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Acervo cultural de Ilhéus rende visita de pelo menos dois dias
Ponto de partida para Canavieiras, Ilhéus merece ao menos
dois dias de visita. Não tanto pelas praias, mas pelo acervo
cultural de seu personagem ilustre: Jorge Amado (1912-2001),
um dos mais famosos escritores brasileiros.

Após a derrocada do cacau, conhecido como o fruto de ouro,
que trouxe riqueza à região e permitiu a ascensão dos
coronéis, a cidade, que remonta à época das capitanias
hereditárias, tem focado no turismo. Jorge Amado é o seu
principal atrativo --retribuição merecida ao romancista que
a imortalizou em sua bibliografia, traduzida em cerca de 50
idiomas.
Ilhéus tem acervo cultural que rende pelo menos dois dias de
visitação; circuito Cravo e Canela é o principal destaque do
lugar
Caminhar pelo calçadão, de nome rua Jorge Amado, no circuito
Cravo e Canela, e no seu entorno é fazer uma viagem no
tempo, muito antes da chegada da vassoura-de-bruxa, praga
que assolou as plantações cacaueiras no final da década de
80 e levou famílias à falência.
Ainda estão muito vivas na memória dos moradores as
histórias dos tempos de prosperidade, como a da rua que foi
calçada com paralelepípedos de cobalto polido a mando de um
coronel para a passagem de sua filha que se casava.
No centro, ergue-se um palacete atrás do outro, outrora
residências dos coronéis, hoje, usados para fins prosaicos,
como uma loja maçônica.
Um desses casarões foi construído nos anos 20 pela família
do romancista e atualmente abriga a Casa de Cultura Jorge
Amado. Perto dali, estão a Casa dos Artistas e o Teatro
Municipal. Mais adiante, a catedral de São Sebastião, o bar
Vesúvio e o Bataclan, antigo cabaré freqüentado por coronéis
-os dois últimos eternizados nas obras de Amado e
popularizados nas novelas de TV.
Fruto tão especial para a região, o cacau pode ser visto de
perto na Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura
Cacaueira), órgão do governo federal, a cerca de 20 km de
Ilhéus em direção a Itabuna, que é voltado para a pesquisa e
desenvolvimento da cultura cacaueira. Na visita agendada e
gratuita, aprende-se todos os passos da produção do cacau
até chegar no chocolate.
No local, há ainda um abrigo de proteção aos
bichos-preguiça. São cerca de duas dezenas de animais,
trazidos pela Polícia Ambiental para se recuperarem de
ferimentos ou desnutrição. Depois de curados, alguns são
devolvidos à mata. Criada por necessidade, a área virou
ponto turístico. Vale uma visita.
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