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Três pacientes morrem após
ressonância magnética em Campinas
Exames feitos com uso de contraste
foram realizados no Hospital Vera Cruz. No mesmo dia,
outras 83 pessoas passaram ilesas pelo mesmo
procedimento.
Três pessoas morreram nesta segunda-feira em Campinas
após serem submetidas a um exame de ressonância
magnética com contraste no Hospital Vera Cruz,
referência nesse tipo de procedimento. Segundo nota
divulgada pela instituição, os motivos que levaram esses
pacientes a óbito são desconhecidos e o hospital está
aguardando o laudo do Instituto Médico Legal (IML), que
deve sair nas próximas 48 horas.
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As vítimas são Mayra Cristina Augusto
Monteiro, de 25 anos, Pedro José Ribeiro
Porto Filho, de 36 anos, e Manuel Pereira de
Souza, de 39 anos. Dois deles passaram mal
logo depois do exame. A terceira vítima, no
entanto, passou mal apenas depois de deixar
o hospital, retornando à unidade após sentir
dores. Os três pacientes morreram por parada
cardiorrespiratória.
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No mesmo dia em que esses pacientes foram submetidos à
ressonância com contraste, outros 83 indivíduos
realizaram o mesmo procedimento, também no Hospital Vera
Cruz, mas não apresentaram reações adversas.
Investigação — Em entrevista concedida à emissora EPTV,
afiliada da TV Globo em Campinas, Carmino Antonio de
Souza, secretário municipal da Saúde de Campinas,
afirmou que dois pacientes que faleceram receberam um
tipo de contraste e passaram pela ressonância em uma
máquina do hospital. Já o terceiro paciente recebeu
outro tipo de contraste e foi examinado em outra máquina.
“Não temos uma linha comum, que junte os três pacientes
no mesmo cenário”, disse.
A Secretaria Municipal da Saúde enviou um comunicado
nesta terça-feira orientando todos os hospitais e
clínicas de Campinas a suspenderem temporariamente a
realização de exames de ressonância magnética e
tomografias com contraste. A suspensão deve ser feita
até que as causas que levaram às três mortes sejam
esclarecidas.
A Vigilância Sanitária Municipal já havia interditado o
setor do Hospital Vera Cruz responsável por realizar os
exames de ressonância magnética nesta segunda-feira. As
outras áreas da unidade continuam funcionando
normalmente, segundo a instituição.
Auxílio — Em nota divulgada nesta terça-feira, a
Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo informou que
cabe à Vigilância Sanitária Municipal de Campinas fazer
a investigação dos fatos. “No entanto, como foi
solicitado pelo município, a Vigilância Sanitária
Estadual já enviou uma equipe da farmacovigilância e de
radiação ionizante para auxiliar os trabalhos.
As inspeções devem acontecer nos próximos dias.” A
Secretaria Estadual informou ainda que "todos os
produtos utilizados no procedimento, tanto os fechados
como os usados, foram recolhidos e serão analisados no
Instituto Adolfo Lutz".
"O exame de ressonância magnética é muito seguro"
Fernando Poralla
Médico radiologista e diretor de Serviços Médicos para a
América Latina da Bracco Imaging do Brasil
"Há duas formas de realizar uma ressonância magnética:
com e sem contraste. Essa substância é aplicada para que
o médico consiga visualizar melhor os órgãos e tecidos.
O contraste também é utilizado para tomografias, mas
cada exame usa um tipo diferente. O contraste de
ressonância magnética está no mercado desde a década de
1980 e é mais seguro do que o da tomografia, já que é
aplicado em doses muito menores e provoca menos efeitos
adversos.
"Os efeitos adversos mais comuns são leves, como dores
de cabeça, náusea e sensação de calor. Há reações mais
moderadas, como dificuldade de respiração, e desmaio. Os
efeitos mais graves podem levar a uma parada
cardiorrespiratória, mas eles são pouco comuns: apenas
cerca de 0,03% dos pacientes os apresentam.
"Se um paciente chega a sofrer uma parada
cardiorrespiratória, no entanto, é comum que ele
apresente uma série de sintomas antes do evento,
geralmente nos primeiros 30 minutos após o exame.
É uma reação em cadeia: primeiro o indivíduo começa a
apresentar mal estar geral, depois náusea, coceira,
taquicardia e só depois evolui para uma parada
cardiorrespiratória. Por esse motivo, recomenda-se que
os pacientes permaneçam nas unidades de saúde nos 30
minutos seguintes à ressonância magnética.
"Como é a mortalidade com o contraste é muito rara, além
do fato de que os três pacientes que faleceram receberam
contrastes diferentes, é difícil supor que as mortes
tenham sido causadas pela substância.
Nesse caso, é possível suspeitar que fatores externos ao
contraste e à ressonância tenham sido os culpados pelas
mortes. Após o contraste, por exemplo, os pacientes
recebem solução salina (soro), que ajuda no transporte
da substância pelo corpo. Pode ter havido uma confusão
na hora dessa aplicação. Outra possbilidade é a de que o
ar condicionado da sala do exame liberou substâncias
tóxicas ao longo do procedimento.” Da veja Abril
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