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Emoldurado por rio, centro histórico de João Pessoa (PB) surpreende
PEDRO CARRILHO
, em João Pessoa
A vista do conjunto de prédios do centro histórico de João
Pessoa emoldurado pela mata dos meandros do rio Sanhauá é
provavelmente uma das imagens mais marcantes e ao mesmo
tempo menos registradas de uma capital brasileira. Sorte de
quem chega ali sem saber que é assim.
Fundada em 1585 como Cidade de Nossa Senhora das Neves, João
Pessoa nasceu às margens do rio. No breve período de
ocupação holandesa, em meados do século 17, passou a ser
chamada de Frederikstadt.

Com a reconquista portuguesa, virou Cidade da Parahyba, nome
mantido até 1930, quando passou a se chamar João Pessoa, em
homenagem ao político paraibano assassinado em Recife
naquele ano.
Pedro Carrilho/Folha Imagem
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no centro histórico de
João Pessoa, que surpreende turista com "moldura" de rio
Ao longo do século 20, a capital paraibana perdeu
importância econômica e viu ascender Campina Grande, no
interior do Estado.
Desde então, o centro antigo da cidade entrou em decadência,
agravada pelo crescimento dos bairros da orla. A
deterioração só foi contida a partir do final da década de
80, por meio de ações de revitalização coordenadas pelo
governo do Estado, o Ministério da Cultura, o Iphan e o
governo espanhol.
Hoje o casario da cidade alta está restaurado, e a próxima
etapa é revitalizar o Porto do Capim, nome do bairro à
beira-rio onde a cidade nasceu.
O principal monumento barroco do centro é a igreja de São
Francisco, uma das mais belas do Nordeste, construída em
1589. Ela integra o Centro Cultural de São Francisco,
complexo que também conta com o convento de Santo Antônio e
um museu de arte sacra e popular no segundo piso.
O interior da igreja é grandioso e prima pelo fino
acabamento em madeira coberta de ouro. A bela fachada chama
a atenção pela cúpula em estilo oriental, influenciada pelas
navegações portuguesas na Índia. O pátio externo é cercado
por muros adornados por painéis de azulejos. Na entrada do
pátio fica uma cruz de pedra anterior à construção da
igreja.
As ordens religiosas legaram à cidade outras importantes
construções, espalhadas pelo centro histórico.
Entre elas, a igreja de Nossa Senhora do Carmo, que se
destaca pela fachada também em estilo barroco. Mais recente,
a imponente catedral metropolitana de Nossa Senhora das
Neves foi construída no século 19, no mesmo local da
primeira capela da cidade.
Também se destacam o mosteiro de São Bento, construído no
século 17 em estilo barroco beneditino, e a igreja São Frei
Pedro Gonçalves, em estilo neoclássico, situada no largo de
mesmo nome, a parte mais charmosa da cidade.
Aqui também fica o antigo hotel Globo, que, restaurado,
abriga o Centro de Informações Turísticas, uma mostra de
artesanato e outra sobre a história do hotel.
Do seu pátio e jardins se tem uma das melhores vistas da
cidade, principalmente ao entardecer, quando os últimos
raios de sol tingem de dourado as curvas do rio Sanhauá.
Também na cidade alta, a Casa da Pólvora, do início do
século 18, é uma das construções mais antigas da cidade.
Fica na ladeira de São Francisco, a primeira rua de João
Pessoa, e hoje abriga o Museu Fotográfico Walfredo
Rodriguez, com fotos antigas da cidade.
Logo em frente à igreja do Carmo fica o Casarão dos
Azulejos, considerado um dos mais belos exemplos da
arquitetura colonial paraibana. Construído no século 19, e
revestido de azulejos vindos da cidade do Porto, serviu de
residência, repartição pública e escola. Hoje, abriga a
Subsecretaria de Cultura do Estado e algumas exposições.
O Theatro Santa Roza, na praça Pedro Américo, é um dos mais
antigos do país, inaugurado em 1889, e tem belo interior
ornamentado.
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