|
|
Pequena ilha no rio Tibre é mundo à parte
ELIANE TRINDADE
da Revista da Folha
Em uma rápida caminhada, uma outra parada que a horda de turistas em grupo ainda
não descobriu: a ilha Tiberina, uma ótima pedida para quem quer tomar um
delicioso sorvete no final de tarde. Enquanto aprecia a cremosidade do autêntico
"gelato" italiano em sabores irresistíveis, como o de avelã (nocciola), o
visitante pode atravessar a ponte Fabricio (62 a.C.), a mais antiga sobre o rio,
que leva o nome do seu primeiro construtor e conduz a um lugar bem especial no
coração de Roma.
Encravada no Tibre, a pequena ilha lembra a forma de um navio. Nela, foi
erguida, em 293 a.C., um templo em homenagem a Esculápio, o deus grego da cura.
Na era medieval, a ilha servia de isolamento para doentes durante os períodos de
pestes que devastavam a cidade. No presente, ainda funciona na ilha um dos mais
renomados hospitais romanos.
Eliane Trindade/Folha Imagem

Famosa devido ao templo do Esculápio, a ilha Tiberina ainda não foi descoberta
pela horda de turistas que visitam a cidade de Roma
Em uma agradável tarde de primavera, casais deitavam preguiçosamente à beira do
rio Tibre, em um canal circundado por belas construções.
E como andar por Roma é esbarrar em lendas por todos os lados, a ponte também é
conhecida pela alcunha de "quatro cabeças". Uma "homenagem" aos quatro
arquitetos responsáveis pela sua restauração, todos decapitados a mando do papa
Sisto V (1585-1590).
O quarteto perdeu literalmente a cabeça por "uma conduta nada exemplar", como o
episódio foi passado, genericamente, para a história. De lenda em lenda, de
conto em conto e de beleza em beleza, Roma se revela por completo para
observadores atentos, que vão levar da cidade eterna bem mais do que um clique
de cartão-postal.
|
|