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Entre cuscuz, tâmaras e tajines, dispense talheres em Marrocos
Na cozinha marroquina, os aromas são reis e os temperos dão
aos ingredientes sabores inesperados. A culinária no Maghreb,
famosa por sua variedade, é uma mistura das tradições
berbere, andaluza, turca e mediterrânea. São 2.000 anos de
segredos culinários.
O cuscuz é o prato nacional. Feito à base de sêmola, é
também o almoço da sexta-feira -dia sagrado dos muçulmanos.
Letícia Fonseca-Sourander/Folha
Imagem

Homem aguarda compradores em frente aos coloridos
recipientes de temperos marroquinos expostos em mercado de
Marrakech
Nas regiões rurais, o cuscuz é servido com carne de vaca, de
galinha ou de carneiro --como em qualquer país muçulmano, o
consumo de carne de porco é proibido. Na costa, vem com
peixe. A versão vegetariana leva legumes ou tâmaras. Os
berberes preferem perfumá-lo com leite de cabra ou ovelha.
Ao comer cuscuz, experimente fazer como os marroquinos,
deixe talheres de lado e use os dedos.
As refeições marroquinas começam com sopa. A mais popular é
a harira, de carne, lentilhas e grão-de-bico. É com ela que
os muçulmanos rompem o jejum do Ramadã.
Não menos famosas são as tajines --espécie de refogado feito
em terrinas de barro sobre o carvão. As tajines variam de
acordo com as estações, e podem ser salgadas ou doces. As
mais apreciadas são as de carneiro e galinha, com azeitonas
ou ameixas pretas e amêndoas.
Um dos pratos mais sofisticados do país é a pastilla, uma
torta de massa folheada recheada com carne de pombo e
amêndoas, salpicada com açúcar e canela, com sabor meio
salgado, meio doce.
Bem mais popular é o méchoui, espetinho de carneiro
temperado com pimenta-do-reino e cominho. Também são
bastante consumidas sardinhas grelhadas recheadas de
chermoula, uma mistura de alho, limão, azeite, cominho,
pimenta doce e coentro.
Temperos
Coentro, açafrão, cominho, pimenta, gengibre, noz-moscada,
canela, funcho, harissa, páprica e cúrcuma são alguns dos
temperos usados na mesa marroquina. Muitas dessas plantas
aromáticas têm virtudes medicinais, e o herborismo é uma
arte respeitada no país. Em qualquer souk encontram-se
pirâmides de temperos e de ervas.
A cozinha marroquina é assunto de mulheres, e as receitas
são transmitidas de mãe para filha. Graças à cana-de-açúcar
importada da Índia e ao mel, os amantes da boa mesa podem
degustar uma infinidade de iguarias. A base da pâtisserie
marroquina é feita de amêndoas, nozes, passas, figos e
tâmaras secas.
Uma refeição tradicional não é considerada completa se não
houver frutas e doces. As sobremesas mais conhecidas são: o
beghrir, um crepe de sêmola, farinha e leite que é servido
quente com mel e manteiga; a torta de sêmola com amêndoas;
os briouats, pastéis recheados de amêndoas, açúcar e flor de
laranjeira; e os chebakyas, espirais de massa frita com mel
e gergelim, canela e açafrão.
Já os cornes de gazelle são feitos com uma massa à base de
amêndoas e açúcar salpicado. E os populares beignets --a
versão marroquina do nosso biscoito frito-- podem ser
encontrados em qualquer esquina.
Nos países do Maghreb existem mais de 3.000 variedades de
tâmaras. Uma lenda árabe conta que uma tamareira nasceu da
mesma folha com que Deus criou Adão.
As tangerinas e as laranjas são as grandes vedetes. Uma das
melhores sobremesas é feita com rodelas de laranja
salpicadas com canela e flor de laranjeira. Marrocos também
produz as rosas mais perfumadas do mundo. A famosa água de
rosas é um dos ingredientes mais usados nos doces do país.
Arte
Bebidas
Além do chá de menta, o café é muito apreciado. Servido em
copos de vidro, o café puro chama-se qahwa kabla, e o com
leite, noss noss. Entre as bebidas frescas, destaque para
suco de laranja e leite de amêndoas. Leite de banana, suco
de maçã e de romã também são populares.
Você deve se lembrar de que está em um país islâmico, e que
a venda de bebidas alcoólicas é proibida no período do
Ramadã e após às 19h30. Os turistas podem consumir cerveja e
vinho, mas com moderação. As cervejas marroquinas mais
populares são a Flag Speciale, de Tânger e a Stork, de
Casablanca.
Quanto aos vinhos, Marrocos os produz desde os tempos
romanos. Na época do Protetorado, os franceses encorajaram a
produção local. O país tem três zonas vinícolas: ao
noroeste, perto de Oujda; na região de Fez e Meknes; e na
região de Rabat à Casablanca.
Chá
Bebemos chá para esquecer o barulho do mundo, diz um
provérbio de origem desconhecida. Reza a lenda que Marrocos
é um país que só levanta o véu a quem doa seu tempo ao
ritual de preparação do chá.
Bebida nacional, foi introduzido no país em 1854. Na guerra
da Criméia, os comerciantes britânicos foram obrigados a
procurar novos mercados, passando a vendê-lo em Tânger e
Essaouira (ex-Mogador).
Os marroquinos adicionaram folhas de menta fresca ao chá. No
inverno -quando a menta é rara-, ele é preparado com chiba
(absinto). Símbolo de hospitalidade, o chá nunca deve ser
recusado. Ele é preparado na frente dos convidados pelo
proprietário da casa, e, na sua ausência, por sua mulher ou
a pessoa mais idosa. Antes de ser servido, o chá deve ser
provado e julgado perfeito.
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