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PlayBook pode enfrentar o iPad 2
Jornalistas e interessados em tecnologia, a experiência
com o PlayBook não começou bem, mas melhorou - muito -
depois que a cortina de fumaça na qual o tablet da RIM
está envolto se dissipou. Deixando de lado o atraso do
lançamento do dispositivo.

Anunciado no final de 2010 e lançado só em abril de 2011
-, a falta de serviços de e-mail, agenda e calendário e
a loja de aplicativos Android divulgada, mas
indisponível, o PlayBook é um tablet e tanto, talvez o
único realmente capaz de fazer frente, ainda que
tardiamente, ao iPad da Apple. Lançado nos Estados
Unidos e no Canadá, o dispositivo começa a chegar na
América Latina em junho. O PlayBook com Wi-Fi foi
lançado em três modelos, com 16 GB de armazenamento e
preço sugerido de US$ 499, 32 GB por US$ 599 e 64 GB por
US$ 699. No futuro, a RIM pretende ter versões para
conexões 3G, 4G, LTE e HSPA+.
Na verdade, o teste do PlayBook teve início ainda no
BlackBerry World, evento realizado em Orlando, nos
Estados Unidos, de 3 a 5 de maio para parceiros e
desenvolvedores. Lá, recebemos o primeiro dispositivo,
que não funcionou. Sim, ele apresentava o mesmo problema
de atualização de software que motivou o recall
anunciado na última semana, menos de um mês após o
anúncio do aparelho. É a tal cortina de fumaça, neblina
ou ainda a nuvem cinza que parece rondar esse primeiro
tablet da RIM. Porém, com um PlayBook funcionando em
mãos, a experiência do teste foi outra, e a primeira - e
má - impressão se desfez.
A começar pelo design do tablet, é importante dizer que
muito se falou sobre seu tamanho durante o BlackBerry
World, uma vez que a RIM teve tempo para avaliar os
concorrentes e seus mais variados formatos. E o que mais
se ouviu de reposta é que suas sete polegadas - 13,0 cm
de altura x 19,3 de largura x 1,0 cm de espessura -
foram bem pensadas. Algumas das inspirações para a
criação do PlayBook e seu tamanho foram as agendas
levadas pelos executivos, livros e o Moleskine, marca
italiana de cadernos de anotações.
Por sua aparência, o PlayBook pode lembrar bastante um
e-reader, mas as diferenças são significativas, como a
tela de LCD capacitiva multitoque - cuja moldura também
é sensível ao toque, ao contrário do que acontece com a
área inútil em volta da tela do iPad 2 - e a traseira
emborrachada, imitando uma capa. De fábrica, o
dispositivo vem com uma luva de neoprene, que em nada
combina com o slogan de primeiro tablet profissional do
mundo e a elegância do mundo corporativo, mas tudo bem,
os acessórios estão aí para isto mesmo, né?
Ainda sobre o design, a RIM foi bastante econômica nos
botões, até demais. Localizados na borda superior, os
botões de liga e desliga, volume e de play são pequenos
até para dedos femininos como os meus. Por vezes, é
difícil "acordar" o dispositivo da hibernação, aumentar
ou diminuir o volume. Na borda inferior, o usuário
encontra a entrada para o carregador, as portas de Micro
HDMI e Micro USB, e três pinos magnéticos para docks que
devem ser lançados no futuro. É importante notar que, ao
contrário do que fez outros fabricantes, a RIM decidiu
não ignorar as pessoas (e elas são muitas) que ainda
confiam mais em seus pendrives e HD externos do que no
poder da "nuvem".
Mas a RIM se equipara ao iPad 2 - já em sua segunda
versão - e passa à frente de outros concorrentes como
Motorola e Samsung ao apresentar seu primeiro tablet já
com câmera frontal e traseira, ambas de alta definição
para fotografias e vídeos: a frontal de 3 megapixels e a
traseira de 5 megapixels. Com tudo isso, o tablet da RIM
faz vídeo de alta definição de 1080p; tem
compatibilidade com os formatos H.264, MPEG4, WMV com
saída de vídeo HDMI. E ao lado da câmera frontal está
uma luz de LED de notificação que avisa quando a bateria
está acabando, por exemplo. Leve, com apenas 400 gramas,
o PlayBook não tem uma bateria a sua altura, durando um
final de semana. O modo de hibernação também não parece
economizar muita bateria, acaba valendo mais a pena
desligá-lo na maioria das vezes.
Por dentro do PlayBook
No que diz respeito à parte interna do PlayBook, é
importante falar da ousadia da BlackBerry em optar por
um sistema operacional próprio, o BlackBerry Tablet OS,
criado a partir do QNX, mas de, ao mesmo tempo,
reconhecer a importância do Android e agregar ao seu
dispositivo a loja de aplicativos do sistema do Google.
Mesmo que a Android Market ainda não esteja disponível
para o PlayBook, tal integração pode representar um
passo adiante na guerra de gigantes da mobilidade, de
iOS, da Apple, contra Windows Phone, da Microsoft, ou
contra o Android, do Google. Além disso, ao oferecer um
sistema próprio, que carrega toda a tradição da
fabricante canadense dos smartphones BlackBerry, a RIM
corre por fora na disputa por maior segurança na troca
de dados. Acostumada a dar atenção à privacidade dos
clientes corporativos e à necessidade de dar segurança
aos executivos e às informações trocadas entre
BlackBerrys, a RIM corre menos risco do que o Android de
sofrer com invasões hackers, por exemplo.
Em se tratando de BlackBerry, parece de fato uma decisão
acertada, uma vez que suas soluções corporativas em
smartphones são mundialmente conhecidas e reconhecidas.
Isto é, para a RIM, é mais negócio criar um sistema que
converse com seus aparelhos assim como faz o Android com
o Google, por exemplo. Quanto à loja de aplicativos
própria, a App World, a RIM está ciente de que ela deixa
bastante a desejar quando comparada às dos concorrentes,
especialmente pelo usuário final, que está mais
interessado em entretenimento. Enquanto a loja de
aplicativos Android para PlayBook não é lançada, o jeito
é o usuário do PlayBook se contentar com o que tem, o
leitor de livro Kobo e o aplicativo de montar "scrapbooks"
- livros de recortes com fotos -, por exemplo. E com o
que ainda não tem, como Angry Birds, anunciado no
BlackBerry World, mas ainda indisponível.
Com uma interface bastante amigável, colorida na medida,
o sistema operacional só deixa a desejar quando o
usuário vai atrás daquilo que, de antemão, sabe que a
BlackBerry ficou devendo e que todo mundo espera que
venha de fábrica: agenda de contatos, e-mail e
calendário, por exemplo. De resto, o BlackBerry Tablet
OS (QNX) é muito intuitivo, sensível a multitoques e
gestos e com um dos mecanismos mais fáceis e táteis de
fechar programas, o qual consiste em arrastar o dedo da
borda de baixo para a borda superior uma vez para
minimizar a janela e uma segunda para fechá-lo de vez. A
home, com apenas aquilo que interessa na parte superior
- data, hora, dados de conexão Wi-Fi, bluetooth, bateria
e configurações e etc. Na parte inferior da home, o
usuário tem acesso a todos os programas, ou às "pastas"
dos favoritos, dos games ou dos serviços de mídia (no
PlayBook,'media').
E para compensar as ausências, a RIM trabalhou e está
trabalhando para melhorar a experiência do usuário com o
browser. Sem Safari, Mozilla, Google Chrome ou Internet
Explorer, o PlayBook tem um browser minimalista, e por
isso mesmo eficaz. Janelas, estrela de favoritos,
downloads, opção de tela cheia, histórico: o básico para
navegar na internet está lá. Além da página inicial de
"Bookmarks" personalizável e que pode ser exibida em
listas ou em ícones. Tal e qual a RIM anunciou no
BlackBerry World, os problemas quanto a sua rapidez
foram resolvidos: durante os testes, ele foi rápido e
preciso no abrir das páginas. E com mais um ponto a seu
favor: o uso da tecnologia Flash da Adobe.
Essa é, aliás, uma das cartas na manga da RIM contra
seus concorrentes, especialmente a Apple. De braços
dados com a Adobe, o PlayBook promete ao usuário uma
experiência de navegação na internet mais completa e, ao
mesmo tempo, atrai os desenvolvedores em Flash para
junto da comunidade de desenvolvedores para BlackBerry,
que utilizam muito a linguagem Java, e, futuramente,
agregando os desenvolvedores de aplicativos Android que
queiram estar disponíveis para Android e para QNX. De
acordo com a BlackBerry, são mais de 1,6 milhão de sites
em Flash, "em ascensão".
A capacidade de realizar multitarefas é outro "slogan"
do PlayBook. Rick Costanzo, diretor da RIM para a
América Latina, foi um dos que chamou atenção, repetidas
vezes, para a real capacidade multitarefas do PlayBook.
Em conversa com a imprensa no BlackBerry World, ele fez
questão de demonstrar tal possibilidade ao navegar na
internet e abrir dezenas de aplicativos enquanto um
filme era visto em uma televisão conectada ao tablet.
Esse tipo de teste foi impossível de fazer, uma vez que
o tablet não vem com cabo HDMI de fábrica, mas de fato,
independente do número de programas abertos e
funcionando, o PlayBook sempre se saiu muito bem
obrigado, sem telas de erro ou "travamentos". Uma das
explicações para tão bom desempenho do dispositivo da
RIM está no processador dual-core de 1 GHz atrelado a 1
GB de memória RAM e ao multiprocessamento simétrico.
Conforme Costanzo, o PlayBook é o único tablet que tira
real proveito do processador dual-core.
Por fim, vale lembrar que o tablet da RIM já está
preparado para funcionar interligado aos smartphones
BlackBerry através do BlackBerry Bridge. E que muitas
soluções corporativas que tornaram a fabricante
canadense mundialmente conhecida, incluindo o BlackBerry
Messenger, que ainda não estão disponíveis no tablet,
estarão em breve. Por enquanto, nos resta torcer para
que a cortina de fumaça que envolve o PlayBook desde seu
lançamento seja dissipada e que as esperadas
atualizações cheguem antes que o tablet chegue ao Brasil
- ainda não há data definida para isso. Somente assim os
usuários poderão desfrutar do dispositivo naquilo que
ele oferece de melhor: um hardware forte, um software
amigável, e aplicativos pessoais e profissionais. Vale
também torcer para que, com o enquadramento dos tablets
na Lei do Bem, a RIM decida produzi-lo em Sorocaba, São
Paulo, onde já possui uma fábrica de aparelhos.
Em tempo: na semana passada, o site Business Insider
noticiou que a RIM deve ter vendido cerca de 250 mil
unidades desde abril conforme um analista da RBC, Mike
Abramsky, podendo vender até 500 mil unidades no
primeiro trimestre. Se a contagem for verdadeira, a RIM
terá vendido mais PlayBooks do que as vendas iniciais do
tablet Android da Motorola, o XOOM.
O teste do PlayBook foi feito com um modelo de 16 GB e
Wi-Fi e com os itens de fábrica: pano para limpeza da
tela, capa de neoprene, carregador de baterias e cabo
micro-USB.
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