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Passeio de trem pela Índia oferece tratamento de "marajá" aos viajantes

 

LUÍS FERRARI
, na Índia


"O cliente é nosso deus." Esse é o lema de uma das mais suntuosas excursões que podem ser feitas na Índia, o tour de oito dias a bordo do Deccan Odissey, trem inspirado nas composições dos marajás.

Luis Ferrari/Folha Imagem

Viagem apresenta principais atrativos da Índia e reproduz clima dos palácios indianos
Os monarcas indianos, que eram considerados divindades em seus reinos pelo subcontinente, não costumavam viajar em composições comuns.

Tal como o príncipe árabe que comprou um Airbus 380 para seu uso pessoal, os regentes da Índia tinham seus trens particulares no século 19.

Hoje, a rede Taj Hotels oferece uma amostra do que era viajar como um verdadeiro marajá. O trem para 70 passageiros tem 45 tripulantes, dispostos a fazer tudo o que o turista pedir.

O passeio completo dura oito dias. Mas as jornadas podem ser puxadas (há dias em que a programação prevê café da manhã antes das 7h). Então, se houver tempo, é mais indicado interromper o tour na metade, desfrutar de alguns dias nas praias de Goa e retomar a viagem na semana seguinte.

Além de conhecer alguns dos principais atrativos da Índia, como as cavernas de Ajanta (e seus afrescos budistas do século 3 a.C) e Ellora, o visitante tem a oportunidade de desfrutar de um palácio sobre trilhos.

Em cada vagão há quatro quartos, com banheiro privativo, como os de hotéis. O restaurante oferece sempre duas alternativas de menu, um indiano, outro internacional.

A preferência dos hóspedes, via de regra, é a segunda opção, que contempla até costeletas de cordeiro e foie gras. Assim, se você preferir as iguarias indianas, é indicado que ocupe o primeiro turno das refeições -como em navios, há revezamento nas mesas.

Sobre os trilhos, o hóspede tem à disposição um salão de beleza e até uma academia.

O trem é turístico, mas quem quiser manter contato com o escritório tem acesso à internet na sala dos computadores -mas como a conexão é feita por telefone celular, e a rede indiana tem alguns pontos sem cobertura, é melhor não deixar para fechar negócios de lá.

Mas os principais atrativos do trem são os salões onde funcionam o bar e a área de convivência dos hóspedes. A convivência entre os passageiros é encorajada. E os papos sobre as diferenças culturais entre os passageiros costumam ir madrugada adentro.

Para o turista brasileiro, que não tem o hábito de viajar de trem, é ainda mais interessante. Pois tudo (tudo mesmo) é uma novidade. E a profusão de funcionários sempre se preocupa com o conforto do hóspede. Exemplo: depois de o barman conhecer, pelo repórter, a receita de caipiroska, ele ofereceu o drinque, sem ter sido solicitado, na festa de Réveillon.

As cidades por que o Deccan Odissey passa também valem a pena. A primeira metade do roteiro percorre praias banhadas pelo mar Arábico. O destaque é Goa, onde estabeleceram-se os portugueses, primeiros europeus a fincarem suas bandeiras em solo indiano.

Depois, ao entrar pelo interior, o trem passa por locais de importância histórica. Os dois últimos dias são incríveis.

Em Ellora, há visita a templos esculpidos na montanha, entre os anos de 600 e 1000. Os trabalhadores subiam em um bloco de pedra e o esculpiam de cima para baixo e de dentro para fora, criando cavernas.

O destaque é o templo Kailsava, cuja construção demandou a remoção de 200 mil toneladas de rochas.

Antes de chegar ao local das cavernas, o tour passa pelo forte de Daulatabad. O local chama atenção pelas inúmeras formas de defesa. O caminho ao cume passa por um fosso (que tinha crocodilos e cobras) com ponte elevadiça, labirinto dentro de caverna e outras formas de prevenção a ataques. Era para ser uma fortaleza inexpugnável, mas foi tomada dos hindus pelos muçulmanos por conta de uma propina.

No último dia, além das cavernas de Ajanta e seus afrescos budistas, o trem passa por Nasik, cidade sagrada do hinduismo e um dos quatro locais onde é celebrado o Kumbh Mela, festival religioso que reúne milhões de peregrinos a cada três anos.


 

 

 

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