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Centro de Quito é o mais inalterado das cidades latino-americanas
MARIANA DESIMONE
Colaboração para a Folha de S.Paulo, em Quito
Quem não está acostumado com grandes altitudes como a de Quito, que fica 2.850 m
acima do nível do mar, sente falta de ar e tontura ao chegar à cidade. Mas não é
só isso que deixa o turista tonto nessa cidade.
O interior da igreja e colégio da Companhia de Jesus tem efeito similar, mas por
outros motivos. Aqui não é a falta de oxigênio, mas a profusão de adornos,
característico do estilo barroco da chamada escola de Quito, que usa elementos
dos estilos espanhol, italiano, mourisco, flamengo e indígena, que tira o fôlego
do visitante.
O prédio integra o centro histórico de Quito, que, há 30 anos, foi tombado como
Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A porção antiga da capital equatoriana foi
o primeiro conjunto do tipo, ao lado do centro histórico de Cracóvia (Polônia),
a receber o título, na primeira sessão de tombamentos do comitê responsável
--realizada em 7 de junho de 1978, que reconheceu como patrimônio outros cinco
locais. No mesmo ano, no segundo encontro da comissão, em 9 de outubro, o
arquipélago de Galápagos foi tombado.
Preservação
Segundo o site da Unesco, Quito mantém "o mais preservado e menos alterado
centro histórico de cidades latino-americanas". A organização indica que, além
da igreja da Companhia de Jesus, os monastérios de San Francisco e de Santo
Domingo são exemplos puros do barroco quitenho.
Mariana Deslimone/Folha Imagem

Praça do centro de Quito; cidade equatoriana reúne o mais inalterado conjunto
histórico, segundo dados da Unesco
A avaliação da comissão que julgou se o conjunto deveria ser tombado elogia: "As
ações do homem e da natureza criaram uma obra única" na cidade.
Quito foi fundada no século 16, sobre uma cidade inca. Em 1917, um terremoto
devastou a região, mas poupou grande parte das edificações históricas.
Há dez anos, um relatório de estado de conservação chamou a atenção para o risco
de o vulcão Pichincha, a oeste da cidade e de volta à atividade depois de 300
anos, entrar em erupção.
Cobrou, da cidade, um pacote de medidas preventivas e um plano de manejo para a
crise após uma possível erupção.
Um ano depois, novo relatório informa que o plano de prevenção foi feito e que
as autoridades locais devem manter a comissão da Unesco informada sobre as
atividades do vulcão. Por enquanto, vai tudo bem.
Pelas ruas
Estando nas ruas do centro antigo, compre o milho tostado que as vendedoras
ambulantes vendem por US$ 0,50 para entrar no clima. Ou, ainda, prove o "choclo",
sopa preparada com queijo, batata, ovos e abacate, que custa US$ 5 (R$ 7,5),
servido em lanchonetes modestas. Alimentado, encare a sucessão de prédios
históricos --são 40 igrejas, 16 monastérios, 17 praças, 12 praças de convento e
12 museus em 3,2 km2. Entre os 40 templos, o mais importante é a igreja e
colégio da Companhia de Jesus. A construção da igreja começou em 1605 e só
terminou 163 anos depois. Depois de dois terremotos e um incêndio, ela foi
reaberta, restaurada, em 2006.
A fachada foi talhada em pedra vulcânica andina e, no interior, os adornos foram
cobertos de ouro --somam-se, ao todo, sete toneladas do metal nobre. Outro
destaque é o monastério de San Francisco, onde está a igreja mais antiga de
Quito, cuja construção começou algumas semanas depois da fundação da cidade, em
1534. A igreja foi concluída somente 70 anos depois do início das obras.
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