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Livre de invasores, Vietnã acolhe visitantes

 

O que pensar de uma população que sofreu sucessivas invasões estrangeiras ao longo da história? Chineses, franceses, japoneses, norte-americanos e cambojanos fizeram incursões --não raro beligerantes-- por lá. Em algumas ocasiões, por poucos meses. Em outras, por séculos. Mas os invasores acabaram rechaçados e expulsos do território do atual Vietnã.

Agora, o país vive um momento de independência e está sem conflitos há quase 30 anos, uma exceção em sua trajetória geopolítica. Um dos poucos territórios que mantêm um regime comunista de partido único, o Vietnã tinha tudo para ser uma nação fechada e xenófoba.

Adalberto Leister Filho/Folha Imagem



Movimentação no centro de Hanói, onde há boas opções de hospedagem para conhecer a cidade sem atropelos

Surpreenda-se: não é assim. Estrangeiros, inclusive norte-americanos, pivôs da guerra cruenta dos anos 1960 e 1970, são bem-vindos. E, a rigor, o presidente eleito dos EUA, o democrata Barack Obama, é o primeiro desde então a não ter vinculação com a Guerra do Vietnã, pois até seu adversário eleitoral, o republicano John McCain, lutou nesse conflito.

A internet --acredite-- é livre em qualquer hotel de nível médio e até em cidades menores.

Longe da guerra

Apesar de ser um país pobre, os índices de criminalidade são baixos, mas é sempre bom ficar atento a pertences (idem a taxistas e guias oportunistas).

"O Vietnã é um país, não uma guerra", prega a propaganda do órgão governamental de turismo --aliás, essa atividade é uma importante fonte de divisas.


De fato, a nação tenta mostrar que deixou para trás o sangrento conflito que vitimou 3 milhões de vietnamitas, incluindo civis. No país, relíquias de tanques, aviões e helicópteros abatidos viraram, na prática, monumentos.

O malfadado napalm, que pulverizou o país durante o combate, deixou marcas ainda visíveis nas ruas. É comum cruzar com pessoas deformadas. Efeitos do agente laranja.

Hoje, o país mostra pujança industrial e é um apêndice econômico da China, outra ex-inimiga. Indústrias do vizinho mais rico têm se mudado para lá atrás de facilidade de comércio e da mão-de-obra barata.

As atrações vietnamitas não se restringem à memorabilia das guerras. Há construções milenares, ricos museus, atrações culturais, praias paradisíacas e comércio diversificado, incluindo um rico artesanato.

Para desbravar esse território longo e fino, com 1.600 km de costa, um dos roteiros populares é iniciar a viagem por Hanói, que completará mil anos em 2010, hoje cidade totalmente devotada à memória do líder Ho Chi Minh, e encerrá-la na alegre cidade que tem esse nome, Ho Chi Minh (ex-Saigon), cujas praças arborizadas têm arquitetura de traços franceses.

No caminho, aproveite para ver as formações rochosas em Halong Bay, as quatro ilhas mais famosas de Nha Trang, os sítios históricos e arqueológicos de Hue e as edificações centenárias de Hoi An.

 

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