Terra dos Beatles, Liverpool é capital cultural européia
Não tem jeito. Mais de 600 mil turistas baixaram em
Liverpool em 2006 em busca da atmosfera que inspirou John,
Paul, Ringo e George a formarem o mais famoso grupo de rock
da história. Mas a cidade tem mais a oferecer do que a
memória do quarteto.
Lá, fica, por exemplo, a Tate Liverpool, filial da galeria
londrina. Aberta no final da década de 1980, a Tate local é
um forte exemplo de que uma visita à cidade é marcante não
apenas pela banda. A galeria, além de clássicos como Matisse,
Picasso e Salvador Dalí, costuma organizar mostras de
importantes nomes de arte contemporânea, como Damien Hirst e
Peter Blake.
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Maritime Museum e Liver Building (ao fundo, com o relógio na
torre), vistos de Albert Dock na famosa cidade britânica de
Liverpool. Foto divulgaçao |
A cidade vive um momento especial em sua história. Completou
800 anos em 2007 e é a capital cultural do continente. A
União Européia nomeia a cada ano duas cidades para a
honraria. Em 2008, são Liverpool e a norueguesa Stavanger.
Liverpool preparou-se com esmero: boa parte do que existe
foi reformado ou ampliado, como o pórtico de Chinatown ou o
Beatles Story, principal museu sobre o grupo. Por lá, os
famosos óculos redondos de John Lennon e a guitarra de Paul
McCartney ganham a companhia de novas salas temáticas.
Tanto o museu do grupo, que trouxe fama à cidade, quanto a
Tate ficam em Albert Dock. Ali começa a visita.
Os antigos armazéns, de 1846, hoje estão totalmente
recuperados e são tombados pela Unesco. As construções
abrigam cafés, lojas, restaurantes e o Merseyside Maritime
Museum --repleto de miniaturas, como a do Titanic, perfeito
para crianças.
De Albert Dock saem ainda os principais tours da cidade,
como o Yellow Duckmarine, feito a bordo de um veículo
anfíbio (o passeio começa na água e termina nas ruas) e o
Magical Mistery Tour, que passa por todos os principais
pontos relacionados aos Beatles: a casa onde nasceu cada um
deles, Strawberry Fields, Penny Lane e termina com uma
"pint" no Cavern Club.
Arte
É curioso, mesmo que Penny Lane seja apenas uma rua comum e,
Strawberry Fields, um jardinzinho fechado. Os guias são
bem-humorados e bastante informados e, durante o trajeto, a
música varia de acordo com a atração.
Saindo das docas, ainda na zona portuária, outras
preciosidades vão aparecendo. É o caso do imponente Royal
Liver Building, com 90 m e um jeitão de Gothan City. Seus
dois relógios são maiores do que os do próprio Big Ben.
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Datado do começo do século passado, o Liver convive
harmoniosamente com edifícios modernos do outro lado da rua.
A mistura é fruto da vigorosa reconstrução pós-bombardeios
da Segunda Guerra, que destruíram boa parte do centro.
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O que não foi posto abaixo está cuidadosamente preservado. É
o caso do conjunto arquitetônico de Victoria Street, um
excelente caminho para continuar o passeio, saindo das docas
rumo ao centro. Ao fim da rua, a Liverpool Cathedral se
impõe. Gótica, é a maior igreja da Inglaterra e a maior
catedral anglicana do mundo. Inaugurada em 1924, demorou a
ficar pronta por conta da Primeira Guerra.
No interior, um órgão com quase 10 mil tubos em operação, um
enorme altar recheado de detalhes bíblicos, sinos
gigantescos que podem ser vistos durante a subida à torre,
vitrais seculares e esculturas e imagens em madeira. A torre
principal, de 101 metros, é aberta ao público e oferece a
mais completa vista da cidade.
Banheiro tombado
Para entender o espírito da cidade, é preciso também entrar
em campo. A despeito de ser a terra do badalado Liverpool FC,
time inglês com mais títulos na história (18 campeonatos
nacionais e cinco Ligas dos Campeões da Uefa), por lá a
torcida é dividida entre "reds" (Liverpool FC) e "blues"
(Everton FC). É uma paixão que em muito lembra a brasileira
e faz parte da atmosfera da cidade tanto quanto os Beatles,
a garoa insistente ou as gaivotas, que sobrevoam as ruas
mesmo de madrugada.
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Show no lendário Cavern Club, local em que os Beatles
tocaram mais de 200 vezes no início da carreira da banda
britânica.
Foto:
Divulgação
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O estádio Merseyside Derby --clássico entre os times-- é um
dos mais antigos do mundo, onde as equipes já se enfrentavam
no final do século 19. Com tanta história, vale uma tarde de
visita aos estádios. O moderno Anfield, do Liverpool, fica
em uma via estreita e tem um belo vestiário e gramado
abertos à visitação, museu recheado de troféus, fotos,
camisetas e demais objetos históricos e uma grande loja de
suvenires.
Mais modesto, o Goodison Park, casa do Everton, agrada a
quem busca fugir do óbvio. Não tem museu, mas também é
aberto ao público e conta com uma boa loja. Ambos ficam ao
norte da cidade e são facilmente alcançados de ônibus.
Depois de bater perna de dia, é hora de conhecer uma das
cenas noturnas mais variadas do Reino Unido. Como toda
cidade inglesa, Liverpool está cheia de pubs. Tente primeiro
o Philarmonic Pub, antigo clube de cavalheiros inaugurado em
1898, com diversos salões e decoração clássica, cheia de
detalhes em madeira, lustres e grandes sofás. Sua maior
atração é o banheiro masculino (isso mesmo), com mictórios
em mármore rosado, paredes revestidas de mosaicos de
pastilhas, espelhos antigos e a mesma atmosfera dos salões
do estabelecimento. Único banheiro listado como patrimônio a
ser preservado pelo governo inglês, é visitado inclusive
pelas mulheres. Em Liverpool, até a latrina é pop.
Para quem: além de ser um prato cheio para quem gosta de
rock e pop inglês, também é um bom destino para os fãs do
clima, cultura e arquitetura britânicos
Quando ir: entre maio e setembro, quando os dias são mais
longos e a chance de sol é maior
Dica: vá de trem de Londres a Liverpool; há diferentes
opções de horários, partindo da estação de Euston, chegando
em Lime St. Station, no centro de Liverpool. Revista da Folha
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