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Grupo francês quer descriminalizar nudismo em locais públicos
DANIELA FERNANDES
, em Paris
Uma associação na França quer descriminalizar a prática do
nudismo em espaços públicos como parques, florestas e
montanhas.
BBC Brasil

Grupo francês quer descriminalizar nudismo em locais
públicos
A intenção da Associação para a Promoção do Naturismo em
Liberdade (Apnel, na sigla em francês) é fazer com que a
nudez deixe de ser caracterizada como exibicionismo sexual,
pelo menos fora dos centros urbanos.
"Queremos que os naturistas não sejam mais obrigados a
freqüentar somente colônias de férias especializadas, onde
eles ficam limitados a um espaço geográfico preciso", disse
à BBC Brasil Sylvie Fasol, presidente da Apnel.
O exibicionismo sexual em qualquer lugar acessível aos
olhares do público é considerado crime pelo Código Penal
francês e a prática prevê pena de um ano de prisão e 15 mil
euros de multa (cerca de R$ 22 mil).
"A lei francesa é ambígua. Uma pessoa que caminha nu em um
espaço público não deve ser classificada obrigatoriamente de
exibicionista sexual. Queremos que a nudez se torne algo
banal", diz a presidente da Apnel.
Direitos
Os membros da associação esclarecem que não estão
reivindicando o direito de caminhar nus pelas ruas das
cidades, mas desejam fazer passeios e caminhadas por trilhas
em campos e montanhas, mesmo em áreas turísticas, sem correr
o risco de serem presos.
Fasol conta que a Apnel foi criada há cerca de um ano
justamente para prestar auxílio financeiro a uma pessoa que
havia sido presa por passear nu na natureza.
Atualmente a associação conta com 110 membros que pagam a
anuidade, além de vários simpatizantes do movimento que
participam dos eventos realizados pelo grupo.
Entre as atividades elaboradas pela Apnel estão vários
passeios na natureza organizados anualmente por diferentes
membros da associação, espalhados por toda a França. As
atividades ocorrem entre os meses de abril e outubro, quando
as temperaturas permitem a prática do nudismo.
Alguns membros da organização já foram abordados pela
polícia militar durante esses passeios. "Mas como estávamos
em família, havia inclusive crianças, ninguém foi preso",
conta Fasol.
Público
A presidente da associação afirma que de forma geral, a
reação do público ao encontrar com os nudistas durante essas
caminhadas --chamadas de "têxteis" pelos ativistas-- é de
surpresa e estupefação, mas ela afirma que nunca houve
nenhum tipo de incidente.
"Não nos escondemos deles na primeira moita que aparece, mas
nos apresentamos e explicamos os objetivos do nosso
movimento. De qualquer forma, temos sempre uma peça de roupa
ao alcance da mão em caso de necessidade", diz ela.
"Dialogamos com as pessoas que encontramos durante os
passeios e sentimos, de uma forma geral, que o público está
disposto a aceitar essa forma de liberdade", afirma a
presidente da Apnel.
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