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Distância preservou a vida marinha no arquipélago de Fernando de Noronha
SILVIO CIOFFI
Editor de Turismo
Arquipélago oceânico que está nos mapas há 500 anos, Fernando de Noronha
(www.fernandodenoronha.pe.gov.br) dista 561 km de Recife ou 345 km de Natal --e
o mar que separa suas 21 ilhas do continente foi revolto o bastante para manter
intacta a natureza insólita e algo inóspita.
A temperatura média é de 27º C, e os vôos, de cerca de uma hora, ligam o
continente ao aeroporto local, embora haja quem prefira ir de navio.
Silvio Cioffi/Folha Imagem

Vista das ilhas Dois Irmãos no final de tarde; Fernando de Noronha está no mapa
há 500 anos, mas manteve sua natureza intacta
Só a ilha principal, que dá nome a esse arquipélago de 26 km2, é habitável; já a
área de parque marinho, preservada no entorno, soma 112,7 km2.
O ambiente é rústico, e os preços, salgados: há cobrança de taxa de permanência,
e a administração, que impede a ocupação próxima às praias, tenta evitar o
aumento de residentes (2.000 pessoas), de construções, de veículos e de barcos.
Uma vez ali, os táxi-bugues cobram a partir de R$ 12 por corrida, as pousadas
são quase todas instaladas em casas pré-fabricadas, os restaurantes cobram caro
por peixadinhas triviais --mas as praias são espetaculares, os golfinhos
rotadores são presença constante e a fauna submarina atrai os mais experientes
mergulhadores.
Radicado no arquipélago há 14 anos, Patrick Muller, da Atlantis Divers, destaca
que as pressões são grandes, mas afirma que existe um equilíbrio --"e que o
turismo, vocação local, são o presente e o futuro de Fernando de Noronha."
E, falando em pressões, esse francês pioneiro em mergulhos técnicos faz, desde
1996, operações com misturas gasosas. Caso do trimix (hélio, nitrogênio e
oxigênio), para incursões mais profundas, e do nitrox (ar enriquecido em
oxigênio que aumenta o tempo de permanência em mergulhos de até 40 m).
Mas é imperioso lembrar que, em terra, o passado é parte do presente. Fernando
de Noronha foi, sucessivamente, capitania hereditária, disputada por franceses e
holandeses, colônia prisional, sede de base norte-americana na Segunda Guerra,
território federal e, desde 1982, voltou a ser administrada por Pernambuco.
No norte, a extremidade é chamada de Airfrance, pois ali a Aeropostale francesa
fazia escalas de seus hidroaviões nos primórdios da aviação postal. E há uma
localidade chamada Italcable, onde passava um cabo telefônico que ligava o país
à Itália. Na Vila dos Remédios, a principal da ilha, sinalização com imagens de
época mostra Noronha em 1938. Passados 70 anos, essas ilhas, visitadas em épocas
diversas por Charles Darwin e Jacques Cousteau, ainda têm muito a exibir.
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