Desmatamento na Amazônia extingue 26 espécies e ameaça
644, diz ONU
O desmatamento da Amazônia provocou a extinção de 26
espécies de animais e plantas até 2006, segundo um
relatório divulgado nesta quarta-feira (18) pelo
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
No mesmo período, outras 644 espécies entraram na lista
de animais e plantas ameaçados de extinção. Das 26
espécies extintas, dez estão na parte brasileira da
floresta amazônica. Entre as espécies ameaçadas estão o
macaco-aranha (Ateles belzebuth), o urso-de-óculos (
Tremarctos ornatus) e a lontra.
O relatório GEO Amazonia, que está sendo divulgado em um
encontro do Pnuma em Nairóbi, no Quênia, destaca que o
desmatamento da Amazônia continua acontecendo em ritmo
acelerado. Até 2005, a floresta amazônica sofreu
desmatamento equivalente a 94% do território total da
Venezuela.
O relatório do Pnuma afirma que até 2005 a Amazônia
acumulou uma perda de 17% da sua vegetação total nos
nove países que possuem trechos da floresta tropical. A
área total desmatada foi de 857.666 km2.
Entre 2000 e 2005, a Floresta Amazônica sofreu
desmatamento equivalente a 94% do território total da
Venezuela, dado que havia sido antecipado no mês passado
pelo jornal francês "Le Monde" e noticiado pela BBC
Brasil.
O relatório do Pnuma afirma que em cinco anos a Amazônia
perdeu 17% da sua vegetação total nos nove países que
possuem trechos da floresta tropical. A área total
desmatada no período foi de 857.666 km2.
Cenários pessimistas
O relatório afirma que três fatores vão influenciar na
forma como a Amazônia vai se desenvolver no futuro: as
políticas públicas, o funcionamento do mercado e o
desenvolvimento de novas tecnologias.
Baseado nesses três fatores, o relatório traça quatro
cenários diferentes para o futuro da Amazônia no longo
prazo e nenhuma das hipóteses apresenta uma situação
ideal.
"Isso significa que os protagonistas amazônicos não
conseguiram imaginar um futuro no qual as políticas
públicas, o mercado, a ciência e a tecnologia se
desenvolvam, simultaneamente, de uma maneira
suficientemente positiva de forma a promover o
desenvolvimento sustentável da Amazônia", diz o
documento.
Os quatro cenários traçados pelo Pnuma são:
Amazônia emergente: um cenário em que o governo e as
forças do mercado geram benefícios à região, mas a
ciência e a tecnologia não avançam o suficiente para
melhorar o aproveitamento de recursos naturais.
À beira do precipício: o governo agiria para combater o
desmatamento, mas a demanda do mercado por recursos e a
falta de tecnologia apropriada seriam mais fortes do que
o esforço público.
Luz e sombra: ação pública e investimentos em
tecnologias colaborariam contra o desmatamento, mas as
forças do mercado exigiriam cada vez mais recursos
naturais.
Inferno ex-verde: um cenário em que a floresta ficaria
submetida às demandas do mercado, sem ação governamental
ou avanço tecnológico favorável ao desenvolvimento
sustentável.
Savanização
Segundo o relatório, fatores internos e externos em cada
um dos países estão provocando o desmatamento.
Entre os fatores internos está o crescimento da
urbanização da região e a exploração de recursos
naturais. O Pnuma destaca que, em quatro dos países da
região, mais de 50% da população amazônica é urbana.
Externamente, o aquecimento global continua afetando o
ciclo de chuvas e afetando o equilíbrio do ecossistema.
O relatório cita previsões feitas em outros estudos de
que 60% da Amazônia pode se tornar em savana ainda neste
século, devido ao aumento da temperatura média global
--uma afirmação questionada por um novo estudo publicado
no Reino Unido na semana passada.
O relatório também afirma que a articulação de grupos e
instituições que atuam na Amazônia ainda está apenas no
começo.
"Na maioria dos países da região, a Amazônia ainda não
faz parte do 'espaço ativo' nacional, no entanto eles
estão lentamente começando a articular a Amazônia no
sistema político-administrativo, na sociedade e na
economia nacional", diz o relatório do programa da ONU.
"O Brasil é o país que mais mostrou progresso nesta
área. Por outro lado, o processo contínuo de
descentralização, com diferentes níveis de progresso,
visa a melhorar a governança ambiental por governos
regionais e locais."