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Blu-ray, sucessor do DVD, não decola nas vendas de Natal
da France Presse, em Paris
Mesmo depois de se tornar a única referência mundial em termos de discos de alta
definição, o Blu-ray, sucessor do DVD, não conseguiu se transformar no principal
presente deste Natal. Analistas crêem que o equipamento foi prejudicado pela
crise, sua tecnologia restrita, e também pelo seu preço muito elevado.
Na segunda quinzena de fevereiro, a Toshiba jogou a toalha na disputa com a Sony
para impor o formato dos discos de alta definição. Ao abandonar o HD-DVD, deixou
o Blu-ray, da Sony, como o único formato em todo o mundo.
Nicky Loh/Reuters

Prateleira de discos Blu-ray na Coréia do Sul, cujas vendas representam 2% do
total
No entanto, quase um ano depois, a invasão do Blu-ray que alguns previam não se
confirmou. "Ainda é um mercado restrito", afirma Michael Mathieu, analista do
instituto de pesquisa de mercado GfK. "A conversão para este formato será mais
longa que aquela que vimos em 1995-1997, com a passagem do videocassete (VHS)
para o DVD", completa.
As vendas de leitores de mesa Blu-ray, se excluídos os consoles de videogames
PlayStation 3 são tímidas: a estimativa é de quatro milhões em 2008, segundo a
Strategy Analytics. O número fica muito longe dos leitores tradicionais,
contabilizados em 111 milhões atualmente.
A venda de discos no formato para o Blu-ray representa apenas 2% dos títulos
comercializados.
"O público não é o mesmo de quando apareceu o DVD. Na época nos dirigíamos para
as casas com televisão. Agora é preciso ter um monitor de alta definição para
ter acesso --o que reduz o público potencial a um terço", afirma Mathieu.
Além disso, um estudo científico recente mostrou que o salto tecnológico do DVD
para o Blu-ray é menos perceptível para o público que o da passagem do VHS ao
DVD.
Outro fator que prejudica o desenvolvimento desta tecnologia é a atual crise
econômica.
"Pensamos que o clima econômico vai frear a transição ao Blu-ray", destaca Helen
Davis, diretora do departamento de vídeo da britânica Screen Diges. "As pessoas
adiarão a compra, a não ser que o leitor de DVD apresente problemas. E mesmo
neste caso vão preferir gastar 50 euros em um leitor clássico", explica.
Os players Blu-ray, que também são capazes de ler os "antigos" DVDs, ainda são
muito caros: na Europa custam a média de 300 euros (420 dólares), mais que o
dobro do que custam nos Estados Unidos (200 dólares). No Brasil, o aparelho não
sai por menos de R$ 2 mil.
Segundo os analistas, o ano de 2009, o primeiro desde a supremacia do Blu-ray,
será determinante para o futuro desta tecnologia. "O mercado deve mais que
dobrar", prevê o secretário-geral da associação Blu-ray Partners France, Arnaud
Brunet. "Já constatamos uma aceleração, especialmente nos Estados Unidos, onde
títulos como "Homem de Ferro" e "Cavaleiro das Trevas" já registram recordes de
vendas."
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