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Com 55 km, caminho de Salkantay leva trilheiro a Machu Picchu
FRANCISCO JORDÃO
da Revista da Folha
Muitos caminhos levam a Machu Picchu, mas a trilha do
Salkantay é uma rota de extremos. Temperaturas variando de
-5ºC a 26 ºC; altitudes suportáveis de 1.850 m atingindo
4.650 m acima do nível do mar; montes nevados e matas
fechadas; terra árida, pedregosa; e vales férteis com rios e
cachoeiras.
Com 55 km de caminhada na imponente cordilheira Vilcabamba,
a trilha do Salkantay dá ao viajante uma noção da riqueza do
ecossistema encontrado no Peru.
Francisco Jordão/Folha Imagem

Caminho de Salkantay, percurso de 55 km até Machu Picchu, é
opção para trilheiro que procura beleza, sofisticação e
sossego
Para aqueles que ainda têm o espírito aventureiro, gostam de
passar frio e usar o mato como banheiro, é possível acampar
com a infra-estrutura mínima. Agora, se você não tem mais a
vocação hippie dos anos 70 (ou nem sabe o que é isso) e a
única vez em que acampou foi com a turma do colégio, existe
a possibilidade de ficar em quatro lodges (refúgios) com
todo o conforto para o trilheiro.
Menos conhecida e bem menos abarrotada de turistas, a trilha
do Salkantay pode ser percorrida em sete dias, já contando
os sacolejos iniciais em uma van e um pequeno trecho final
de trem.
Imprescindíveis são dois dias de aclimatação em Cusco, a
capital do vasto Império Inca, a 3.400 m acima do nível do
mar. Os efeitos da altitude variam de pessoa para pessoa.
Nariz com pelotas de sangue, sobressaltos noturnos pela
falta de ar, cansaço descomunal ao dar uma simples volta no
quarteirão. Sintomas que podem ser amenizados, segundo os
guias locais, por aspirinas e baldes de chá de coca servidos
nos hotéis.

Folhas de coca
Depois de dois dias pelas ruelas e pedras de Cusco, o
primeiro percurso com pouco mais de 100 km é percorrido em
três horas de van, até o início da caminhada em Marcocasa.
Grupos de 12 pessoas são acompanhados por dois guias. Apenas
uma parada no mercado para comprar as energizantes folhas de
coca.
Ruínas da cidade inca de Machu Picchu, no Peru; trilha chega
a altitude de 4.650 m acima do nível do mar e temperatura de
-5ºC
Andar de van pelas curvas da região pode ser uma aventura
mais radical do que ir a pé. Os solavancos são impiedosos,
por isso, há um certo alívio quando se chega a Marcocasa. É
lá que são contratados os arrieiros responsáveis pelas mulas
que transportarão os pertences do grupo. O mais pesado vai
no lombo. Na mochila, só o imprescindível.
Percorre-se 12 km nessa primeira caminhada de Marcocasa até
Soraypampa, onde fica o Salkantay Lodge. O caminho começa no
início da tarde com sol e uma temperatura que lembra o verão
brasileiro. Mas depois de três horas de caminhada, o que era
sol vira uma chuva fora de época, o vento fica frio e
cortante. Casacos e capas de chuva são abertos. Às 17h,
parece noite.
A vantagem de ficar nos lodges pode ser percebida na hora da
chegada: o grupo, molhado, é recebido com chá de coca quente
pelos funcionários, os sapatos e as capas são levados para
secar, aquecedores fazem o sangue circular, e o lanche está
pronto.
O Salkantay Lodge é o único em que se hospeda por duas
noites -nos outros, é apenas uma. Celular não pega, não há
internet, e a luz é "cortada" para economizar gás por volta
das 23h30. Para ler, só com velas. Há algo melhor do que
isso?
Na manhã seguinte, também como forma de aclimatação, aqueles
que querem podem ir até uma lagoa chamada Humantay nas
redondezas.
Como chegar
São cerca de cinco horas de vôo de São Paulo a Lima. Da
capital peruana até Cusco mais uma hora, sobrevoando a
cordilheira. Em Cusco, de van ou de ônibus até Mollepata/Cruzpata,
o percurso é de pouco mais de 100 km. De lá, começa a trilha
Para quem
É, já foi ou nunca imaginou ser trilheiro e procura um
caminho magnífico com cenários que se modificam a todo
instante
Quando ir
De junho a setembro, as chuvas dão uma trégua. No começo da
trilha, faz frio. A temperatura pode chegar a -5ºC. Depois,
o sol esquenta. Na temporada de chuvas, é grande o risco de
ficar encharcado, mas o caminho está mais verde e florido
Dica
Vá no seu ritmo. Em grupo sempre há os apressados, mas não
force para evitar mal-estar, falta de ar e dores nas pernas
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