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Aos 114 anos, confeitaria Colombo continua inteirona no Rio de Janeiro
Tirar os pés da rua Gonçalves Dias, no centro do Rio, e
colocá-los dentro da confeitaria Colombo é a prova
indefectível de que é possível se transportar no tempo. O
cenário muda. O clima muda. O barulho muda. Turistas e
freqüentadores, encantados com os móveis antigos, a
arquitetura art nouveau da belle époque carioca, mudam.

O que acontece a partir dali é uma viagem na história.
Escolheu a mesa 38? Ora, ela era a preferida de Getúlio
Vargas. A 23? Fez como Juscelino. A 54? Era a mesa habitual
do escritor José Lins do Rego. E tem ainda as favoritas de
Marta Rocha, Sofia Loren e Leila Diniz, só para citar alguns
nomes ilustres que já freqüentaram uma das confeitarias mais
antigas da América Latina.
Confeitaria Colombo, inaugurada há 114 anos, tem salão com
arquitetura art nouveau
Para se orientar melhor no grande salão e na escolha do que
comer, peça ajuda aos garçons mais antigos, que têm tudo na
ponta da língua. Seu Orlando Almeida Duque, 71, é um deles.
Trabalha ali há 57 anos.
"Conheci e servi essa gente toda. Sei de cor as mesas e os
pratos preferidos de cada um", diz.
O prato de medalhão grelhado, arroz, batata frita, farofa de
alho, torrada e molho à moda da campanha, que permanece no
cardápio, a R$ 49,50. De fato, há bons pratos para almoço na
confeitaria. Aos sábados, das 12h às 16h30, vale
experimentar o bufê de feijoada (R$ 49,50 por pessoa, com
salada e uma sobremesa).
Mas charmoso mesmo é tomar um longo e demorado café da
manhã, servido há 114 anos no mesmo horário: das 9h às 11h.
O simples vem com chá, café ou chocolate, leite, manteiga,
geléia, mel, queijo, presunto, pão de leite, torradas e um
suco de laranja. Serve duas pessoas e custa R$ 17,70.
Chegou tarde demais para o café? Vá de chá. Para ele,
qualquer hora é hora. O "Colombo" (R$ 27,90) vem com chá,
mel, geléia, manteiga, pães, queijo, presunto, torrada,
fatia de bolo, suco de laranja, frutas frescas, um doce
pequeno, casadinhos, minisanduíches e salgadinhos.
Tente não se incomodar com os flashes dos celulares e das
máquinas digitais. E, enquanto estiver comendo, resista aos
próprios cliques. A cadeira acolchoada e o ambiente pra lá
de aconchegante, à meia-luz, convidam a uma pausa. Em
horários alternados, um pianista toca ao vivo. E o convite é
para que se faça uma refeição como ela deve ser: calma.
De recordação dessa verdadeira viagem no tempo, o bonito
cardápio é vendido a R$ 12. No segundo andar --além de uma
vista privilegiada do lugar--, há louças com a marca da
confeitaria, com preços que variam de R$ 10 (caso de uma
tacinha para licor) a R$ 120 (caso da sopeira). Já para
levar um pouco do sabor para casa, na frente do salão há uma
bancada cheia de delícias que levam a assinatura da Colombo.
O pote de 600 gramas de marmelada ou de figada custa R$ 17,
cada um. O de 800 gramas do doce de leite, R$ 12.
E saia de lá, de volta ao vaivém agitado do centro, com a
agradável constatação de que a confeitaria carioca não fica
devendo nada --nem em beleza nem em glamour-- aos cafés mais
badalados do mundo: do argentino Tortoni (www.cafetortoni.com.ar),
que neste ano completou 150 anos, ao italiano bicentenário
Greco.
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