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Esteróide anabolizante
O Anadrol 50mg (também conhecido como oximetolona ou
Hemogenin) é um exemplo de esteróide anabolizante
Estrutura química do hormônio anabólico natural, a testosterona:
17b-hidróxi-4-androsten-3-um.Os esteróides androgênicos anabólicos (EAA
ou AAS - do inglês Anabolic Androgenic Steroids), também conhecidos
simplesmente como anabolizantes, são uma classe de hormônios
esteróides naturais e sintéticos que promovem o crescimento celular
e a sua divisão, resultando no desenvolvimento de diversos tipos de
tecidos, especialmente o muscular e ósseo. São substâncias
geralmente derivadas do hormônio sexual masculino, a testosterona, e
podem ser administradas principalmente por via oral ou injetável.
Atualmente não são utilizados somente por atletas profissionais, mas
também por pessoas que desejam uma melhor aparência estética,
inclusive adolescentes. Os diferentes esteróides androgênicos
anabólicos têm combinações variadas de propriedades androgênicas e
anabólicas. Anabolismo é o processo metabólico que constrói
moléculas maiores a partir de outras menores.
Os esteróides anabólicos foram descobertos nos anos 1930s e têm sido
usados desde então para inúmeros procedimentos médicos incluindo a
estimulação do crescimento ósseo, apetite, puberdade e crescimento
muscular. Podem também ser usados no tratamento de pacientes
submetidos a grandes cirurgias ou que tenham sofrido acidentes
sérios, situações que em geral acarretam um colapso de proteínas no
corpo. O uso mais comum de esteróides anabólicos é para condições
crônicas debilitantes, como o câncer e a AIDS. Os esteróides
anabólicos podem produzir inúmeros efeitos fisiológicos incluindo
efeitos de virilização, maior síntese protéica, massa muscular,
força, apetite e crescimento ósseo. Os esteróides anabolizantes
também têm sido associados a diversos efeitos colaterais quando
forem administrados em doses excessivas, e esses efeitos incluem a
elevação do colesterol (aumenta os níveis de LDL e diminui os de HDL),
acne, pressão sanguínea elevada, hepatotoxicidade, e alterações na
morfologia do ventrículo esquerdo do coração.
Hoje os esteróides anabólicos são controversos por serem muito
difundidos em diversos esportes e possuírem efeitos colaterais.
Enquanto há diversos problemas de saúde associados com o uso
excessivo de esteróides anabólicos, também há uma volumosa
quantidade de propaganda, "ciência-lixo" e concepções errôneas da
população sobre seu uso. Os esteróides anabólicos são controlados em
alguns países incluindo os Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.
Estes países possuem leis que controlam seu uso e distribuição.
Mecanismo bioquímico
Os efeitos fisiológicos dos andrógenos como a testosterona e a
dihidrotestosterona são vastos e vão desde o desenvolvimento fetal
para a manutenção de músculos e massa óssea até a vida adulta
incluindo o estimulo de estirões de crescimento na puberdade,
indução de crescimento de cabelo, produção de óleo pelas glândulas
sebáceas e sexualidade (especialmente no desenvolvimento fetal). Os
esteróides anabolizantes são androgênicos e consequentemente
produzem efeitos androgênicos no corpo. Os andrógenos estimulam a
miogênese, que é a formação de tecido muscular. Também são
conhecidos por causar hipertrofia dos dois tipos (I e II) de fibras
musculares, embora o mecanismo de como isso acontece ainda não seja
totalmente compreendido e existem poucos mecanismos aceitos através
dos quais isso pode ocorrer. É amplamente entendido que doses
suprafisiológicas de testosterona em homens não-hipogonadais aumenta
a densidade do nitrogênio e aumenta a massa magra (muscular) ao
mesmo tempo que diminui a gordura, particularmente a abdominal. O
aumento na massa muscular é predominantemente da musculatura
esquelética e é causado por um aumento na síntese de proteínas
musculares ou possivelmente uma diminuição na quebra de proteínas
musculares. Existem hipóteses de que andrógenos regulam a composição
do corpo ao promover o compromisso de células mesenquimais
pluripotentes em linhagens miogênicas e inibindo sua diferenciação
em linhagens adipogênicas. Entretanto os andrógenos podem também
cumprir um papel anticatabólico ao inibir a atrofia dos músculos
esqueléticos através da ação antiglicocorticóide independente do
receptor de andrógeno.
Os mecanismos de ação diferem dependendo do esteróide anabólico
específico. Diferentes tipos de esteróides anabólicos se ligam ao
receptor de andrógeno em diferentes graus, dependendo de sua fórmula
química. Esteróides anabólicos como a metandrostenolona não reagem
fortemente com o receptor de andrógeno, usando a síntese protéica ou
glicogenólise para sua ação, enquanto esteróides como a oxandrolona
reagem fortemente com o receptor de andrógeno. Existem três vias
comuns para a administração dos esteróides anabólicos: oral
(pílulas), injetável e transdérmico. A administração oral, apesar de
ser talvez a mais conveniente, sofre do fato de que os esteróides
orais necessitam ser quimicamente modificados, e seu metabolismo na
forma ativa pode forçar o fígado. Os esteróides injetáveis são
tipicamente administrados intramuscularmente, para evitar variações
bruscas no nível sanguíneo. Finalmente, as administrações
transdérmicas via creme, gel ou atadura transdérmica têm se tornado
populares nos anos recentes.
Efeitos anabólicos e de virilização
Os esteróides androgênicos anabólicos produzem tanto efeitos
anabólicos e de virilização (também conhecidos como efeitos
androgênicos). A maioria dos esteróides anabólicos funciona de duas
maneiras simultâneas. Primeiro, eles funcionam ao se ligar ao
receptor andrógeno e aumentando a síntese protéica. Segundo, eles
também reduzem o tempo de recuperação ao bloquear os efeitos no
tecido muscular do hormônio do stress, o cortisol. Como resultado, o
catabolismo da massa muscular corpórea é significativamente
reduzido.
Exemplos dos efeitos anabólicos:
Aumento da síntese protéica a partir de aminoácidos.
Aumento da massa e força muscular
Aumento do apetite
Aumento da remodelagem e crescimento ósseos
Estimulação da medula óssea, aumentando a produção de células
vermelhas do sangue.
Exemplos dos efeitos de virilização/andrógenos:
Crescimento do clitóris (hipertrofia clitoriana) em mulheres e do
pênis em meninos (o pênis adulto não cresce indefinidamente mesmo
quando exposto a altas doses de andrógenos)
Aumento dos pêlos sensíveis aos andrógenos (pêlos púbicos, da barba,
do peito, e dos membros)
Aumento do tamanho das cordas vocais, tornando a voz mais grave
Aumento da libido
Supressão dos hormônios sexuais endógenos
Espermatogênese prejudicada
Efeitos colaterais possivelmente não desejados
Muitos andrógenos são capazes de serem metabolizados em compostos
que podem interagir com outros receptores de hormônios esteróides
como os receptores de estrógeno, progesterona e glicocorticóides,
produzindo (geralmente) efeitos adicionais não desejados:
Possível pressão sanguínea elevada
Níveis de colesterol –Alguns esteróides podem causar um aumento nos
níveis de LDL e diminuição nos de HDL. Isso pode aumentar o risco de
ocorrer uma doença cardiovascular ou doença da artéria coronária[9]
em homens com alto risto de colesterol ruim.
Acne– Devido à estimulação das glândulas sebáceas
Conversão para DHT (Dihidrotestosterona). Isso pode acelerar ou
causar calvície precoce e câncer de próstata.
Alteração da morfologia do ventrículo esquerdo – os AAS podem
induzir a um alargamento e engrossamento desfavorável do ventrículo
esquerdo, que perde suas propriedades de diástole quando sua massa
cresce. Entretanto a relação negativa entre a morfologia do
ventrículo esquerdo e o déficit das funções cardíacas têm sido
discutida.
Hepatotoxicidade – Causado particularmente por componentes de
esteróides anabólicos orais que são 17-alfa-alquilados para que não
sejam destruídos pelo sistema digestivo.
Crescimento excessivo da gengiva
Efeitos colaterais em homens
Ginecomastia – Desenvolvimento das mamas nos homens. Geralmente isso
ocorre devido a altos níveis de estrogênio circulante. Esses níveis
também são resultado da taxa aumentada de conversão de testoterona
em estrogênio via enzima aromatase.
Função sexual reduzida e infertilidade temporária
Atrofia testicular – Efeito colateral temporário que é devido ao
déficit nos níveis de testosterona natural que leva à inibição da
espermatogênese. Como a maioria da massa do testículo tem com função
o desenvolvimento do espermatozóide, o tamanho dos testículos
geralmente retorna ao tamanho natural quando a espermatogênese
recomeça, algumas semanas após o uso do esteróide anabólico ser
cessado.
Efeitos colaterais em mulheres
Pêlos do corpo crescem
Voz fica mais grave
Aumento do tamanho do clitóris (hipertrofia clitoriana)
Diminuição temporária nos ciclos menstruais
Efeitos colaterais em adolescentes
Crescimento comprometido – O abuso de agentes pode prematuramente
parar o crescimento do comprimento dos ossos (fusão prematura da
epífise devido aos altos índices de metabólitos do estrogênio)
Maturação óssea acelerada
Aumento na freqüência e duração das ereções
Desenvolvimento sexual precoce e desenvolvimento extremo das
características sexuais secundárias (hipervirilização)
Crescimento do falo (hipergonadismo ou megalofalia)
Aumento dos pêlos púbicos e do corpo
Ligeiro crescimento de barba
Há muito tempo tem sido buscado um esteróide anabólico ideal (um
hormônio somente com efeitos anabólicos, sem efeitos virilizantes).
Muitos esteróides anabólicos sintéticos têm sido desenvolvidos na
tentativa de encontrar moléculas que produzam uma alta taxa
anabólica ao invés de efeitos virilizantes. Infelizmente, os
esteróides mais efetivos conhecidos para aumento de massa corporal
também têm os efeitos androgênicos mais fortes.
Uso médico
Os esteróides anabólicos foram testados por médicos para muitas
finalidades desde a descoberta da testosterona sintética dos 1930s
aos 1950s, algumas com sucesso. Um dos usos iniciais de esteróides
foi para o tratamento de cansaço crônico, como o dos prisioneiros
nos campos de concentração nazistas e prisioneiros de guerra.
Durante a Segunda Guerra Mundial, pesquisas foram realizadas pelos
cientistas alemães para a síntese de outros esteróides anabólicos, e
foram feitos experimentos em prisioneiros humanos e nos próprios
soldados alemães, esperando aumentar as tendências de agressividade
de suas tropas. O médico de Adolf Hitler revelou que Hitler recebeu
injeções de derivados de testosterona para tentar tratar várias de
suas doenças.
Depotestosterona, uma forma sintética de testosterona produzida para
fins médicosEstimulação da medula óssea: Durante décadas, os
esteróides anabólicos foram importantes para a terapia de anemias
hipoplásicas não causadas por deficiência nutritivas, especialmente
a anemia aplásica. Os esteróides anabólicos vêm sendo lentamente
substituídos por hormônios sintéticos (como a epoetina alfa) que
estimulam seletivamente o crescimento de precursores das células do
sangue.
Estimulação do crescimento: Os esteróides anabólicos foram
receitados em larga escala por endocrinologistas pediátricos para
crianças com deficiência no crescimento dos anos 1960s até os 1980s.
A disponibilidade de hormônio do crescimento sintético e a
estigmatização social crescente sobre o uso de esteróides anabólicos
levou à descontinuação deste uso.
Estimulação do apetite e preservação e aumento de massa muscular:
Esteróides anabólicos tem sido dados para pessoas com condições
crônicas desgastantes como câncer e AIDS.
Indução da puberdade masculina: Andrógenos são receitados para
muitos garotos com atraso da puberdade. Atualmente a testosterona é
praticamente o único andrógeno usado para esse fim, mas esteróides
anabólicos sintéticos foram usados anteriormente nos anos 1980s.
O enantato de testosterona pode mostrar-se um método útil, seguro,
reversível e efetivo para contracepção hormonal masculina num futuro
próximo.
Usado para problemas relacionados com a idade em idosos. Os
esteróides anabólicos têm se mostrado como auxiliares em muitos
problemas da velhice.
Usado em terapia de reposição hormonal para homens com baixos níveis
de testosterona. (veja hipogonadismo)
Usado para dismorfia de gênero: ao passo que as características
secundárias masculinas (puberdade) se iniciam em pacientes
diagnosticados como feminino-para-masculino. Os derivados mais
utilizados da testosterona são o Sustanon e o Enantato de
Testosterona que tornam a voz mais grave, aumentam as massas
muscular e óssea, os pêlos faciais, os níveis de células vermelhas
do sangue e o clitóris.
Uso e abuso
Os esteróides anabólicos têm sido usados por homens e mulheres em
muitos tipos diferentes de esportes (cricket, atletismo,
levantamento de peso, fisiculturismo, arremesso de peso, ciclismo,
beisebol, luta, artes marciais, boxe, futebol, natação etc.) para
atingir um nível competitivo ou para ajudar na recuperação de
lesões. O uso de esteróides para se obter vantagens competitivas é
proibido pelas leis dos corpos governamentais de vários esportes.
Os esteróides anabólicos têm sido prevalentes também entre os
adolescentes, especialmente aqueles que praticam esportes. Foi
sugerido [25] que a prevalência de uso entre os estudantes das High
School americanas pode chegar a 2,7%. Os estudantes homens usaram
mais do que as mulheres e aqueles que participavam de esportes, em
média, usaram com mais freqüência do que aqueles que não praticavam.
É extremamente difícil determinar a percentagem da população que tem
utilizado recentemente esteróides anabólicos, mas esse número parece
ser muito baixo. Os usuários de esteróides tendem a ser homens entre
15 e 25 anos e fisiculturistas não-competitivos e não-atletas que
usam por razões cosméticas.
Minimização dos efeitos colaterais
Tipicamente os fisiculturistas, atletas e esportistas que usam
anabolizantes tentam minimizar seus efeitos colaterais negativos.
Por exemplos, alguns aumentam a quantidade de exercícios
cardiovasculares para ajudar a evitar os efeitos da hipertrofia do
ventrículo esquerdo.
Alguns andrógenos vão se aromatizar e se converter em estrógeno,
potencialmente causando alguma combinação dos efeitos colaterais
citados acima. Durante o ciclo do esteróide, os usuários tendem a
tomar um inibidor da enzima aromatase e/ou um Modulador Seletivo do
Receptor de Estrógeno (MSRE); estas drogas afetam a aromatização e a
ligação ao receptor de estrogênio, respectivamente. O MSRE
tamoxifeno é de particular interesse, já que ele previne a ligação
ao receptor de estrogênio no peito, reduzindo o risco de ocorrer a
ginecomastia.
Além disso, a 'terapia pós-ciclo' (TPC) é prescrita, a fim de
combater a supressão natural da testosterona e recuperar a função do
HPTA (eixo hipotalâmico-pituitário-gonadal). A TPC tipicamente
consiste em uma combinação das seguintes drogas, dependendo do
protocolo que é utilizado:
Um Modulador Seletivo do Receptor de Estrógeno (MSRE), como o
citrato de clomifeno e/ou citrato de tamoxifeno (esta é a droga
primária da TPC).
Um inibidor da enzima aromatase conhecido como anastrozole.
Gonadotrofina coriônica humana, hCG (tem se tornado menos comum, já
que hoje este hormônio é mais utilizado durante o ciclo, ao invés de
depois).
O objetivo do TPC é devolver o balanço hormonal endógeno original ao
corpo no menor espaço de tempo possível.
Os usuários geneticamente propensos à perda prematura de cabelo, que
o uso de esteróides pode torná-la mais acentuada, têm utilizado a
droga finasterida por períodos prolongados de tempo. A finasterida
reduz a conversão de testosterona em DHT, esta última tendo um
potencial muito maior de causa alopécia (ausência de pêlos). A
finasterida não tem utilidade nos casos em que o esteróide não é
convertido em um derivado mais androgênico.
Como alguns anabolizantes podem ser tóxicos para o fígado ou podem
causar aumentos na pressão sanguínea ou colesterol, muitos usuários
consideram ideal fazer freqüentes testes sanguíneos e de pressão
sanguínea para ter certeza de que seus níveis de pressão e
colesterol ainda estão nos níveis normais. Como os anabolizantes
podem aumentar o colesterol, eles podem, conseqüentemente, aumentar
o risco de um ataque cardíaco em seus usuários. Logo, geralmente é
considerada obrigatória para todos os usuários a realização testes
sanguíneos enquanto estiverem utilizando os anabolizantes.
Lendas urbanas e concepções errôneas
Os esteróides anabólicos, como qualquer outra droga, têm estado no
centro de muita controvérsia e por causa disso existem muitos mitos
populares sobre os seus efeitos obtidos e colaterais. Como muitas
drogas da cultura popular, as concepções errôneas sobre os
esteróides anabólicos provavelmente surgiram da falta de
conhecimento sobre os reais efeitos colaterais destas drogas. Por
exemplo, uma dessas lendas diz que os esteróides anabólicos podem
fazer com que o pênis diminua de tamanho. É muito provável que essa
falsa afirmação tenha surgido do efeito colateral que realmente
ocorre conhecido como atrofia testicular, no qual o uso de
esteróides anabolizantes causa a redução da secreção do hormônio
luteinizante e hormônio estimulante folicular da porção anterior da
hipófise, logo reduzindo o tamanho do testículo. Esse efeito
colateral é temporário e os testículos voltam ao tamanho normal logo
que a administração exógena do andrógeno for suspensa.
Outra idéia muito difundida na população e que a mídia ajuda a
difundir é a de que os esteróides anabolizantes são altamente
perigosos e as taxas de mortalidade entre usuários são altas. A
verdade é que os esteróides anabólicos são usados amplamente na área
médica sem nenhum sérios risco para a saúde dos usuários, e nenhuma
evidência científica mostrou problemas de saúde a longo prazo com o
uso correto de esteróides anabolizantes. Enquanto o risco de morte
está presente em muitas drogas, o risco de morte prematura devido ao
uso de esteróides anabolizantes é extremamente baixo. É possível que
esse mito tenha ganho popularidade nos Estados Unidos a partir da
afirmação de que o jogador de futebol americano Lyle Alzado morreu
de câncer no cérebro por ter usado esteróides anabolizantes. O
próprio jogador chegou a afirmar que seu câncer tinha sido causado
graças aos esteróides anabolizantes. Entretanto, não há evidência
médica provando que os esteróides anabolizantes podem causar câncer
no cérebro e os próprio médicos que trataram Alzado afirmaram que o
uso de esteróides anabolizantes nada teve a ver com sua morte.
Outros mitos afirmam que o uso de anabolizantes pode levar
adolescentes a cometer suicídio. Já que se sabe os baixos níveis de
testosterona são causadores da depressão, e que um final de ciclo de
anabolizantes resulta em baixos níveis de testosterona, essa
afirmativa é altamente questionável. Nos Estados Unidos o uso
estimado de esteróides anabolizantes entre estudantes de High School
foi de 2,8% em 1999. Por outro lado, no ano de 2000 nos Estados
Unidos, o suicídio foi a terceira causa que mais levou à morte entre
jovens entre 15 e 24 anos. Com a existências destas altas taxas de
suicídio entre os adolescentes, concluir que os esteróides
anabolizantes são responsáveis pelo suicídio que os tomaram antes de
cometerem suicídio é uma afirmação um tanto precipitada. Além disso,
embora os fisiculturistas adolescentes têm usado anabolizantes desde
o início dos anos 1960s, apenas alguns casos sugerindo a ligação
entre o uso e o suicídio foram descritos na literatura médica.
Uma das idéias errôneas sobre o uso de anabolizantes é sobre o
efeito sobre o temperamento agressivo que surgiria nos usuários.
Existem poucas ou nenhuma evidência para provar que essa condição
realmente existe. A maioria dos estudos envolvendo comportamentos
agressivos e o uso de anabolizantes não mostram efeitos psicológicos
como conseqüência, implicando que esse comportamento agressivo não é
um efeito dos esteróides, ou que os efeitos na agressividade são
muitos pequenos para serem mensurados. Muitos cientistas e médicos
concluíram que os esteróides anabolizantes não têm efeitos de
aumento de comportamento agressivo.
O ator, ex-fisiculturista e governador da Califórnia, Arnold
Schwarzenegger, também é alvo de outra lenda sobre os efeitos dos
anabolizantes. Arnold Schwarzenegger admitiu que usou esteróides
anabolizantes durante sua carreira de fisiculturista por muitos
anos, e em 1997 fez uma cirurgia para corrigir um defeito
relacionado ao seu coração. Algumas pessoas afirmaram que esse
defeito foi causado pelo uso dos anabolizantes. Entretanto, Arnold
Schwarzenegger nasceu com um problema genético congênito no qual seu
coração tinha uma valva aortica bicúspide; em outras palavras,
enquanto nos corações normais a valva aórtica tem três cúspides, a
valva aórtica do ator tinha, de nascença, apenas duas, o que poderia
causar problemas futuros em sua vida.
Tráfico ilegal de esteróides anabolizantes
Como os anabolizantes são geralmente consumidos em países diferentes
dos quais eles são produzidos, eles devem ser contrabandeados
através das fronteiras internacionais. Como a maioria das operações
de tráfico, uma operação sofisticada do crime organizado está
envolvida, freqüentemente em conjunto com outros tipos de
contrabando (incluindo outras drogas ilegais). Ao contrário dos
traficantes de drogas recreacionais psicoativas como maconha e
heroínas, não há muitos casos retratados de traficantes de
anabolizantes sendo presos. A maioria destes consegue obter a droga
através do mercado negro, e mais especificamente, farmacêuticos,
veterinários, e médicos. Os anabolizantes comprados do mercado negro
podem ser falsificados ou originalmente produzidos para uso
veterinário. O que por si só não vem a ser perigoso, exceto pelo
fato de que esses medicamentos são produzidos e manuseados em
ambientes menos estéreis, já que o seu destino seria os animais.
Produção Esteróide anabolizante
Os anabolizantes precisam de processos farmacêuticos sofisticados e
equipamentos avançados para serem produzidos. Por esse motivo, são
fabricados por companhias farmacêuticas legítimas ou laboratórios
"underground" (ilegais) com uma grande infra-estrutura. Os mesmos
problemas comuns que estão presentes no tráfico ilegal de drogas
(como as substituições químicas, cortes e diluição) também afetam os
esteróides anabolizantes, e esses processos podem tornar sua
qualidade questionável ou perigosa para o consumidor final.
Nos anos 1990s a maioria das fabricantes americanas como Ciba,
Searle e Syntex pararam de produzir e de divulgar os esteróides
anabólicos dentro dos Estados Unidos. Entretanto, em muitas outras
regiões, particularmente a Europa Oriental, eles ainda são
produzidos em grande quantidade. Os anabolizantes europeus são a
origem de muitos dos esteróides vendidos ilegalmente na América do
Norte. No entanto, os esteróides anabólicos ainda estão sendo
amplamente utilizados para fins veterinários, e muitos dos
anabolizantes ilegais são fabricados, de fato, para fins
veterinários.
Distribuição
Nos Estados Unidos e Canadá, os anabolizantes são comprados assim
como qualquer outra droga ilegal através de "traficantes" que
conseguem obter as drogas de diversas fontes, embora a maioria dos
usuários preferiria comprar legalmente as drogas mas não podem pois
as leis restritivas são contra a posse de esteróides. Anabolizantes
falsificados são uma solução comum para a falta de disponibilidade
legal nos Estados Unidos e Canadá, embora o mercado negro de
importação continua no México, Tailândia e outros países onde os
esteróides são mais facilmente disponíveis e, em muitos países,
legalizado. Muitas pessoas produzem anabolizantes falsos e os
colocam à venda na internet, o que causa uma ampla variedade de
problemas de saúde.
A maioria dos esteróides anabólicos são vendidos hoje em academias,
competições e através dos correios. A maior parte destas substâncias
nos Estados Unidos é contrabando. Além disso, um grande número de
produtos falsificados são vendidos como esteróides anabolizantes,
particularmente por websites de farmácias de fachada. Além do uso
recreativo dos anabolizantes, os usuários do Reino Unido têm
consumido drogas ilícitas também, como a maconha e cocaína.
Comentários de atletas profissionais da Grécia antiga sugerem que
foi utilizada uma ampla variedade de substâncias esteróides naturais
com o objetivo de promover crescimento androgênico e anabólico.
Estes foram de extratos dos testículos até materiais de plantas.
Remédios tradicionais em geral, tanto no Ocidente como na medicina
Asiática contemporânea, contém várias substâncias que devem promover
a virilidade e vários aspectos masculinos, mesmo que não totalmente
com relação ao aumento dos músculos e da habilidade atlética tanto
quanto performance sexual. Na medicina Chinesa tradicional,
substâncias como chifre de alce, osso de tigre, bexiga e bílis de
urso, ginseng e outras raízes e muito mais eram primariamente
consumidos para ressaltar o organismo masculino. A ciência não
recomenda estes métodos.
Acredita-se que os esteróides anabolizantes farmacêuticos modernos
tenham sido descobertos inadvertidamente por cientistas alemães no
começo da Década de 30, mas quando foi descoberto ele não foi
considerado significante o bastante para promover estudos
posteriores. A primeira referência conhecida a esteróides
anabolizantes nos EUA foi em uma carta ao editor da revista Strenght
and Health em 1938. Na década de 50, o interesse científico por eles
foi aumentado, e Metandrostenolona (Dianabol) foi aprovada para uso
nos Estados Unidos pela Administração de comida e drogas americana
em 1958 após vários testes com bons resultados foram conduzidos em
outros países.
Ao longo dos anos 50, 60, 70 e até 80 havia a dúvida se os
Esteróides Anabolizantes realmente tinham um efeito. Em um estudo no
ano de 1972, uma parte dos participantes foi informada que eles
receberiam injeções de esteróides anabólicos diariamente, mas ao
invés disso lhes foi administrado placebo. A melhora de performance
deles foi similar à dos participantes que tomaram compostos
anabólicos de verdade. Este estudo teve muitas falhas incluindo
controles inconsistentes e doses insignificantes. De acordo com
Geraline Lin, um pesquisador do Instituto Nacional do Abuso de
Drogas americano, até a época de publicação de livros em 1996, os
resultados deste estudo ainda não haviam sido contestados e postos a
teste, durante 18 anos.
Movimento para a descriminalização
Os esteróides anabolizantes são substâncias controladas nos Estados
Unidos e são estritamente reguladas em outros países - Talvez seja
importante salientar que os esteróides anabolizantes estão
prontamente disponíveis sem prescrição médica em alguns países como
México, Alemanha e Tailândia. Entretanto, desde que o congresso dos
Estados Unidos aplicou em 1990 o Ato de Controle dos Esteróides
Anabolizantes, surgiu um pequeno movimento muito crítico contrário
às leis sobre os esteróides anabolizantes. Em 21 de Junho de 2005, o
programa americano de televisão Real Sports apresentou um quadro
discutindo a legalidade e proibição dos esteróides anabólicos nos
Estados Unidos. Foi então apresentado Gary I. Wadler, M.D.,
presidente da Agência Anti-Doping dos Estados Unidos, que é um forte
ativista anti-esteróides. Quando foi pressionado a apresentar as
evidências científicas de que os anabolizantes são "altamente
fatais", como ele mesmo afirmou, Wadler admitiu que não havia
evidências. O apresentador do programa, Bryant Gumbel, concluiu que
a grande preocupação com os perigos dos anabolizantes na mídia foi
'muita fumaça e nenhum fogo'. O programa mostrou também John Romano,
um ativista pró-esteróides que edita o 'Fator Romano', uma coluna de
movimento pró-esteróides na revista americana de fisiculturismo
Muscular Development.
Em Julho de 2005, o procurador Philip Sweitzer enviou um documento
público para o governo e senado americanos. Nele ele criticou os
deputados por restringirem o uso de anabolizantes, assim como
criticou a "desconsideração à realidade científica por um efeito
simbólico". Ele também pediu a consideração da descriminalização dos
esteróides anabólicos nos Estados Unidos e pediu uma nova direção
política. Desde os anos 1980s, a posição do governo americano é a de
que o risco do uso de esteróides é muito alto para permitir a sua
descriminalização e regulamentação.
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