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Fundação Proa abre prédio ampliado com Duchamp em Buenos Aires
ADRIANA KÜCHLER
, em Buenos Aires
O circuito de arte argentino deixou para mostrar todas as
suas fichas no fim do ano. Além do novo museu de Puerto
Madero, os turistas interessados em arte terão outra parada
obrigatória a partir do dia 22, quando reabre, no bairro da
Boca, a Fundação Proa.
O centro de arte contemporânea, um dos pólos dos artistas de
vanguarda locais, foi inaugurado em 1996 e ficou fechado por
mais de um ano para obras de ampliação comandadas pelo
estúdio de arquitetura italiano Caruso-Torricella.
Divulgação

Perspectiva artística da fachada da Fundação Proa, que
passou por ampliação e será reaberta neste mês; espaço fica
em La Boca
Para a reestréia, a fundação apresenta a mostra "Marcel
Duchamp, Uma Obra Que Não É Uma Obra de Arte", com curadoria
de Elena Filipovic, organizada em parceria com o Museu de
Arte Moderna de São Paulo, que exibiu a exposição.
Quem perdeu ou quer rever a mostra que também passou pelo
Brasil poderá conferir na Fundação Proa, até fevereiro de
2009, as obras mais emblemáticas do artista francês que
revolucionou a arte ao tirar um vaso sanitário do banheiro e
chamá-lo de fonte. E que, em 2000, foi eleito por 500
críticos britânicos como o artista mais influente do século
20.
A lei do arbitrário
Essa será a primeira grande mostra de Duchamp (1887-1968) em
Buenos Aires, mas a história do artista com a cidade é mais
antiga. Ele viveu nove meses na capital argentina, entre
1918 e 1919, tentando escapar do alistamento militar nos
Estados Unidos.
Na cidade, seu principal passatempo era jogar partidas de
xadrez e construir as peças de seu próprio tabuleiro.
Segundo escreveu o autor argentino Julio Cortázar
(1914-1984), "por misteriosa que pareça, essa viagem [de
Duchamp] respondeu à lei do arbitrário" e ligou o artista
para sempre com a cidade.
Além de exibir os célebres "ready-made" de Duchamp, nos dias
20 e 21, o centro cultural ainda promove um grande seminário
internacional sobre a obra e a influência exercida pelo
criador. E, nos dias 27 e 28, será apresentada a obra
musical de Duchamp, a cargo do flautista tcheco Petr Kotik.
O novo prédio da Fundação Proa mistura o tradicional e o
contemporâneo, já que ao edifício antigo foram incorporadas
duas casas vizinhas em construções transparentes, que ligam
o espaço ainda mais ao colorido bairro da Boca.
Com a ampliação, a Proa terá mais espaço para exposições e
um novo auditório para conferências e para a apresentação de
filmes e videoarte.
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