, vice-presidente do
segmento Empresas da Telefônica. Até setembro deste ano, o faturamento da
Telefônica foi de cerca de R$ 1,2 bilhão. Barbieri acredita que fechará o ano
com um crescimento de, no mínimo, 15%. Esse índice é superior aos 10% do ano
anterior.
Motivos
A expansão desse setor também se explica pela dependência das empresas por
tecnologia. Afinal, hoje todos os sistemas estão interconectados e muitas
operações entre comerciantes e fornecedores ocorrem por meio da internet.
Na Pizza Hut da Grande São Paulo, por exemplo, as 17 lojas têm de ficar
conectadas praticamente em tempo integral. A contratação da Picture Soluções em
TI gerou economia, já que o grupo não precisou desembolsar com servidores,
softwares e mais funcionários.
Segundo Roque Abdo, diretor de negócios da Picture, situações como essas estão
trazendo mais clientes. Com a crise, a procura aumentou mais. "Estamos batendo
recordes mensais. Em novembro desse ano, o nosso desempenho foi 60% maior que o
do mesmo mês do ano passado," diz.
Abdo afirma que nenhum contrato foi cancelado e que as propostas encaminhadas há
três meses foram fechadas. "É difícil não ser otimista. Não sinto a crise até
porque eu sou parte da solução."
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