Exército protege um dos
animais mais ameaçados,
rinoceronte negro
Os soldados não contam senão
com a camuflagem e suas
armas para se proteger dos
predadores e,
principalmente, dos
caçadores ilegais, que
dizimam, mês após mês, os
rinocerontes sul-africanos.
Desde abril, os soldados do
exército regular
sul-africano estão
mobilizados ao longo da
fronteira com Moçambique, no
mítico parque nacional
Kruger, no nordeste do país.
Eles têm como missão
combater a caça ilegal, cada
vez mais profissional e
organizada, que alimenta o
mercado asiático com os
chifres dos animais,
transformados em pó. "Não
estamos mais no tempo do
caçador isolado que vinha
pela carne, com suas
armadilhas primitivas,
flechas ou fuzis", explica
Ken Maggs, especializado no
cerco dos ilegais no parque:
"agora, vêm preparados para
lutar. É por isso que
adotamos táticas militares,
ou paramilitares".
Eles atravessam a fronteira
à noite, com seus óculos de
visão noturna, fuzis de
assalto AK-47 (Kalachnikov)
e de caça. Os guardas
encontram, às vezes,
mensagens com ameaças,
escritas na areia.
As patrulhas do exército,
qui circulam num jeep do
parque, trabalham desde o
alvorecer, em alerta. Os
caçadores são piores que os
predadores porque, muitas
vezes, abrem fogo,
desabafam.
Desde o início do ano, 15
caçadores foram mortos, 9
feridos e 64 detidos em
confrontos com o exército.
Março foi o pior mês da
história do parque Kruger
para os rinocerontes, com 40
animais mortos, segundo os
militares. Desde a
mobilização do exército, no
final de abril, o número de
mortes caiu para l5 em maio
e, apenas dois, em junho.
É a primeira vez que a
tendência se inverte desde
2007. Nesse ano, 13
rinocerontes foram abatidos
na África do Sul, e seu
número aumentou em seguida,
para chegar a 333 no ano
passado. Mas a luta contra a
caça ilegal resolve, apenas,
uma parte do problema,
porque explode, na Ásia a
demanda da medicina
tradicional que usa os
chifres do animal para
várias finalidades.
"No Vietnã, por exemplo,
corre o rumor de que o
chifre de rinoceronte é
eficaz no tratamento do
câncer", explica Alona
Rivord, porta-voz da
associaçõ ecologista WWF. O
chifre é feito de queratina,
como as unhas humanas, e não
tem nenhuma propriedade
medicinal reconhecida pela
ciência.
A China está oficialmente
proibida de utilizá-lo na
medicina, mas ainda é um
grande importador, com a
interdição não sendo
respeitada, segundo
defensores dos animais.
Os rinocerontes negros já
estão criticamente ameaçados
de extinção, com apenas
4.838 indivíduos recenseados
em estado selvagem no mundo,
segundo a União
Internacional para a
Conservação da Natureza.
Seus primos, os rinocerontes
brancos, são apenas 17.480.
A permissão para caçá-los
legalmente em certos lugares
da África do Sul, custa
apenas 50 rands (cerca de R$
11), lamenta Rynette
Coetzee, chefe de um
programa de defesa das
espécies ameaçadas. Segundo
ela, os vigias dos parques
não têm veículos para
perseguir os ilegais e estão
sempre sujeitos à corrupção,
como demonstra a detenção de
um deles na segunda-feira,
como parte de uma gangue de
ilegais.
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