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Canadá mudará caça à foca para reduzir crueldade
O Governo canadense anunciou hoje que
estabelecerá novas medidas para que a caça de
focas seja menos cruel e evitar que os países
europeus imponham o embargo à importação de
peles desses animais.
OBS: O VÍDEO
ABAIXO CONTÉM CENAS FORTES, DESACONSELHÁVEL A
MENORES DE 18 ANOS OU PESSOAS SENSÍVEIS.
As autoridades canadenses também informaram que
este ano será permitida a caça de 275 mil focas
harpa, das quais 4.950 serão destinadas aos
caçadores indígenas.
No ano passado, o país autorizou a caça de 270
mil focas.
Segundo o Ministério de Pesca canadense, "o
Governo adotou medidas para garantir que a caça
continue sendo realizada de uma forma humana,
adotando recomendações do Grupo Independente de
Trabalho de Veterinários".
As autoridades canadenses não especificaram os
detalhes das medidas, mas o jornal "The Globe
and Mail" informou hoje que as novas normas
obrigarão os caçadores a cortar as artérias dos
animais para assegurar que eles morram de forma
rápida e reduzir, assim, seu sofrimento.

Em dezembro do ano passado, o Painel de Saúde e
Bem-estar Animal da Autoridade Européia de
Segurança Alimentar (EFSA) divulgou os
resultados de um estudo que tinha como objetivo
avaliar se as focas poderiam ser mortas de forma
rápida e efetiva sem que sentissem dor, medo e
outros tipos de sofrimento evitáveis.
Os cientistas europeus concluíram que há formas
de evitar o sofrimento, mas na prática nem
sempre são aplicadas e esses animais morrem de
forma lenta e agonizante.
Organizações de defesa dos direitos animais
aproveitam todos os anos a abertura da temporada
de caça de focas no litoral atlântico canadense
para protestar contra a prática, que consideram
desumana e injustificada.

O estudo da EFSA será uma da peças básicas que
os países da União Européia (UE) utilizarão para
decidir, no final deste mês, se proibirão a
importação de peles de focas, o que poderia
destruir a caça comercial canadense.
As novas medidas adotadas pelo Canadá para caçar
focas se aproximam das recomendadas pelos
cientistas europeus.
Nos últimos anos, o Canadá lançou intensas
campanhas de relações públicas na Europa para
combater o que qualifica como "indústria de
protestos" e o insaciável apetite das
organizações ambientalistas para arrecadar
dinheiro.
Até agora, os caçadores canadenses eram
obrigados a comprovar que as focas estavam
mortas antes de despelá-las, tocando os olhos do
animal para observar algum tipo de reação. Mas
este método em muitas ocasiões não pode ser
usado pelas condições nas quais a caça é
realizada.
Apesar disso, o Governo canadense afirma que o
98% das focas são mortas sem crueldade.
No entanto, estudos da organização IFAW, que
protesta contra a caça de focas desde meados dos
anos 60, indicam que até 42% dos animais mortos
"provavelmente estavam conscientes quando foram
despelados".
O ministro de Pesca canadense, Loyola Hearn,
também afirmou em comunicado que o Canadá
começou a avaliar o tamanho da população de
focas harpa, antecipando a contagem em um ano.
As organizações ambientalistas advertiram no
passado que o nível de caça permitido pelo
Canadá (cerca de 1.270.000 exemplares nos
últimos quatro anos) pode ter conseqüências
catastróficas para a espécie perante os efeitos
do aquecimento global.
As focas harpa usam os gelos flutuantes do
Atlântico para dar à luz suas crias, mas nos
últimos anos as más condições do gelo no litoral
atlântico canadense se traduziram em uma elevada
mortalidade das mesmas, que constituem o grosso
da caça canadense de focas.
A única
maneira de acabar com esta crueldade é boicotar
o Canadá em qualquer produto derivado da foca,
diz ambientalista.
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