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Aquecimento: aumentam desastres naturais, diz ONU
A freqüência dos desastres naturais relacionados a mudanças climáticas vem
aumentando, principalmente as enchentes, em relação à média registrada entre
2000 e 2006, segundo um relatório tornado público hoje pela Organização das
Nações Unidas (ONU).
Das 197 milhões de vítimas por desastres naturais, 164 milhões foram por
inundações. A Ásia foi, novamente, o continente mais afetado pelas catástrofes
naturais, sendo cenário de oito das dez maiores acontecidas no ano passado -
incluindo seis inundações.
As inundações foram os únicos desastres que aumentaram de maneira significativa,
registrando-se 206 só no ano passado, em relação à média de 172 nos últimos sete
anos.
O país mais afetado por mortes foi Bangladesh, com mais de 5.000, seguido da
Índia (1.103), Coréia do Norte (610), China (535) e Peru (519), segundo um
relatório elaborado pelo Centro de Pesquisa da Epidemiologia dos Desastres
(Cred), um organismo com sede na Bélgica, e apresentado pelo Secretariado da ONU
para a Redução de Desastres (ISDR).
A região asiática concentrou 74% das mortes, seguida do continente americano,
com 12%, principalmente por causa do terremoto que sacudiu o Peru em agosto do
ano passado e das tempestades tropicais no Caribe, segundo disse à Agência Efe,
o diretor do Cred, Debarati Guha-Sapir.
O número de vítimas mortais, no entanto, foi menor em 2007 - 16.517 mortos -
diante da média de 73.931 registrada entre 2000 e 2006. Os EUA, com 22
catástrofes naturais em 2007, foram o país mais afetado, seguido da China (20),
Índia (18), Filipinas (16) e Indonésia (15).
Em entrevista coletiva em Genebra, Guha-Sapir explicou que, embora a China e a
Índia tenham liderado nos últimos anos a lista de países mais afetados por
tragédias, isso se deve ao fato de serem os mais povoados do mundo.
O diretor explicou que uma metodologia mais justa para calcular o impacto de uma
calamidade em um país - em relação à população - indica que os lugares mais
afetados, em 2007, foram a Macedônia, com 49.000 vítimas, Suazilândia, na África
(36 mil), Lesoto (23 mil), Zimbábue (15 mil), Bangladesh (14 mil) e Zâmbia
(12.000).
O especialista assinalou que o impacto das mudanças climáticas na incidência de
catástrofes naturais é provado pelo aumento de inundações, furacões e
tempestades tropicais, claramente influenciadas pelo fenômeno planetário.
"A tendência atual é consistente com os prognósticos do Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, e a Ásia e a África do Oeste já
estão sofrendo inundações mais severas e seguidas", comentou, ao se referir à
equipe de cientistas que estudam o fenômeno por encomenda da ONU.
Guha-Sapir também disse que existe a possibilidade de doenças infecciosas - como
o dengue e a leptospirose, transmitidas, respectivamente, por mosquitos e ratos
- se expandirem nos próximos cinco anos, conforme aumenta a incidência das
enchentes, e cheguem inclusive à Europa e aos EUA.
O especialista disse que, atualmente, não é dada a atenção devida a essas
doenças, porque só afetam ainda países pobres, mas com o aquecimento global,
aumenta o risco da ocorrência delas em todo o Ocidente. O estudo do Cred também
destaca o prejuízo dos desastres sobre a economia de países como o Japão, os EUA
e muitos da Europa.
O terremoto ocorrido em julho do ano passado, no Japão, representou a perda de
US$ 12,5 bilhões, seguido da tempestade Kyrril, na Europa, que matou 47 pessoas
e provocou danos de US$ 10 bilhões.
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