Mudança climática e falta de terras ameaçam índios
A piora das condições meteorológicas e a limitação do direito à terra e outros
recursos básicos "causam risco às vidas e aos meios de subsistência" de muitos
grupos indígenas, que "são chave para a sobrevivência a longo prazo".
A afirmação foi feita nesta sexta-feira pela Organização das Nações Unidas para
a Agricultura e a Alimentação (FAO) às vésperas do Dia Internacional dos Povos
Indígenas do Mundo.
Atualmente, calcula-se que a população indígena chegue a 370 milhões de pessoas,
que representam pelo menos a cinco mil grupos indígenas diferentes em mais de 70
países.
A defesa da recuperação das terras ancestrais, a autodeterminação dos povos
indígenas e os direitos humanos são as principais exigências do grupo, lembrou a
FAO em comunicado.
Eles são os primeiros a sofrer com os efeitos adversos de condições
meteorológicas cada vez piores e "a falta generalizada de autonomia para
reivindicar bens e serviços aos quais outros grupos de população têm maior
acesso", segundo a coordenadora da FAO para os povos indígenas, Regina Laub.
Mas também "podem desempenhar um papel fundamental ajudando a adaptação mundial"
à mudança climática, pois costumam ser depositários de conhecimentos únicos, e
da diversidade genética e biológica da produção animal e agrícola.
Quanto ao acesso à terra, a FAO lembrou que "só poucos países" reconheceram os
direitos ancestrais e tradicionais à terra, que constitui "a pedra angular dos
meios de subsistência dos povos indígenas".